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Edição 202

Editorial

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Data de Publicação: 8 de julho de 2009
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As convicções da crítica oficial sobre quem é quem em literatura brasileira estão ultrapassadas há muito tempo. Pelo menos há um século. Fala-se sobre a caducidade daquelas teses que passaram de compêndio a compêndio até os dias atuais, com mudanças apenas nas capas, ilustrações e autoria. Desconfia-se que o determinismo cartesiano dessa crítica ortodoxa tão estranhamente convincente pode ser apenas uma blindagem de outros diagnósticos que, embora já estabelecidos pela crítica não oficial, continuam no limbo. Na realidade, o estudo mais conseqüente sobre textos deve ser aquele que nunca se faz conclusivo. Neste sentido, percebe-se que um maranhense, o professor e escritor Ricardo Leão, começa a desconfiar também que o dito pode constar como não dito. O texto que assina nesta edição, sob o título O Monstro Souza e a Estética do Horrível: o grotesco, o feio, o brega, o kitsch, sobre obra literária de Bruno Azevedo, de saída dá as cartas ao pretender estudar o texto com outras lentes, por um desvio da tradicional recorrência ao preestabelecido, mas sem anunciar o final do jogo, deixando o aspecto conclusivo para a posteridade. Sabe que o estudo do texto não tem cátedra e é preciso firmar antes um compromisso com o resgate do que se entende como respeito à produção nacional de valor, sem mendigar influências de outras pátrias, se não as houve. Foge do vício colonial da descendência européia como selo e lacre de carta de apresentação.

O texto que o professor e escritor Ivan Pessoa assina, como introdução do trabalho ensaístico que desenovelará no JP Guesa Errante sobre a Sétima Arte constitui uma abertura bastante expressiva, que revela um jovem talento maranhense, cujo valor está além do próprio texto, o exemplo de uma mente antenada com as várias vertentes que se entrecruzam num mesmo desafio de saber. Sob o título de A lanterna mágica, Ivan Pessoa constrói um ensaio em que discute com singeleza as convergências de formas de arte que interagem no Cinema, entre elas a música, as artes visuais, o texto, a crítica, a literatura, a filosofia.

A presença da França no Brasil, do ponto de vista da obra poética de Francis Ponge, se torna conclusiva nesta terceira incursão. Falou-se sobre a obra de um poeta cuja concepção sobre poesia e poema vai além das expectativas do dito e, ultrapassando as palavras, coincide com o pensamento de um escritor maranhense, Ferreira Gullar que, por sinal, também tem a convicção de que os signos só valem quando palpitam e pulsam no ritmo do coração. Que poesia, dizem, é carne pronta para o gozo; pior porque também é alma e ambas se acasalam na jornada da maldita felicidade, oculta no silêncio que paira sob a noite negra das palavras na página.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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