Data de Publicação: 5 de novembro de 2009
O MENSAGEIRO DO TEMPOJosé Chagas
Luís Morais, como eu e tantos outros por aí, é um versejador contumaz. Cumpre uma tarefa ingrata nestes tempos em que a poesia é tão pouco lida, mas em que sempre se lida com ela, cada qual buscando, a seu modo, a expressão do que lhe exige o sopro vocacional, dentro das limitações a que o fazer poético nos submete. Em verdade, para os que nascem assim com essa destinação, versejar é preciso, muito mais que viver. É claro que não se vive de versejar, mas verseja-se enquanto se vai vivendo. É uma busca existencial, uma procura sem fim ou o que, se tem fim, é um fim em si mesma. Versifica-se para ver se fica algo que possa denotar o que se passa interiormente em nossa conduta espiritual. É evidente que a busca do poema é muito mais fácil do que da poesia propriamente dita. Isso porque a poesia é que tem de achar o poema e não o poema que tem de fazer a poesia. Nunca duas coisas são tão intimamente relacionadas e, no entanto, muitas vezes tão distintas. Tudo porque o poema é, na verdade, já o efeito da poesia e não a causa, como muita gente imagina. Ocorre às vezes que a poesia – que sempre está em todas as coisas – pode paradoxalmente não se achar no poema.
Daí por que versejamos muito e poetizamos pouco. Todos nós somos mais versejadores do que poetas. Mas é na persistência do trabalho intelectual que se há de revelar aquilo para que se é dotado com maior ou menor capacidade criativa. A tarefa principal do poeta é, pelo poema, revelar aos outros a poesia que está em seu íntimo e que pode até ser também a emoção vivida pelos outros. Ou, como diria Fernando Pessoa, uma emoção sua que é dos outros. Conseguir isso é chegar ao alvo, é realmente atingir o que se quer, e é dar ao poema o poder que ele passa a ter, daí em diante, de ser também causa de poesia e não só o efeito dela.
Luiz Morais mantém-se fiel a si mesmo no quanto lhe custa o esforço de dar de si, através de um constante e coerente trabalho literário. Dedicado a isso, não parece atualmente fazer outra coisa senão isso, e é como se aí estivesse o objetivo maior de sua existência. Pela sinceridade com que se entrega a esse labor, Morais está entre aqueles que, pelo verso, a única arma de que dispõem, luta para dar à vida um sentido mais condizente com o que é possível suportar o ser humano no mundo de nossos dias. É o empenho de realizar-se espiritualmente e trazer do fundo da alma a mensagem com que tenta levar aos semelhantes aquilo que tem de melhor em si.
Além do mais, ele é também compositor, poeta-compositor ou compositor-poeta e, assim, tanto nos dá a poesia silenciosamente, em livro, como sonoramente, em cd. É grande a sua produção em qualquer dos dois aspectos de sua atividade artístico-literária. E numa expressão como noutra conserva a sua individualidade, colocando-se adequadamente nos limites de sua capacidade criativa, com o simples propósito de exprimir, em livros, não só os seus problemas de natureza íntima, as suas angústias particu1ares, mas também louvar, pelo cântico mais próximo do povo, os valores tradicionais de nossa Ilha e seus encantos e seus mistérios. Vale a sinceridade com que tudo isso chega até nós.
Tem quatro livros já publicados e muitas músicas difundidas por vários grupos de bumba-bois do Maranhão, sempre com garantido sucesso. Há nele, portanto, o poeta escrito e o poeta cantado, à disposição de leitores e de ouvintes. Dentro dessa dupla forma de expressão, compreende tanto a sua própria medida e a do meio em que vive que, na apresentação de seu cd, nos diz: “Na nossa história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer”. E assim o poeta vive o que sonha e sonha o que vive investindo o seu talento, sobretudo, na fé e na esperança. Daí sua afirmacão: “Sempre tive sonhos. Os sonhos se realizam porque acreditamos neles. Meu desejo abriu os caminhos da esperança e, na esperança, a possibilidade de conseguir.”
Pois é pelos caminhos da esperança que ele anda, na busca de conseguir aquilo que lhe determinam os sonhos. E eis, pois, tudo o que posso dizer desse poeta-compositor, porque o mais ele mesmo é que vai revelar ao leitor, no contato com mais este livro, e no qual parece trazer-nos mensagens do passado, do presente e do futuro, já que se trata de Mensageiro do Tempo. Tem o leitor oportunidade de saber quais as boas notícias chegadas por intermédio desse mensageiro. E afinal não há nada que possa revelar melhor o autor.
BIOGRAFIALUIZ CARLOS MORAIS BRUZACA, poeta, compositor e cantor com atividade em vários segmentos da cultura maranhense. Tem quatro livros de poesias publicados e vários poemas avulsos, que fazem parte de antologias maranhenses e de nível nacional. Premiado em quatro festivais de canções e um de poesias, é ainda puxador de samba da Águia do Samba, do Povoado Flecheiras, em Humberto de Campos.
Luiz Morais nasceu no povoado Flecheiras em 12/12/1948 e desde cedo demonstrou sua verve poética nos versos que criava e declamava na infância e na adolescência nos eventos sociais e escolares.
Envolveu-se, ainda jovem, na política municipal e durante as décadas de setenta e oitenta do século passado foi importante liderança no povoado Flecheiras.
Em 1983, com família constituída, mudou-se para São Luís, onde foi buscar maiores aprendizados, proporcionando melhor educação para seus filhos;
Luiz Morais é um autodidata autêntico, pois, apesar de possuir, como instrução formal, apenas o ensino fundamental, exercitou, ao longo da vida, intensa atividade em vários segmentos da cultura maranhense, destacando-se como escritor, poeta, compositor musical e cantor.
Sua obra bibliográfica é composta dos seguintes títulos: Planície dos Lobos, de 1986; Sinfonia no Século das Águias, de 1988; Crepúsculo da Hora Atômica, de 1997; O Punhal e a Rosa, de 2001, e Mensageiro do Tempo, a ser publicado.
Vários de seus poemas avulsos fazem parte de livros de antologias maranhenses, destacando-se os seguintes: Herói sem nome (Os Poetas da Ponte, de 1989); Limites e A morte de Nel (A Poesia Maranhense no Século XX, de 1994), ao lados de grandes e destacados nomes.
Classificado em primeiro lugar em quatro festivais de música realizados em São Luís, sendo o mais recente em 2008 com a toada Nossas raízes, no Terreiro Raízes;
Premiado com o primeiro lugar no Festival de Poesias, realizado em São Luís pelos Poetas da Ponte, com o poema Vinte de Novembro (dia nacional da consciência negra).
Como compositor e cantor participou de vários grupos de bumba-meu-boi, entre quais os de Humberto de Campos (matraca e orquestra), de Presidente Vargas, de Recurso (Santa Rita), de Nina Rodrigues, Madre Divina, Brilho do SESC, Pirilampo, e hoje participa, ainda, dos grupos: Boi da Lua, Boi de Sonhos, Boi de Redenção e Brilho da Noite.
Agraciado com a medalha de Honra ao Mérito, concedida pela Prefeitura Municipal de Humberto de Campos, em 19/12/1998.
Mereceu de José Chagas, o maior poeta vivo do Maranhão, rasgados elogios no prefácio do seu livro, ainda inédito, Mensageiro do Tempo:
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