Data de Publicação: 19 de agosto de 2009
O centenário de morte do cidadão Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (+ 15 de agosto de 1909) aos 43 anos de idade, não interferiu na continuidade e permanência do escritor Euclides da Cunha, nome literário daquele e que se perpetua repercutindo na crítica que acompanha as sucessivas edições do romance de sua autoria Os Sertões, cuja primeira edição brasileira data de 1902, portanto uma obra com 107 anos de existência.
O que ocorre de um modo geral com alguns escritores, para não generalizar, é completamente o oposto do que aconteceu com o autor de Os Sertões. Infelizmente há aqueles que, embora em termos de vida civil estejam vivos; como escritores, já estão mortos, mesmo que não saibam ou não façam questão de tomar conhecimento, mas já foram a óbito ou já nasceram com atestado de óbito, ainda que sejam celebrados e ovacionados equivocadamente como escritores. Daí se pode inferir dois nascimentos para Euclides da Cunha, o civil e o literário. E é justamente o segundo, que não carece de certidão de batismo ou cartorial de nascimento que, paradoxalmente, traz do olvido a biografia do falecido.
Literariamente pode-se considerar que Euclides da Cunha nasceu em 1902, ano em que a Editora Laemmert lançou, no Rio de Janeiro, a primeira edição de Os Sertões, obra que inaugura na Literatura Brasileira um novo estilo narrativo, cuja ficção tem base visceral na realidade histórica. Portanto, a obra literária de Euclides da Cunha assinala um momento de ruptura com a tradição, quando constrói um texto, cujo realismo nasce da própria reportagem jornalística, registro que documenta o extermínio ou genocídio de quase 20 mil habitantes de Canudos ou Bela Vista, na Bahia, em 1897, massacre hediondo que, sob a capa de proteger a República, acabou satisfazendo interesses escusos de latifundiários, religiosos, políticos e militares.
É da professora e escritora Dinacy Corrêa o texto que, nesta edição, celebra não a morte, mas a vida de um escritor realmente transcendente e imortal.
O professor e escritor Ivan Pessoa, cuja escrita é sempre surpreendente e rica de saberes, assina o ensaio “Nunca vou sair desse mundo, vivo”., que discute a condição trágica do artista que ousa mergulhar como escafandrista nos limites abissais da mente humana, insondável para lupas de simples mortais. O criador, no entanto, ousa ver e dizer além das aparências e paga um preço, não raro mortal, por correr o risco em abismo e precipício.
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