Data de Publicação: 4 de junho de 2008
O encontro de dois poetas, Luís Augusto Cassas e Marco Lucchesi com a cultura maranhense marcará de maneira especial, neste final de semana, mais uma etapa das comemorações do Centenário de Fundação da Academia Maranhense de Letras.
Cassas, amanhã, dia 5 de junho de 2008, Dia Mundial do Meio Ambiente, estará lançando a obra Evangelho dos Peixes para a Ceia de Aquário, na Academia Maranhense de Letras, às 20 horas. A noite de autógrafos será precedida por palestra do professor e escritor Marco Lucchesi, sobre a poética de Cassas. E, no dia, 06, amanhã, Marco Lucchesi falará sobre A Divina Comédia e os Olhos de Beatriz, e fará o lançamento dos livros Memórias de Ulisses (ensaio) e Meridiano Celeste (poesia), também na Academia Maranhense de Letras, às 20 horas.
É preciso lembrar que os dois poetas têm um propósito definido ao trabalharem com as palavras no cerne da criação literária: a escolha de vocabulário simples, o que demonstra que sabem que, por exemplo, o signo ouro pode ser apenas uma questão de nomenclatura ou circunstância.
Quando os alquimistas se propuseram fundir ferro em ouro tinham como objetivo poder, riqueza e dominação. Não conseguiram. Estavam presos a uma mera questão de nomenclatura.
Os artistas, poetas, pintores, escultores, músicos, cineastas conseguem transmutar palavras, notas musicais e imagens em poesia, quer dizer latão em ouro, tela de pano e madeira em tesouro, imagens em mina da Última Flor do Lácio. Assim, Cassas e Lucchesi demonstram que o importante não é a palavra rara, mas o significado especial para a palavra simples.
Quem já não ouviu expressões como: “esse pobre artesão tem mãos de ouro!”, ou tomando a expressão relativa a Midas para os poetas, “tudo que eles tocam vira ouro”. E quem nunca ouviu expressões como “essa tela de Van Gogh vale ouro”, ou mesmo, “essa menina tem o coração de ouro”. Sem dúvida, há certos anônimos artesãos que são capazes de imprimir tanta alma às efígies que as réplicas superam o original. Daí, o público exclamar, “obra de mestre, esse latão vale ouro”.
O importante em poesia é fazer com que latão passe à categoria de ouro e ouro não continue sendo o que leva as pessoas à desgraça, para demonstrar o paradoxo da correspondência dos opostos. Na guerra, acabam-se os preconceitos e as barreiras sociais e o valor de um pedaço de pão ou de um aperto de mão é ilimitado. Aí até as palavras são desnecessárias e a poesia se cumpre através do silêncio no intervalo da morte.
É isso que os dois poetas discutem: o valor humano, a união dos opostos, coração, tela, latão, flor, olhos significando ouro. Sim, ceia e comunhão, bênção e perdão, redenção e renascimento universal, entendido o que significa no Pai-Nosso, “assim como nós perdoamos os que nos ofendem”. Afinal, foi Cristo que propôs “Amai os vossos inimigos”.
- Próximo texto:
- Edição 178 CASSAS & LUCCHESI: Tudo que eles tocam vira ou(t)ro
- Índice da edição - Últimas Edições