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Edição 192

ARNALDO ANTUNES: Um artista multimídia

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Data de Publicação: 29 de novembro de 2009
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Júnior Vieira*

Arnaldo Antunes prova que a arte também se dá pela mistura e por elementos modernos.

Cantor, compositor, poeta, são muitas as atribuições de Arnaldo Antunes, um dos mais experientes nomes da música brasileira.

O músico, que se projetou na década de 1980, quando era integrante dos Titãs, é um roqueiro multifacetado, que faz incursões, à sua maneira, com o samba, a MPB e as mais variadas expressões da arte, às vezes tomadas de forma autônomas. Outras vezes, misturadas. Além disso, é também um poeta visual com bem sucedidos trabalhos nas artes plásticas.

É pelo caráter plural que Arnaldo Antunes é considerado como um dos poetas que melhor representam a modalidade da poesia que transita por diferentes suportes. “Procuro os fragmentos e as formas de expressá-los. É uma poesia que se faz multimídia e multiplica sua capacidade de comunicação com o leitor”, explica o artista.

Esta forma de construção da poesia faz com que Arnaldo Antunes se destaque na produção contemporânea, justamente por assumir uma postura pacífica, e ao mesmo tempo atuante, frente às novas tecnologias.

Uma questão de sensibilidade

O caráter de simultaneidade percorre toda a trajetória de Arnaldo Antunes, não só na poesia, mas também nas artes plásticas e na música. Isso vem acontecendo desde o início de Antunes no mundo das artes.

Arnaldo Antunes participou de grupos de música, poesia, vídeos, performances e integrou, de 1982 a 1992, a banda de rock paulista Titãs, uma das mais importantes do rock brasileiro na década de 80, com a qual se projetou nacionalmente. No grupo, atuou como vocalista e compositor, participando de sete discos e sendo autor de grandes sucessos como Bichos Escrotos, Comida, Família, entre outras. “Mas, paralelamente a isso, eu escrevia. Cheguei, até, a lançar alguns livros quando ainda fazia parte dos Titãs”, revelou.

Em 1992, Arnaldo Antunes decidiu sair da banda. Isso não significou, entretanto, um rompimento, pois ele continuou compondo para os Titãs. Há músicas suas em Titanomaquia (1993), Domingo (1995), Acústico (1996, em que participa em uma faixa) e Volume 2 (1998).

Apesar de escrever e cantar ao mesmo tempo, o músico afirmou que as coisas não se misturavam. “Só quando saí dos Titãs, decidi fazer um mix. Então, surgiu uma terceira atividade: o vídeo”, contou. Caminho natural das coisas, em 1993 Arnaldo Antunes lançou o disco-livro-vídeo Nome, ao qual se seguiram Ninguém (1995), O Silêncio (1996) e Um Som (1998).

Em 2002, mais uma investida na música. Dessa vez, um único CD: Os Tribalistas, em parceria com Marisa Monte e Carlinhos Brown. “Foi um encontro de amigos, que têm trabalhos separados e que não possuíam intenção de lançar outros CDs”, disse. Hoje, Antunes continua a carreira solo.

As letras

Os trabalhos de Arnaldo Antunes com as letras acabaram por torná-lo um dos nomes mais conceituados na poesia contemporânea brasileira. “Minha poesia tem um aspecto voltado para o construtivismo. Eu crio a partir de pedaços. Já na música eu fazia isso”, contou o artista, revelando os escritores que mais influenciam seus livros. “A principio, João Cabral de Melo Neto e Augusto de Campos, pelo trabalho de concisão. Mas foram surgindo outros, como Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade... mas essa lista está em construção permanente e já tem até autores clássicos, que antes eu não lia, como Dante e Homero”, relatou.

Mas nem só de literatura se originam as influências para a poesia de Antunes. “O rock também me inspira, pelo movimento de subversão comportamental que promove”, destacou. “Mas, qualquer coisa que eu fale sobre as minhas fontes de inspiração e sobre a minha poesia será sempre menos que minha poesia em si”, acrescentou.

Novos capítulos

Arnaldo Antunes já lançou 14 livros, entre os quais 40 escritos, livro organizado por João Bandeira, que reúne artigos, ensaios, prefácios, releases e textos publicados em diversos meios (jornais, revistas, catálogos etc.) desde 1980. “Mas pretendo lançar mais uma reunião de escritos. Seria Outros 40, uma reunião de ensaios, textos mais poéticos e mais criativos. Um trabalho comentando a produção de outras pessoas”, avisou. “Mas não quero dar prazo para lançamento. Vou cuidar de tudo com calma, como fiz com todos os meus outros trabalhos”, finalizou.

Arnaldo Antunes proferiu palestra durante a II Feira do Livro de São Luís, no Salão do Escritor, Auditório Arthur Azevedo, no dia 19 de outubro.

*jornalista
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
Email: info@guesaerrante.com.br