Data de Publicação: 24 de junho de 2009
Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) vive fase de desafios e de revitalização Fundado em 20 de novembro de 1925, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão vive um silencioso processo de transformação. A presidente da Casa, professora Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, informa que a principal preocupação, agora, do IHGM é o de se renovar, para poder reafirmar os seus propósitos estatutários sócio-culturais, cumprindo as suas finalidades primordiais.
“A missão precípua da nossa entidade é a de desenvolver o conhecimento científico, especialmente nos campos da História e da Geografia do Maranhão”, afirma Eneida Ostria de Canedo.
Ela lembra também que cabe ao IHGM difundir tal conhecimento através das múltiplas formas atuais da comunicação, o que somente será possível com o corpo social renovado, saudável e reativação da plena atividade intelectual, de acordo com o eterno axioma latino: “mens sana in corpore sano”, mente sã em corpo são.

Manoel Santos Neto exibe diploma ao lado da professora Eneida Canhedo e de D. Hilda Bogéa
Aos 79 anos de idade, a professora Eneida Ostria de Canedo é a primeira mulher a exercer a presidência do IHGM. Também pela primeira vez, o posto é ocupado por uma bacharel e licenciada em Geografia e História. Abrigado num prédio da Rua de Santa Rita, doado no final da década de 40 pelo então governador Sebastião Archer, o IHGM tem como objetivo estudar, debater e divulgar questões sobre a história e a geografia do Maranhão. Para isso, mantém uma vasta biblioteca, aberta a estudantes e pesquisadores, e desenvolve palestras, cursos e pesquisas, sempre com apoio de outras instituições culturais.
Entre seus fundadores, figuram nomes como Justo Jansen Ferreira (primeiro presidente), José Ribeiro do Amaral, José de Abranches Moura, José Pedro Ribeiro, Padre Arias Almeida Cruz, Benedito Barros e Vasconcelos, Domingos de Castro Perdigão, José Domingues da Silva, Wilson da Silva Soares, Milson Soares e José Ferreira Gomes, além do jornalista e historiador Antônio Lopes da Cunha, cujo nome batiza a Casa e cuja data de falecimento - 29 de dezembro -, é de luto para a entidade, de acordo com normas estatutárias.
“O inesquecível professor Antônio Lopes da Cunha é considerado o eterno secretário geral do nosso Instituto. Dizem que ele foi o idealizador desta instituição, à qual se dedicou com grande entusiasmo. Sempre que surgia alguma crise, era ele quem encontrava um jeito de contornar as desavenças e disputas internas”, afirma a professora Joseth Coutinho Martins de Freitas, atual vice-presidente do IHGM, onde ocupa a Cadeira nº 55, cujo patrono é José Ribeiro de Sá Vale.
Pelo Instituto passaram sócios beneméritos, como Aquiles de Faria Lisboa, Domingos Vieira Filho, Mário Martins Meireles, Ronald da Silva Carvalho e tantos outros, sendo, por isso, altamente dignificante a todos aqueles que lá se encontram atualmente suceder a pessoas do maior valor pessoal e cultural do Maranhão.
Entre os membros do IHGM, além de historiadores e geógrafos, estão jornalistas, sociólogos, médicos, cientistas, pesquisadores, professores e advogados. Entre as atividades desenvolvidas pelo Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, está a publicação trimestral da Revista do IHGM. No periódico, que data da fundação do Instituto, são publicados artigos e discursos proferidos em diversas ocasiões, inclusive durante as reuniões da Casa.
Profissão de fé - Um dos mais antigos integrantes da Casa, Antônio Rufino, lamenta que, infelizmente, muitos dos que se empenharam em pertencer ao IHGM, como sócios efetivos, depois de eleitos, não tomaram posse ou então deixaram de participar de suas atividades sócio-culturais. Para ressaltar a responsabilidade perante o IHGM, os dirigentes da Casa adotaram o que denominaram “Profissão de Fé do sócio efetivo do IHGM”: Ser sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão não é um título nobiliárquico, outorgado por um poder monárquico; não é uma imposição social ou cultural, sob ameaça de qualquer sanção definida ou difusa; não é um emprego ou uma função gratificada, indispensável à própria sobrevivência de alguém e muito menos uma sinecura; é um ato voluntário, facultativo, espontâneo, de quem se inscreveu livremente e foi aceito para trabalhar em favor da ciência e da cultura; é participar, ativamente, de corpo e alma, de trabalhos individuais ou coletivos, para o funcionamento decente e eficiente do Instituto.
Ser sócio efetivo consubstancia direitos, como demonstrar publicamente essa prerrogativa; participar de atos e fatos do Instituto, de se fazer presente e partícipe de eventos por ele promovidos ou patrocinados. É ter direito a insígnias e diplomas, de acordo com os modelos aprovados; a utilizar-se dos serviços mantidos pelo Instituto, votar e ser votado para os cargos de administração, tomar parte nas reuniões e debates, nos cursos de aperfeiçoamento que se realizarem, colaborar na Revista e receber publicações bem assim candidatar-se aos prêmios de concursos do Instituto entre seus membros. Mas implicam, reciprocamente, uma série de deveres, explícitos no Estatuto a que todos estão obrigados a cumprir e dos quais ninguém poderá eximir-se, sob qualquer alegação: freqüentar e participar das reuniões ordinárias e extraordinárias da diretoria, se a ela pertencer, e de assembléia geral; pagar uma pequena mensalidade para que o Instituto tenha condições mínimas de funcionamento e de manutenção do pessoal e de material.
A investidura de sócio efetivo do IHGM, no entanto, não é definitiva, não lhe outorga a chamada “imortalidade acadêmica”, pois a renúncia pode ser expressa ou tácita, quando o sócio, durante um ano, como preceitua o artigo 14 do Estatuto, “faltar às reuniões e não pagar as mensalidades, sendo declarada vaga a sua cadeira pela Assembléia”. Ninguém, portanto, é compelido a ser sócio efetivo do IHGM, mas se alguém opta, livremente, por esse estado, obriga-se, juridicamente, a cumprir todas as determinações do Estatuto; funcionalmente, a participar da vida administrativa e cultural da entidade e eticamente a não se prevalecer, indevidamente, dessa honraria.
Como associação científica e cultural sem fins lucrativos, o IHGM tem o objetivo de estudar, debater e divulgar questões sobre história, geografia e ciências afins, referente ao Brasil e ao Maranhão, além de defender e velar o patrimônio histórico do estado, obrigações previstas no estatuto. O espaço é aberto à visitação de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. Apesar de freqüentado por professores e pesquisadores, a procura ainda é muito tímida, por isso, a popularização das atividades é uma prioridade da atual diretoria.
Reeleita para o cargo de presidente, a professora Eneida Ostria de Canedo aponta algumas conquistas, como, por exemplo, alterações no estatuto de 1979 - e que precisava adequar-se ao novo Código Civil -, além da criação de um Conselho Fiscal, para avaliar as contas da sede, e o incentivo para a adesão de novos sócios. A expectativa, na gestão de dois anos, é dar visibilidade aos trabalhos dos sócios, em publicações periódicas e aumentar a participação da entidade nos assuntos referentes à história do Maranhão.
Tradições, conquistas e dificuldadesDas conquistas recentes, destacam-se a volta da publicação da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, que desde 2002 não era lançada, e a publicação de obras, como o livro “Historiogeografia de Municípios Maranhenses: São José dos Matões x Parnarama”, do professor Raimundo Cardoso Nogueira. “O ideal é que a revista fosse trimestral, mas nunca tivemos recursos para manter essa periodicidade. Queremos também incentivar o lançamento das pesquisas dos nossos sócios”, declara a professora Eneida Ostria de Canedo.
A biblioteca do instituto já passou por reformas nas gestões anteriores. Nessas etapas, foram catalogados e recuperados livros antigos, doações dos outros institutos brasileiros, da Biblioteca Nacional e publicações dos sócios. Das raridades, destacam-se a recuperação da primeira edição da revista, publicada em 1926, mas mesmo assim muitos documentos foram perdidos pela má conservação e durante a reforma do prédio na década de 70, após a queda do telhado em 1965.
As dificuldades para a publicação se estendem também para a realização de serviços. A manutenção da Casa de Antônio Lopes, como também é conhecida em homenagem ao fundador, é feita com o dinheiro das mensalidades dos sócios. Os recursos arrecadados são destinados para o pagamento de água, telefone e energia elétrica, deixando para depois os planos de informatização da biblioteca, cujo projeto foi elaborado, mas falta patrocínio para ser efetivado.
“Estamos em busca do apoio de empresas privadas ou do poder público. Não temos como implantar apenas com recursos da Casa”, ressalta a presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Segundo ela, a inadimplência e a evasão dos sócios estão ligadas à estrutura antiga do prédio (o acesso ao segundo andar é feito apenas por escadas, o que dificulta a participação nas reuniões, que acontecem na última quarta-feira do mês). “A maior parte dos sócios tem mais de 70 anos e, por isso, a vinda é complicada. O prédio tem 45 degraus e ainda tem o problema da falta de estacionamento. Tudo isso contribui para que muitos sócios deixem de participar das ações”, lamenta.
A presença dos membros nas reuniões é uma das obrigações previstas no estatuto, sob pena do desligamento, mas essa não é a intenção da diretoria, pois a participação é indispensável para o cumprimento das atividades e obrigações estatutárias. Caso o Instituto não esteja funcionando de acordo com o previsto poderá ser dissolvido, conforme a legislação vigente no país. “Nós não queremos isso. A nossa meta é chegar às reuniões anuais dos institutos do país e mostrar nossas conquistas, por isso é preciso a colaboração de todos”, enfatiza a presidente.
Professor da Uema é o novo ocupante da Cadeira nº 13Gilberto Matos Aroucha, professor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), lotado no Centro de Estudos Superiores de Itapecuru-Mirim (Cesita), tomou posse na noite do dia 27 de abril de 2009, no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), onde passou a ocupar a Cadeira nº 13, cujo patrono é Raimundo de Sousa Gayoso.
Prestigiaram a solenidade o reitor José Augusto Oliveira, o presidente da Associação de Professores da Uema, Iran Passos, familiares, convidados e diversos membros do instituto. A cerimônia de posse foi presidida pela professora Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, presidente do IHGM, que fez questão de dar as boas-vindas ao professor Gilberto, que na graduação foi seu aluno, na Universidade Federal do Maranhão e, em seguida, fez a apresentação do novo membro.
Gilberto Matos, além de ser diretor do curso de Letras do Cesita, é graduado em Geografia, mestre em Saúde Ambiental e doutor em Ciências Pedagógicas. É também autor das obras intituladas Novos Saberes sobre o Ensino da Geografia, Geo-História da Cidade de São Luís: Uma Análise Tempo-Espacial, e acaba de escrever Pensamento Geográfico: uma contribuição para formação de professores.
Após prestar juramento, o professor Gilberto iniciou seu discurso falando da emoção de fazer parte de um grupo seleto de intelectuais membros do IHGM. “Não me imaginava parte integrante deste instituto. Entretanto, não posso negar que a minha vaidade agradece. Vejo-me na concretização de um sonho de adolescência, de ensino médio: Professor, mestre, doutor e, agora, membro efetivo do IHGM”, disse.
Entre as estatísticas e citações feitas pelo professor, uma chama atenção. Ele afirmou que, 185 milhões de pessoas estão desempregadas no planeta, o que representa 6,2% da força de trabalho mundial. Cerca de 40 mil empresas concentram 25% da economia no mundo e empregam diretamente apenas 1,5% da mão-de-obra disponível. E acrescentou: “Apesar do crescimento sem precedente e da melhoria nas condições de vida experimentados por muitos países, o abismo entre ricos e pobres aumentou nas últimas décadas”.
O professor também fez alusão ao patrono da cadeira nº 13, Raimundo Gayoso. A este, Gilberto não poupou elogios: “É bastante conhecida a máxima de que há homens que optam por fazer de sua vida uma missão para mudar a história. Não vêm ao mundo a passeio, estão sempre a serviço de um ideal, de algum projeto grandioso, de alguma ambição virtuosa. Raimundo José de Sousa Gayoso era um desses”, reconhece.
Na sua visão, Gayoso era um homem acima do seu tempo, possuía uma grande cultura, e deixou, entre outras, uma grande obra literária, sobre o título: Compêndio histórico – político dos princípios das lavouras no Maranhão, publicada depois de sua morte, por sua esposa Ana Rita de Sousa Gayoso, em 1818.
Nascido na cidade de Buenos Aires-Argentina, em 1747, Gayoso era filho de João Henrique de Sousa e de Micaela Jerônimo Gayoso. Seus primeiros passos na educação foram realizados na França e na Inglaterra, fixando-se depois em Portugal. Há informações de que em 1792, já residia no Maranhão, mais precisamente no município de Itapecuru-Mirim, tendo lá se envolvido com as culturas da lavoura e do algodão.
Na cadeira nº 13 do IHGM, que ora tem assento Gilberto Matos Aroucha, professor do curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão em Itapecuru-Mirim, já foi ocupada ao longo dos anos por homens ilustres, tais como: Tácito da Silveira Caldas, Aluízio da Silva, José Pedro Ribeiro e Oswaldo da Silva Soares.
Jornalista toma posse na Cadeira nº 11O jornalista Manoel Santos Neto, repórter do Jornal Pequeno, é o mais novo membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), onde agora ocupa a Cadeira nº 11, cujo patrono é Sebastião Gomes da Silva Belfort. A cerimônia de posse do jornalista aconteceu no dia 13 de maio de 2009, nos jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), na Rua do Sol, com a presença do ex-governador José Reinaldo Tavares e de um grande número de pesquisadores, escritores e militantes de movimentos sociais.

Posse do escritor Manoel Santos Neto no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, ao lado de D. Hilda Bogéa, diretora do Jornal Pequeno, e de outros membros do Instituto
Em sessão solene, a presidente do IHGM, professora Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, proferiu discurso de saudação ao novo membro do Instituto Histórico. Ela destacou a importância da cerimônia, realizada também para a celebração da data da Abolição da Escravatura no Brasil.
O jornalista Manoel Santos Neto, em seu discurso, além de celebrar a passagem do 13 de maio, fez uma emocionada homenagem aos jornalistas e a toda a imprensa do Maranhão. O repórter do JP agora é o novo titular da Cadeira Nº 11, patroneada por Sebastião Gomes da Silva Belfort e fundada por Antônio Lopes Ribeiro Dias. A cadeira já foi ocupada por ilustres intelectuais, dentre eles Cândido Pereira de Sousa Bispo (1896-1950), Mário Meireles (1915-2003), Almir Moraes Correia (1914-1992) e Sebastião Barreto de Brito (1930-2007).
Ao final da cerimônia de posse, aconteceu uma sessão de autógrafos do poeta e escritor Cunha Santos, que lançou o livro Vozes do Hospício. Também foi lançado o livro Os Frutos não colhidos, que reúne 45 poemas em homenagem a Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, brutalmente assassinado em São Luís, no dia 22 de março de 2007.
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