Data de Publicação: 30 de julho de 2008
Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, onde morreu a 29 de setembro de 1908. O nome cartorial e de batismo do cidadão foi Joaquim Maria Machado de Assis, cujo Centenário de Morte sinaliza para a sobrevivência de um escritor muito vivo na memória de quantos leram a obra literária do escritor Machado de Assis, nome artístico que o mesmo adotou para assinar seus romances, contos, crônicas, crítica, ensaios e poemas.
A importância da obra romanesca e contística de Machado de Assis aflora de um estilo que se firmou em razão de algumas singularidades, entre elas a fina ironia, os capítulos e períodos curtos, o narrador-protagonista na primeira pessoa com aparente intimismo de obra autobiográfica sem o ser, o diálogo com o leitor, a releitura com desconstrução e um olhar psicológico sobre personagens que se expõem sem se macularem naquela parte que têm de mais privativo e pessoal, guardado sob sete chaves, como um privilégio exclusivo e inexpugnável da essência dos seres, que têm o direito de morrerem e levarem consigo, para as tumbas, seus enigmas, sem os revelar.
Autor de romances consagrados tanto no panorama nacional, quanto internacional, para celebrar-se o Centenário de Morte de um cidadão, que foi e continua sendo um escritor tão especial, foram convidados dois outros escritores também especiais, Ricardo Leão e Antonio Aílton, para darem início a esta homenagem que ora a Equipe Guesa presta àquele que foi, sem dúvida, e permanece sendo, um dos mais inovadores escritores brasileiros na arte da narrativa, tendo, inclusive, introduzido na prosa brasileira a técnica da prosa descontínua, com flash-back, progressões, digressões e intersecções ou interpolações.
Ricardo Leão assina o ensaio crítico Um Otelo Brasileiro: leituras e interpretações, em que defende uma tese ou cânone de um romance machadiano, cujo psicologismo se fundamenta na estrutura social de época, a partir de uma introdução contextual. Sem dúvida é uma nova maneira de perceber o universo da psiquê dos personagens do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Antonio Aílton, com Machado de Assis, o herói pusilânime e a crítica perna-de-pau, assume uma postura crítica polêmica contra o crítico Domingos Pellegrini tão convincente, no tocante ao que este postula sobre o autor do romance Dom Casmurro, que os estatutos argumentativos por si dão ao jovem professor e escritor maranhense os créditos de quem de fato conhece a obra machadiana, conseguindo situá-la no contexto da crítica nacional e internacional, em que hoje se insere como prosa de gênio e arte.
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