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Edição 207

Editorial

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Data de Publicação: 16 de setembro de 2009
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Houve um tempo no Brasil em que jornalistas e escritores eram ouvidos com respeito, atenção e admiração pelos políticos e alguns até deixavam de exercer certas práticas corruptas por medo do poder que tinham homens de cultura e erudição. Vários escritores ou jornalistas e aqueles que eram simultaneamente uma e outra coisa ingressavam na política. Entre outros, foram políticos no Maranhão, Odorico Mendes, João Lisboa, Trajano Galvão e dentre os de outros estados, citem-se Rui Barbosa, José de Alencar, Olavo Bilac. Rui Barbosa chegou a candidatar-se à Presidência da República. Os poetas Castro Alves e Tobias Barreto, na Bahia, fizeram inflamados e eloquentes discursos e declamações contra os navios negreiros. O orador José do Patrocínio se tornou célebre por seus discursos em defesa da Abolição da Escravatura. Tivemos excelentes oradores que, quando subiam à tribuna os políticos, ministros e senadores acusados de corrupção tremiam nas bases. Pedro Calmon e Juscelino Kubitschek de Oliveira se tornaram célebres. Tivemos na Senatoria ou na Presidência da República homens ilustres de talento e respeito como Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek, inclusive o maranhense Urbano Santos, foi vice-presidente da República por duas vezes, em 1914 e 1918, foi senador e por duas vezes assumiu a Presidência da República.

Nos séculos XIX e XX, no Brasil, os grandes jornalistas e escritores eram ouvidos e respeitados mais que qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal. As denúncias e opiniões de homens cultos prevaleciam e faziam calar, através dos meios de comunicação de massa, aqueles que eram acusados de fazer farra e fortuna fácil fortuita e fraudulenta com o dinheiro público, suspeitos de alienarem no particular e privado o bem público.

Hoje os políticos e ministros declaram que as denúncias feitas por jornalistas e escritores não passam de simples especulações de jornalistas, mesmos as denúncias fundamentadas em documentos investigativos, que são tratadas como meras fofocas de jornalistas e escritores. Há até quem declarasse que jornalismo é exclusivamente uma mistura de matéria informativa e literatura, excluindo a palavra principal para o Quarto Poder, investigativa. Na prática, desmonstram que a Imprensa não passa de obra ficcional.

Vivem-se hoje, no Brasil, tempos de mordaça e arquivamento da opinião pública. Na teoria, alguns afirmam que amam a democracia, mas, na prática, a exercem como se fosse a arte da prepotência. É em razão desse retrocesso em relação aos avanços propugnados pelas grandes conquistas da República Brasileira que se transcrevem aqui trechos da obra Jornal de Tímon, de João Francisco Lisboa, que foi um jornalista maranhense em um tempo em que os escritores e jornalistas, no Brasil, pelo que se lerá no que se titulou de Cartas do Senado da Praça João Lisboa a São Luís do Maranhão nos seus 397 anos, eram as próprias vozes e veredictos da opinião pública.

Alberico Carneiro
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
Email: info@guesaerrante.com.br