Data de Publicação: 16 de julho de 2008
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O que mais intriga na concepção artística é o tempo. Só o tempo é que fará o julgamento correto do produto artístico. Nunca se deve realizar, ou melhor, nunca se deve cometer o equívoco de sobrepujar a arte em detrimento do artista. Um dos males da pós-modernidade e/ou da contemporaneidade está no atropelamento da obra e o efêmero destaque que se dá ao autor da obra. Em nossa cidade, carregada de orgulho até o pescoço, poucas são as iniciativas que merecem destaque. Poucas mesmo. Não é pela longevidade do evento, mas sim pelo caráter (até educativo) que o Festival Guarnicê de Cinema se solidifica durante mais de três décadas como uma grande iniciativa artística, imprescindível para o ambiente cultural de São Luís. Possuindo a cara do seu organizador, Euclides Moreira Neto, que faz das tripas coração para realizar este evento, sendo uma das suas grandes paixões. Apesar de se tratar de um festival, e festivais sempre têm suas pessoalidades, este não deve em nada a outros que acontecem em outros estados como são os casos do Festival de Gramado-RS, Festival de Cinema de Brasília-DF, Cine Ceará-CE, Rio Cine-RJ, entre outros.
Outro aspecto muito importante do festival Guarnicê é a presença de vários espaços que agregam cursos, workshops, oficinas, mesa de debates, espaço jovem e infantil, história do cinema, o que demonstra o lado de inclusão social do evento. Arte, por mais simples que seja, gera custos e apresentar contrapartidas à iniciativa privada de que sua marca estará sendo valorizada, não é fácil. Mas com todos os sacrifícios, o Festival Guarnicê de Cinema a cada ano se fortalece. A participação dos jovens no Guarnicê é de suma importância, pois conseguem aprender um pouco da linguagem cinematográfica, ainda bem cedo. Também não seria mais feliz o período em que acontece o Festival Guarnicê de Cinema. O nome do festival já equaliza as manifestações do povo maranhense, que no mês de junho apresenta toda a sua paixão pelos festejos juninos.
Realizar um festival de cinema, como é o caso do Guarnicê, requer muito brio, cansaço e paixão. Paixão é a mola que move a organização deste evento. A iniciativa privada, quando acredita em um projeto, entra com os recursos com mais facilidade e então se consegue realizar cada vez melhor o evento. Talvez um dos poucos pontos negativos está na falta de pessoal suficiente para informar às pessoas da programação ou também se formar uma cidade-satélite que comporte toda a programação do festival. O Festival Guarnicê de Cinema contou este ano com o apoio do Governo do Estado, Petrobras, Vale, Banco do Nordeste e Alumar.
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Na última noite do evento (21/06) foram entregues os troféus aos vencedores do 31º Festival Guarnicê de Cinema, que foi realizado entre os dias 15 a 21 de junho de 2008, na cidade de São Luís-Maranhão. Na categoria 35 mm, o curta baiano Dez Centavos, de César Fernando de Oliveira, conquistou os troféus Guarnicê de Melhor Filme Nacional tanto pelo Júri Técnico quanto pelo Júri Popular. O filme ainda ganhou os prêmios de Melhor Ficção e Melhor Ator, para Jorge Júnior. Na categoria de Melhor Filme Maranhense pelo Júri Técnico, o prêmio foi para O Incompreendido, de Francisco Colombo e pelo Júri Popular o vencedor foi Ódio, de Breno Ferreira.
Na categoria Vídeo, o Júri Popular elegeu o curta carioca Suzi Brasil - A Deusa da Penha Circular, de Renata Than, enquanto o Júri Técnico premiou o vídeo paraibano Amanda e Monick, de André da Costa Pinto. Na categoria de Melhor Vídeo Maranhense pelo Júri Técnico a premiação foi para Canoa de Um Pau Roxo, de Gabriela Mochel Piccolo e Alberto Greciano e pelo Júri Popular o prêmio foi para Pelo Ouvido, de Joaquim Haickel. A seguir todas as premiações do 31º Festival Guarnicê de Cinema:
31º Festival Guarnicê de Cinema35mm:
Menção Honrosa: Ronyel Sales, pela canção tema do filme Juca Pé de Bode
Melhor Argumento: Camilo Cavalcante (O Presidente dos Estados Unidos)
Melhor Roteiro: Eduardo Felipe, Fernando Jorge e Leandro Amorim (Até o Sol Raiá)
Melhor Fotografia: Eusélio Gadelha (Câmara Viajante)
Melhor Montagem: Rosária e Erica Valle (Ele)
Melhor Trilha Sonora Original: Ruggero Ruscchioni (Pajerama)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: Ele
Melhor Direção de Arte: Victor Hugo Borges (Icarus)
Melhor Ator: Jorge Junior (Dez Centavos)
Melhor Atriz: Adriana Fereira Coelho Lodi (Entre Cores e Navalhas)
Melhor Direção: César Fernando de Oliveira (Dez Centavos)
Melhor Filme Maranhense (Júri Popular): Ódio, de Breno Ferreira
Melhor Filme Maranhense (Júri Técnico): O Incompreendido, de Francisco Colombo
Melhor Documentário: Câmara Viajante, de Joe Pimente
Melhor Ficção: Dez Centavos, de Cezar Fernando de Oliveira
Melhor Animação: Ele, dos Alunos da Rede Municipal de Ensino de Vitória
Melhor Filme Nacional (Júri Popular): Dez Centavos, de Cezar Fernando de Oliveira
Melhor Filme Nacional (Júri Técnico): Dez Centavos, de Cezar Fernando de Oliveira
Vídeo:
Melhor Argumento: Amaro Filho (Ligações)
Melhor Roteiro: Willian Salvador (Lúmen)
Melhor Fotografia: Breno César (Banzo Analítico)
Melhor Edição: Christian Caselli (Suzi Brasil - A Deusa da Penha Circular)
Melhor Trilha Sonora Original: Charles Torres (Rua das Tulipas)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: Júlio Conde (Desenhando Cultura)
Melhor Direção de Arte: Willian Salvador (Lúmen)
Melhor Ator: Juliano Barros (Bem Intocável)
Melhor Atriz: Amanda Acosta (Pelo Ouvido)
Melhor Direção: Renata Than (Suzi Brasil - A Deusa da Penha Circular)
Melhor Vídeo Maranhense (Júri Popular): Pelo Ouvido, de Joaquim Haickel
Melhor Vídeo Maranhense (Júri Técnico): Canoa de Um Pau Roxo, de Gabriela Morchel Piccolo e Alberto Graciano
Melhor Documentário: Loucos de Futebol, de Halder Gomes
Melhor Ficção: O Filme do Filme Roubado do Roubo da Loja de Filmes, de Marcelo Yuka, Paulo Silva e Júlio Pecly
Melhor Animação: Lúmen, de Willian Salvador
Melhor Vídeo Nacional (Júri Popular): Suzi Brasil - A Deusa da Penha Circular, de Renata Than
Melhor Vídeo Nacional (Júri Técnico): Amanda e Monick, de André da Costa Pinto
Os principais destaques do 31º Festival Guarnicê de Cinema
Melhor Filme nacional (Júri técnico e Júri Popular)
Dez Centavos, de Cezar Fernando de Oliveira
Sinopse: O filme narra o dia de trabalho de um garoto como guardador de carros em Salvador. Um garoto pobre, que se vira pelas ruas do Carmo olhando e lavando carros. Entre as angústias do jovem, uma em especial: não se tornar um caloteiro e pagar suas dívidas de 10 centavos honestamente. O menino não sossegará enquanto não sanar o débito, que se torna moral justamente pela ninharia que representa.

Melhor Filme Maranhense (Júri Técnico)
O Incompreendido, de Francisco Colombo
Sinopse: A história de um menino que trabalha em um semáforo, como tantos outros, limpando pára-brisas e adora carros. Para ele, a realização de um sonho não tem preço.

Melhor Filme Maranhense (Júri Popular)
Ódio, de Breno Ferreira
Sinopse: Narra a história trágica de um jovem que amava o ódio e acabou sucumbindo no paroxismo desse paradoxo.
Melhor Vídeo Nacional (Júri Técnico)
Amanda e Monick, de André da Costa Pinto
Sinopse: Aborda a vida de travestis do Cariri paraibano e uma possibilidade de quebra do preconceito à sociedade, mostrando que o que vale em qualquer relacionamento é a felicidade.

Melhor Vídeo Nacional (Júri Popular)
Suzi Brasil - A Deusa da Penha Circular, de Renata Than
Sinopse: Suzy Brasil, a drag queen que hipnotiza platéias com seus shows em boates no Rio de Janeiro. Marcelo, o pacato professor de biologia do ensino médio. Ambos moradores da Penha Circular, coincidência?
Melhor Vídeo Maranhense (Júri Técnico)
Canoa de Um Pau Roxo, de Gabriela Mochel Piccolo e Alberto Greciano
Sinopse: Em uma aldeia às margens do rio Munim, no Maranhão, as mãos habilidosas de um artesão transformam o tronco de uma árvore em uma canoa rústica que trará o transporte e sustento para sua família. Trata-se de uma arte ou um simples trabalho de artesanato?

Melhor Vídeo Maranhense (Júri Popular)
Pelo Ouvido, de Joaquim Haickel
Sinopse: Depois de uma tentativa de assalto e de um grave acidente automobilístico com Charlie, seu marido, Keyt tenta preservar, em meio a perdas irreparáveis, o lado apaixonado da sua relação. Tenta reconstruir e manter seu relacionamento através de diversas situações que ela cria para atenuar o silêncio que se instaura e reafirmar sua paixão pelo marido.
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