Data de Publicação: 7 de maio de 2008
Manoel Santos NetoJ. EWERTON NETO
Com seis livros publicados – e duas reedições – o escritor J. Ewerton Neto está se preparando para dar uma guinada em sua vida. Ele trabalhou durante 25 anos na área da engenharia metalúrgica e agora está deixando a profissão, porque acaba de se aposentar. Daqui por diante, tem o projeto de se dedicar com exclusividade e mais afinco à carreira literária. Para quem não sabe, J. Ewerton Neto é um dos autores mais premiados da literatura contemporânea do Maranhão.
Maranhense de Guimarães, ele teve sua estréia no mundo literário em 1980, com o livro de poesias Estátua da Noite, publicado pelo antigo Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge).
Após um longo período ausente do Maranhão – por força de suas atividades profissionais no ramo da engenharia —, Ewerton regressou a São Luís e retomou a carreira literária com a publicação, em 1992, do livro O Prazer de Matar, premiado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secma) e editado pelo Sioge. Muito elogiado pela crítica literária, o livro foi reeditado pela editora Revan com um novo título: O Ofício de Matar, em 1999, ocasião em que foi citado e recomendado pela imprensa do Sul do País, através de periódicos como Prosa e Verso, do jornal O Globo, Idéias, do Jornal do Brasil, e revista Bravo.

J. Ewerton Neto também é autor do livro O Menino que Via o Além (1997) – vencedor do prêmio de contos da Fundação Municipal de Cultura (Func) – depois reeditado pela editora Escrituras, de São Paulo, ocasião em que foi considerado pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil como altamente recomendável para leitura e para a formação escolar.
Após uma pausa de mais de cinco anos, o escritor maranhense prepara-se para realizar, em 2008, o lançamento de dois livros inéditos: O Infinito em Minhas Mãos, obra premiada na categoria romance do Plano Editorial Secma 2007 (Prêmio Gonçalves Dias de Literatura), e Ei, você conhece Alexander Guaracy?, que recebeu o Prêmio Odylo Costa, filho (contos) do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, promovido pela Fundação Municipal de Cultura.
Dentre as demais obras do autor, todas premiadas: o livro de poesias Cidade Aritmética (Prêmio Sousandrade da Func, em 1996); o romance A Ânsia do Prazer (também premiado pela Func em 1995, e A Morte dos Mamonas Assassinas e Outros Contos (premiado pelo Plano Editorial Secma versão 1997-1998).
Aos 53 anos de idade, J. Ewerton Neto, além de poeta e romancista, gosta de escrever crônicas sobre flagrantes do cotidiano. Da mesma forma, ele redige artigos que publica na imprensa costumeiramente aos domingos, também explorando o lado cômico de fatos do dia-a-dia. Para esta reportagem do suplemento Guesa Errante, J. Ewerton Neto concedeu a entrevista que segue abaixo, discorrendo sua vida e sobre suas obras:
Guesa Errante – Quando começaste a publicar artigos na imprensa de São Luís?J. Ewerton Neto – Esporadicamente comecei em O Imparcial quando retornei a São Luis, há 17 anos. Regularmente no O Estado do Maranhão, há mais de 10 anos e, semanalmente, aos domingos, há mais ou menos cinco anos.
G.E - Com tantos prêmios já conquistados, por que tens agora a pretensão de disputar uma vaga na Academia Maranhense de Letras? J.E.N. – Trata-se de um objetivo natural da carreira de um escritor, apesar das controvérsias que questionam o mérito exclusivamente literário dos que chegam lá. É um orgulho reservado a poucos e, não só por isso, como também pela presença de pessoas ilustres que dela participam ou que dela já participaram, revestido de simbologia.
Além disso, seria uma espécie de retribuição, em matéria de satisfação ao esforço dos meus pais, na minha criação e formação, extensiva a familiares e amigos. Acho que está chegando a hora de disputar um lugar até mesmo porque sei de alguns amigos da Academia que gostariam de me ver por lá.
G.E. - Qual dos teus livros te dá mais prazer, orgulho ou satisfação?J.E.N. – Hoje todos dão, mas na época da elaboração e divulgação foi O Prazer de Matar (depois O Oficio de matar) por ter sido o primeiro a ser premiado, como também por ter se iniciado, através dele, o reconhecimento de meu trabalho literário.
G.E. – Como avalias o atual panorama da literatura maranhense? J.E.N. – Há muita dispersão e grande dificuldade de penetração junto aos leitores porque surpreendentemente, apesar do título de Atenas Brasileira, os maranhenses pouco lêem, aliás, menos ainda do que em outros estados, como os do Sul. Isso num país em que o índice de leitura já é fraco em relação ao de outros países. Com isso, os escritores radicados aqui não se consolidam e não conseguem penetrar nas escolas e universidades, onde parece haver uma certa má-vontade (preconceito) em relação aos escritores daqui.
Um livro como O menino o que via o além, que foi divulgado em todo o país e recebeu a chancela da Fundação Nacional do Livro, jamais foi adotado por uma escola daqui, apesar de oferecido a algumas. Na hora da escolha, penso que os coordenadores dos cursos preferem escolher nomes consagrados como forma de promoverem o currículo da escola, através dos mesmos, ainda que o mundo descrito pela maioria desses escritores já não faça parte do cotidiano de seus alunos.
No entanto, vejo com satisfação a preocupação do poder público com a literatura e, conseqüentemente, com a melhoria da formação do seu povo. Eventos como a primeira grande feira do livro; a manutenção do concurso da Func; e a reedição do concurso da Secretaria de Cultura mostram a predisposição das autoridades em incentivar a literatura. Com isso, alguns bons autores relativamente novos como Geraldo Iensen e Wilson Marques se consolidam e outros começam a despontar, especialmente na poesia.
G.E. - Quais são os autores de tua predileção? J.E.N. – Gosto de Manuel Bandeira, Miguel de Cervantes e seu incomparável Don Quixote; de John Fante e seu Pergunte ao Pó; de Emily Bronte e seu O Morro dos ventos uivantes, enfim autores que não partem para a obra literária com algum tipo de predisposição em relação à técnica literária, mas que fazem da simplicidade, talento e imaginação o segredo da universalidade e atemporal idade de suas obras.
Utilizar deliberadamente algum tipo de artifício, como Guimarães Rosa e Manuel de Barros, que inventam palavras, ou Dalton Trevisan que busca no conto a precisão do hai-kai, segundo suas palavras (sem evidentemente, conseguir), faz diminuir o meu prazer literário e pessoal diante da obra, embora lhes reconheça o talento e não ouse questionar o gosto pessoal dos críticos que os louvam, incondicionalmente, por causa disso.
G.E. - Quais os planos, a partir de agora, para tua carreira literária?J.E.N. – Continuar escrevendo e divulgando cada vez mais meus trabalhos, aprimorá-los a ponto de agradar críticos e, principalmente, os leitores, pois ninguém escreve apenas para si ou para os intelectuais. Para este ano, como já disse, tenho dois livros a serem lançados e, ainda, uma possível reedição de A Ânsia do Prazer que está sendo submetida à apreciação de duas editoras de São Paulo.
Para o futuro pretendo sair um pouco da área dos romances exclusivamente de ficção para a elaboração de livros com conteúdo informativo e de formação, talvez com algum tipo de ficção mesclada à realidade cotidiana. Pretendo também fazer uma edição com a seleção das minhas melhores crônicas já publicadas.
G.E. - Se fosse o caso de fazer uma autodefinição, quem é J. Ewerton Neto? J.E.N. – Alguém que vulgarmente gosta muito de ler e de assistir a um bom futebol e que tenta sobreviver tendo adquirido a certeza de que, como disse alguém, a única obrigação do ser vivo diante das vitórias e adversidades é dar sempre um passo à frente, um passo, por menor que seja. E que, no que sobra disso, talvez seja alguém que ao tentar conhecer mais do mundo, através de seus livros busque conhecer um pouco mais de si, da esperança, da ilusão e do sonho.
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