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Edição 180

Editorial

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Data de Publicação: 2 de julho de 2008
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Tecer comentários sobre o discurso literário e dialético do Padre Antônio Vieira não constitui tarefa exaustiva, já que o orador sacro trabalhou a argumentação com o desassombro dos grandes escritores satíricos, como uma reencarnação de nomes indispensáveis como Luciano de Samosatra e Rabelais. Isto sem esquecer a força alegórica, o requinte, o rebuscamento ornamental de uma linguagem conceptista que transpôs os limites do século em que viveu, projetando-se, como ícone e arquétipo de leitura imprescindível para os séculos que se seguiram a sua existência, no estilo da modernidade mais conseqüente.

O Padre Antônio Vieira é uma referência exemplar quando o assunto é o estilo Barroco, em grande estilo, conforme se diz sobre aqueles exponenciais que atingiram o ápice ou apogeu da escritura de uma época. Bem comparou os seus Sermões à obra do escultor mineiro O Aleijadinho, um dos articulistas desta edição Guesa Errante, o saudoso professor, ensaísta e sobretudo crítico literário, Franklin de Oliveira, no texto Ideologia do Padre Vieira, capítulo da obra A Dança das Letras, sem dúvida um texto que elucida a questão dúbia que até então pairava sobre os estudiosos do sermonista, demonstrando transparentemente o caráter equivocado de algumas concepções, entre elas a do escritor Ivan Lins, dessacralizando-o e fazendo jus às colocações de Otton Maria Carpeaux que, segundo Oliveira, foi o primeiro a analisá-lo de um ponto de vista da teoria e crítica literária. É pertinente lembrar aqui e em tempo que nem sempre aqueles que se declaram conhecedores da vida e da obra do padre Antônio Vieira o entenderam bem, ou então não leram o Sermão aos Peixes ou se bem o leram, bem não o entenderam, pois que, ao invés de caçarem os grandes peixes ou tubarões ou caçarem a si mesmos, continuam caçando os pequeninos peixes e pior, covardemente, temerariamente, sem considerarem que podem acabar cassados. Seria melhor lerem com atenção o que Franklin de Oliveira diz sobre tal procedimento equivocado.

Também o texto do professor e escritor Ricardo Leão, Vieira no Reino da Mentira, nos impõe um novo olhar sobre o porquê de o pregador parecer tão pessimista sobre o “maranhense”, ao tratar de uma índole inclinada à preguiça, à corrupção e à cobiça.

Vale ler A Trilogia da Estética Perdida, análise que o poeta Bioque Mesito faz sobre o cinema atual, como pretexto para dar relevância à obra cinematográfica de Jean-Luc Godard, um dos mais geniais criadores da arte cênica na panorâmica e contexto do cinema contemporâneo.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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