Data de Publicação: 13 de agosto de 2008
As edições Guesa Errante sobre o Centenário de Morte de um Escritor Eterno, Machado de Assis, têm o propósito deliberado de reacender a chama da polêmica ou discussão em relação a um prosador que, decorridos 100 anos de sua morte, surpreende cada vez mais quantos vorazmente se debruçam sobre suas páginas com o interesse, a avidez e a curiosidade próprios das pessoas que se deslumbram com algo novo ou com a verdadeira obra de arte de criação literária. Por isso resolveu-se transcrever trechos e fragmentos de uma célebre Mesa Redonda, realizada pela Editora Ática, em 14 de novembro de 1980, composta por um grupo de especialistas em Machado de Assis, professores e escritores de renome nacional.
Sob a coordenação dos professores Alfredo Bosi, José Carlos Garbuglio, Mario Curvello e Valentim Aparecido Facioli, a discussão memorável teve como convidados especiais Antonio Callado, Luiz Roncari, Roberto Schwarz e Sonia Brayner. E como não poderia deixar de ser, os diálogos foram transformados num documento publicado pela Ática, como um dos tomos da Coleção Escritores Brasileiros Antologia & Estudos, sob o título Machado de Assis. Sem dúvida, os discursos dos debatedores são ainda o que há de mais conseqüente da crítica literária brasileira como trabalho pioneiro e de desbravadores, no gênero, e resgate definitivo da vida e da obra de um gênio da narrativa contemporânea, contrastando com a maioria dos textos que até então se haviam escritos sobre o autor de Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Esaú e Jacó, Memorial de Aires, O alienista e Papéis Avulsos, geralmente teses e obras didáticas, sem o frescor do democrático debate com o livre trânsito de tese, antítese e contra-tese, com o vigor da obra aberta. E se as edições que ora se compõem sobre o centenário de um imortal autor-defunto são-lhe um tributo, esse tributo se estende àqueles que tão bem souberam resgatar a memória da maior expressão das obras romanescas do Brasil e, quiçá, do panorama internacional, Machado de Assis.
A Equipe Guesa Errante presta também uma homenagem a uma das editoras que melhor soube até hoje valorizar os escritores nacionais vivos e mortos, a Ática, dedicando a suas obras edições primorosas, com estudos introdutórios, análises críticas e biográficas, elaboradas sempre por críticos literários competentes, que se destacam por produzirem textos que fogem ao lugar comum da crítica oficialesca, didática, normativa, padrão e acadêmica, isso a preços populares, o que estimulou a ampliação do círculo de leitores de obras literárias.
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