Data de Publicação: 5 de agosto de 2009
Dinacy Corrêa*Os Reis Malditos, de Maurice Druon é modelo contemporâneo de romance histórico e das séries mais famosas de todos os tempos. (In: Nossos Livros Favoritos. http://br.geocities.com/xena a/maurice druon.htm
O romance histórico “é o gênero que traz ao leitor uma expatriação no tempo. Ele responde também à necessidade de reencontrar as raízes, saber de onde veio, não é à toa que eu cito uma frase de Goncourt: ‘A História é um romance que acontece’” (Maurice Druon – entrevista à Revista Época-SP, 23.08.2004)
O menino do dedo verde passa uma mensagem legal de paz, amor e respeito pela natureza. É a história de um menino que leva alegria aos lugares tristes, através das plantas, das flores que ele faz nascer com o toque do seu polegar. (Henriqueta Evangeline)
O escritor Maurice Druon em foto descontraída e com ar de Maurice Chevalier
Dans la lignée du Petit Prince de Saint Exupéry, Maurice Druon livre un superbe conte philosophique soi-distant pour les enfants. Bien sûr, tout les monde peut lire et trouvera son bonheur dans cette petite histoire si mignone. (Ma Bibliothèque. Livres et Literature sur Internet.amazon.fr)Escritor francês de origem russa (seu genitor era natural de Oremburgo, às margens do Rio Ural, que emigrara em 1908, com os pais, judeus de origem lituânia, para a cidade de Nice, na França) e ascendência brasileira (bisneto, pelo lado materno, do erudito jornalista, político, escritor e poeta maranhense, tradutor de Homero e de Virgílio, o nosso MANUEL ODORICO MENDES – 1799/1864), Maurice Samuel Roger Charles Druon vem à luz na Cidade Luz, a 23 de abril de 1918. Filho de Lazare Kessel (lauréat du premier prix du Conservatoire et pensionaire de la Comédie Francaise, falecido aos 21 anos, sem conhecer o filho que deixou ainda em gestação) e de Leonilla Jenny Louise Samuel, mais tarde desposada (1926) pelo francês René Edouard Marie Druon (notário – 1874/1961), de quem o nosso biografado recebe o nome, adotado que foi, pelo padrasto, aos sete anos de idade. A infância, passa-a na Normandia (La Croix-Saint Leufroy). Desde os estudos secundários, concluídos no Liceu Michelet (de Vauves), brilha como aluno aplicadíssimo, pelo que arrebata prêmios e menções honrosas, em 1936, agraciado que vem a ser do Concurso Geral. Aos 18 anos, inicia-se nos estudos superiores, na Sorbonne e na Escola de Ciências Políticas (1937/1939 – bacharelado em Estudos Clássicos e licenciatura em Ciências Políticas). É quando começa a publicar em jornais e revistas literárias.
Como aspirante Oficial de Cavalaria (Escola de Saumur – início da 2ª. Guerra Mundial), participa ativamente da Campanha da França, luta anti-nazista (1940). Desmobilizada a Campanha, permanece em zona livre, onde faz encenar a sua primeira peça teatral, Mégarée. Em plena Segunda Guerra Mundial, como Subtenente de Cavalaria, combate no interior da França até o Armistício (1941). Em 1942, ingressa nas forças da Resistência, deixando o país natal e atravessando, clandestinamente, Espanha e Portugal, para chegar à Inglaterra e incorporar-se às Forças Francesas de Libertação, em Londres, ao lado do General Charles de Gaule. É quando, animando programas de rádio e difusão, compõe, em parceria com o tio Joseph Kessel (também escritor), a letra do célebre Chant des Partissans (O canto dos Partidários) que, sobre uma música de Anna Marly, torna-se o hino-símbolo da resistência francesa – ainda muito ouvido, e com empolgação, pelo povo francês. Como Ajudante de Campo do General François de Astier do Vigerie, vem a ser encarregado da missão para o Comissariado do Interior e da Informação, sendo, a seguir, elevado ao posto de “Honra e Pátria”. Após o desembarque, aliado no continente europeu, passa a correspondente de guerra (França, Alemanha, Holanda).
A partir de 1946, dedica-se exclusivamente à carreira literária. Les Grandes Familles (primeiro volume de uma saga histórica de vários tomos), que marca a sua estréia no romance, surgido na esteira de inúmeros artigos jornalísticos (que o celebrizaram antes do conflito), vem a merecer, em 1948, o prêmio Goncourt de literatura.
Escritor de muitos recursos, transitando do jornalismo para a ficção romanesca e desta para a dramaturgia, compõe a peça Un Voyageur, encenada em 1953, pela Comédie Française. Dignos de nota são, também, os seus recitais históricos, sempre prestigiados por grande audiência.
Em 1966 (08 de dezembro), é agraciado com o Prêmio Pierre de Mônaco ou Saint Simon, “pelo conjunto de sua obra como romancista, ensaísta e dramaturgo”. Nesse mesmo ano, é eleito na Academia Francesa de Letras (vindo a ocupar a cadeira de nº. 30, sucedendo a Georges Duhamel), da qual foi Secretário Perpétuo a partir de 1985, cargo a que renuncia, em 1º. de janeiro de 2000, cedendo o lugar a Hélène Carrière de Encausse.
Como Ministro da Cultura, do gabinete Pierre Messmer (1973/04 – governo de Georges Pompidou), cria o Conselho Superior de Letras e o Centro Nacional de Letras. Logo após assumir o cargo, ao declarar não ter “intenções de entregar verbas do governo a subversivos, pornógrafos ou intelectuais terroristas”, atrai sobre si protestos de escritores e artistas, vindo a ser tachado de “ditador intelectual”. Entre 1973 e 1974, chega a Ministro dos Negócios Culturais. De 1978 a 1981, a deputado de Paris.
Em 2007 (02 de março), por morte de Henri Troyat (então decano da Academia Francesa), Druon vem a incluir mais um título na sua lista de honrarias e de lauréus: o de decano da Academia Francesa.
Em sua longa trajetória de vida, trabalho e arte, esse bisneto de Odorico Mendes (neto também de Antonio Cros, terceiro e último rei de Araucânia e sobrinho do poeta Charles Cros), foi também membro do Conselho Franco-Britânico, recebeu a Grande Cruz da Legião de Honra, foi Comendador das Artes e das Letras e titular de muitas outras condecorações.
Sua obra, incluindo artigos jornalísticos, ensaios, peças teatrais, novelas, romances (mitológicos e históricos), notas e máximas, textos comemorativos, na visão da crítica francesa, é marcada pela violência e pelo dinamismo, oriundos da sua vida pessoal, primando pela naturalidade com que o autor tão bem consegue imbricar a ficção literária e a história numa mesma tessitura narrativa. É nas páginas desse escritor francês de raízes maranhenses que “o choque das armas e o trágico das paixões contam uma fase importante da literatura francesa contemporânea”.
De toda essa massa bibliográfica versátil e polígrafa, destacam-se a série Les Rois Maudits (Os Reis Malditos) e Tistu les puces verts (O menino do dedo verde). A primeira, “fascinante obra de conflitos humanos”, que consagrou o autor (traduzida para 30 idiomas) composta em sete volumes, evocando os reis franceses dos séculos XII e XIII, ou seja, da dinastia dos Capetos e apontada pela crítica abalizada como um modelo contemporâneo do romance histórico, retrata um período que se abre no reinado de Felipe IV (com a execução do grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, Jacques de Molay – 1314) e se encerra com a coroação de Felipe VI (Reims – 1328). A segunda, única produzida pelo autor no gênero infanto-juvenil, e que o torna mundialmente conhecido, encanta pela poesia que vai ungindo a narrativa, página a página.
Les Rois Maudits I – Le Roi de Fer (O Rei de Ferro) – este primeiro tomo da saga gira em torno de Felipe IV (cuja beleza lendária lhe vale o cognome de o Belo). Conturbados interesses e intrigas misturam-se às paixões e fraquezas dos reis da França, nesse período que vai do processo contra os templários à Guerra dos Cem Anos. “(...) Malditos! Todos malditos até a décima segunda geração das vossas raças!...” – eis que as palavras de Jacques de Molay, ressoam, em meio ao fogo que o consome e já cumprindo o poder nefasto da sua maldição. Nos calabouços do Château-Gaillard, onde fora encerrada por crime de adultério, Margarida de Borgonha tem laivos de esperança: Felipe, o Belo, morrera e ela poderá ser coroada rainha. Permiti-lo-á, Luís X, o futuro rei?
Les Róis Maudts II – La Reine Étranglée (A Rainha Estrangulada) – Tratando-se do confronto, até o “embate final”, entre os dois grupos na disputa do poder (o clã do baronato, representado por Carlos de Valois, irmão do rei morto, e o partido da alta administração, liderado por Enguerrand de Marigny, coadjutor do finado), o enredo ocupa-se da subida de Luís X ao trono e suas criminosas artimanhas em prol de um novo projeto matrimonial.
Les Rois Maudits III – Les Poisons de la Couronne (Os Venenos da Coroa) – 1315. Ódios, conflitos, intrigas... A luta pelo poder, a má administração, no reinado de Luís X, cognominado o Teimoso – que permite que o confronto entre burgueses e nobres conservadores culmine com a perda do domínio das províncias e cujo reinado é marcado pelo seu desejo obsessivo de livrar-se da esposa e ter junto a si uma nova rainha – mergulha a França numa grande instabilidade política e econômica. Enfim, assassinada Margarida de Borgonha, as portas se abrem para a bela Clemência, princesa da Casa de Anjou-Sicília que, procedente de Nápoles, está a caminho da França, para tornar-se rainha e esposa do rei viúvo. Tudo parece auspicioso e promissor. Entretanto, num atestado de inaptidão, ante as responsabilidades do seu reino, Luís X “envolve-se numa absurda guerra contra o conde de Flandres enquanto seu povo morre de fome”. O veneno reflui, ameaçando a coroa da França...
Les Rois Maudits IV – La Loi de Mâles (A Lei dos Varões) – Um grande impasse se estabelece diante de um fato inédito nos últimos três séculos: um rei Capeto que “parte” sem deixar um herdeiro. Quem irá sucedê-lo no trono? Quem, enfim, será coroada? A filha menor de cinco anos (possivelmente bastarda) ou o ser que ainda está sendo gerado no ventre de Clemência da Hungria, segunda esposa de Luís X? – eis a questão.
Les Rois Maudits V – La Louve de France (A Loba da França) – 1317 (janeiro). Por seis anos, um turbilhão de catástrofes arremete-se sobre a França e o ápice de tudo se dá com o óbito de Felipe V, que também “se vai” sem deixar um herdeiro varão. O trono, pois, está à mercê de Carlos IV (terceiro filho do Rei de Ferro). Complôs e reviravoltas marcam esse período conturbado que se reflete, sobremaneira, numa trama literária em que a realidade se faz irisar em flachs de fantasia – uma fuga da torre de Londres, a corte dos papas em Avinhão, uma rainha francesa da Inglaterra em revanche cruel para destronar o marido, o assassinato de um soberano...
Les Rois Maudits VI – Le Lis et le Lion (A Flor de Lis e o Leão) – 1328. Inglaterra (janeiro). A dinastia dos Capetos, enfim, se encerra com a “passagem” de Carlos IV. E surge, sequenciando-a, o ramo dos Valois. O protagonista deste enredo é Robert d’Artois, que “dominará o cenário europeu e manipulará a nobreza para que a coroa seja concedida a Felipe de Valois”. Este “gigante implacável” que, “sem pátria e sem títulos, perambulará pelas estradas de Flandres até ressurgir na Inglaterra, para assumir o comando de um exército e lançar a semente da Guerra dos Cem Anos”, está disposto a tudo (falsificar, subornar, matar) para resgatar o condado de d’Artois.
Les Rois Maudits VII – Quand un Roi Perd la France (Quando um Rei Perde a França) – É no volume sexto que se encerra a história propriamente dita dos Reis Malditos. No sétimo tomo de sua narrativa, Maurice Druon conta, através da personagem Cardeal Hélie du Perigord os efeitos catastróficos da Guerra dos Cem anos, com seu cortejo de batalhas perdidas pela França, os reinados desastrosos de Felipe VI de Valois e de Jean II, o Bom, as tribulações dos reis de Navarra e o reino de Gaston Phoebus. Este último volume distingue-se dos anteriores, sobretudo, pelo foco narrativo de primeira pessoa.
Tistu les puces verts – O menino do dedo verde (para nós, brasileiros, na tradução de Dom Marcos Barbosa), único exemplar de Druon composto no gênero infanto-juvenil, que vem a público em 1957, universalizando o nome do autor, trata-se (opinião de Henriqueta Evangeline 10, que o leu aos 8 anos de idade) de um livro “que passa uma mensagem legal de esperança, paz, amor e respeito pela natureza, contando a história de um menino que leva alegria aos lugares tristes, através das flores que ele faz nascer com o toque do seu polegar” (caderno de resumos). Dom Marcos Barbosa, que o verteu para o nosso idioma e o considera “obra-prima de pura ficção, transbordante de humour e poesia”, ao finalizar o trabalho, percebe, numa reflexão crítica, semelhanças entre esse récit druonniano e o hoje clássico Pequeno Príncipe de Exupéry, que também traduziu em língua portuguesa. Paralelo que se configura, por exelência, no fator invisibilidade (que caracteriza o essencial, na visão exuperyana, donde o postulado: “só se vê bem com o coração”, pois “o essencial é invisível para os olhos”) e que Nogueira Moutinho (1984) também estabelece, entre as duas obras, ao confirmar que, “De fato, O Pequeno Príncipe pertence a uma mitologia; Tistu, o menino do dedo verde está, ao contrário, preso às contingências sociológicas do mundo em que existimos. O primeiro, é atemporal, o segundo é filho da era da poluição, da agressividade e do desentendimento”. Para o crítico em referência, a missão dessa obra é justamente “despoluir, humanizar, reintroduzir a poesia num universo do qual ela se encontra exilada”. Ei-lo que continua: “Tistu deixa impressões digitais misteriosas que suscitam o reverdecimento e a alegria. Tão apaixonante quanto o Pequeno Príncipe, sua tarefa é mais urgente e mais original. Druon foi capaz de criar um símbolo rico de conotações e de apelos, um significante símbolo cujo significado jaz um pouco em cada leitor, capaz de florescer ao descobrir-se também possuidor de um polegar verde”.
Obra que tornou Maurice Druon popular no BrasilComo o essencial de Exupéry, o polegar verde de Druon é invisível, tratando-se de “um talento oculto”, uma “qualidade maravilhosa, um verdadeiro dom do Céu”... Como o revela o jardineiro Bigode (personagem da obra), “há sementes por toda parte. Não só no chão, mas nos telhados das casas, no parapeito das janelas, nas calçadas das ruas, nas cercas e nos muros. Milhares de sementes que não servem para nada. Estão ali esperando que um vento as carregue para um jardim ou para um campo. Muitas vezes elas morrem entre duas pedras, sem ter podido transformar-se em flor. Mas se um polegar verde encosta numa, esteja onde estiver, a flor brota no mesmo instante”.
Narrada em terceira pessoa, a história é protagonizada por Tistu (que recebe, na pia batismal, o nome João Batista), um menino muito bonito, de “grandes olhos azuis e faces rosadas e macias”, dono de uns “cabelos louros e crespos nas pontas, como raios de sol que terminassem num pequeno cacho ao tocar a terra”. Pertencente a uma família rica, Tistu tem tudo para ser feliz: pais carinhosos, uma bela casa casa... O menino nasceu e vive com o Sr. Papai (empresário, negociante de canhões), a Dona Mamãe e o querido pônei Ginástico, em Mirapólvora – “uma cidade como as outras: igreja, cadeia, quartel, mercado, boutique (...) como as outras (...) conhecida no mundo inteiro”, mas... onde se fabricam “canhões de todos os calibres, grandes ou pequenos, muito procurados” – na grande Casa-que-brilha. Já na escola, a partir dos oito anos, o pequeno costuma dormir nas aulas, sendo, por tanto, devolvido aos pais. O Sr. Papai, reconhecendo que “a vida é a melhor escola que existe”, decide que o filho não pisará mais em escola alguma e que, a partir de então, aprenderá “as coisas que deve saber, olhando-as com os próprios olhos”. Tistu terá como mestres, nesse “novo sistema de educação”, Bigode, o Jardineiro, e o Sr. Trovões, o gerente da fábrica de canhões.
Logo na primeira aula, com o jardineiro Bigode, a grande revelação: o menino tem o dedo verde – onde puser o polegar, nascerão flores!! A descoberta, porém, terá que ser mantida em segredo, aconselha o novo professor: as pessoas grandes não iriam entender.
Nas aulas com o Sr. Trovões, Tistu depara-se com o lado feio e triste da vida: miséria, prisão, hospital... Toma, pois, uma atitude: alegrar, anonimamente, esses lugares, com a impressão do seu dedo verde. E o presídio surpreende a cidade com uma profusão de flores tal que não se lhe conseguem fechar as portas. Entretanto, os presos, encantados com tanta beleza, não fogem, mas permanecem ali, maravilhados. A favela, por seu turno, vira atração turística, com tantas flores a absorverem o lamaçal e a embelezarem as casas. No hospital, a menina triste, que contava os buraquinhos do teto para passar o tempo, agora conta os botões de rosa que florescem em torno da sua cama. A vida muda, completamente, em Mirapólvora.
Ao conhecer a empresa do Sr. Papai, o garoto fica revoltado com a nocividade das armas que ali são fabricadas e das guerras. Em segredo, coloca o polegar sobre os canhões que estão sendo exportados para uma contenda entre os Voulás e os Vaitimboras. E assim é que: ao invés de bombas, os canhões lançam mutuamente flores aos inimigos e se dá o malogro da guerra. Os negócios do Sr. Papai vêm à falência e ele entra em desespero. Comovido, Tistu, corajosamente, denuncia a si próprio, comprovando-o com uma rosa que faz desabrochar no retrato do avô, na parede da sala. A fábrica de canhões transforma-se, então, em fábrica de flores e Mirapólvora passa a se chamar Miraflores.
Um dia, informado de que Bigode adormecera/viajara... confuso, vai tirar suas dúvidas com o querido pônei. “Bigode morreu”, declara-lhe Ginástico, que sempre diz a verdade. Inconsolável, Tistu chora, abraçado ao fiel amigo. Enfim, depois de muitas lágrimas e homenagens, após cercar de um bosque de peôneas a sepultura do mestre, no cemitério, “descobriu que a morte é o único mal contra o qual as flores nada podem...” Não obstante, resolve fazer uma escada infinita, de flores, para que Bigode possa descer do Céu, onde certamente deve estar. Em vão. Decide, pois, ir buscá-lo, pessoalmente. E se vai, subindo, subindo... Ginástico tenta, sem sucesso, impedi-lo.
“Quando os moradores da Casa-que-Brilha saíram aquela manhã a chamar Tistu por todos os cantos, viram no meio do prado dois chinelinhos e uma frase escrita em belas letras douradas: TISTU ERA UM ANJO!”
Maurice Druon visitou o Brasil e o Maranhão por duas vezes, nos últimos anos, a convite do escritor e acadêmico José Sarney, que o recebeu na Academia Brasileira de Letras e por quem foi recebido na Academia Francesa. Nas duas ocasiões, visitou a Aliança Francesa e a Academia Maranhense de Letras. Na primeira vez, ao visitar a Praça ODORICO MENDES, ajoelhou-se, respeitoso e emocionado, diante do busto do bisavô ilustre (ali ainda então exposto).
Maurice Druon despede-se deste mundo em sua casa, em Paris, a 14 de abril de 2009, aos 91 anos de idade. A historiadora Hélène Carrière d’Encause, que o sucedeu como Secretária Perpétua da Academia Francesa, evocando, postumamente, o confrade, testemunha: “Era um amigo bastante próximo e uma perda imensa para a Academia, pois era a memória da Academia, dela conhecendo todos os usos e costumes”. E o Presidente da República, Nikolas Sarkozy, rendendo-lhe homenagem, classifica-o como “grande escritor, grande resistente, grande líder político, grande pena e grande alma”...
“Le service religieux des sés exèques célébrés le 20 avril 2009 dans la Cathédrale Saint-Louis des Invalides par M. Claude Dagens de l’Academie Française, em présence du président de la Republique Française, Nikolas Sarkosy, des plusieurs hommes d’État et des personnalités. Les honneurs militaires ont été rendus dans la cour de l’hotel des Invalides par le Chef de l’État, au son du Chant des Partissans, dont Maurice Druon était co-auteur”.
Com o FAROL DA EDUCAÇÃO MAURICE DRUON, no Vinhais o Estado do Maranhão perpetua memória desse grande homem de letras e armas (a exemplo do imortal Camões), que tão bem representa os laços históricos, étnicos e culturais franco-maranhenses.
* Professora da UEMA e escritoraREFERÊNCIASBARBOSA, Dom Marcos. NOTA à edição brasileira de O menino do dedo verde. In: DRUON, Maurice. O menino do dedo verde. 31ª. edição. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1984.
DRUON, Maurice. O menino do dedo verde. 31ª. edição, trad. de D.Marcos Barbosa, ilustr. De Marie Louise Nery. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984.
MA BIBLIOTHÈQUE. Livres et literature sur internet. amazon.fr
MACHADO, Odilon. Maurice Druon e Os Reis Malditos. http://www.infonet.com.br/odilonmachado/ler.asp/id=84653&titulo=odilonmachado (30/07/09).
NOSSOS LIVROS FAVORITOS – Maurice Druon. http://br.geocities.com/xena a/maurice druon.htm (30/07/09).
NIGHTMARE/MauriceDruon.http://pt.shvoog.com/books/classic-literature/191667-tistu-menino-dedo-verde (29/07/09).
REVISTA ÉPOCA (23. 07.2004 – 17:13)
WIKIPEDIA, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/ Maurice Druon (29/07/09).
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