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Edição 201

Editorial

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Data de Publicação: 24 de junho de 2009
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Se, por um lado, o Maranhão e a França são diferentes culturalmente em usos, costumes, hábitos, maneiras de ser, por outro se identificam linguística e literariamente. Francês e português são línguas neolatinas, portanto da mesma família. Ressalte-se que, durante séculos, português, latim e francês foram línguas prestigiadas nos currículos escolares maranhenses. O francês, por exemplo, introduziu vários intelectuais, jornalistas e escritores da terra de Gonçalves Dias no universo da literatura europeia. Daí a afinidade maior entre França e Maranhão se dever, quase que exclusivamente, hoje, à literatura, o que soa como um entrelaçamento que deve ser levado em consideração.

Se Maranhão Sobrinho e Inácio Xavier de Carvalho foram assíduos leitores do simbolismo francês, já antes Gonçalves Dias e Odorico Mendes haviam lido fluentemente os românticos de Paris e os clássicos da Grécia.

É inegável que, da década de 1940 aos dias atuais, O Partido das Coisas, de Francis Ponge, de algum modo ou em algum momento, teve encontro com textos de poetas brasileiros. É oportuno lembrar que, principalmente A Mesa, obra seminal da década de 1980, poema-livro, que é simultaneamente texto e crítica do próprio texto e de textos por si só propicia uma eloquente discussão. O poema em questão se desenvolve de maneira inusitada como obra em ordem, processo e progresso, em que o autor se permite publicar o texto e o intertexto em estágio permanente e inacabado de construção, ou seja, um poema publicado como definitivo, mas sem omissão dos rascunhos, o que é um dado inédito. Sim, um poema com rasuras, interditos, entrelinhas e subjacentes explícitos no texto. Pergunta-se: em que sentido a obra pongeana, em termos de concepção, encontra identidade no pensamento crítico de Ferreira Gullar, Antonio Aílton, Salgado Maranhão, Luís Augusto Cassas, Celso Borges, Bioque Mesito e Nauro Machado?

Além da celebração da presença da França no Maranhão e, portanto no Brasil, esta edição se acresce de conciso, porém oportuno e poético texto assinado pelo ensaísta Ivan Pessoa, O Sopro do Jazz ,além dos textos assinados pela escritora e acadêmica Sônia Almeida, que tece uma inspiradíssima apresentação do poeta Marco Lucchesi; e por José Neres, cuja síntese sobre a poética de Bioque Mesito acende um novo olhar sobre a anticópia dos placebos existenciais e A Inconstante Órbita dos Extremos. Tempo de mudança na Casa de Antônio Lopes constitui um oportuno ensaio do jornalista e escritor Manoel Santos Neto, contando a história de uma instituição que teve seus tempos áureos e que retoma sua trajetória com a eleição de jovens entusiasmados pela história e pela geografia, como o professor Gilberto Matos Aroucha e o próprio Manoel Santos Neto.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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