Data de Publicação: 7 de maio de 2008
Lendo-se os textos dos poetas do grupo geracional maranhense dos anos 90, do século XX aos dias atuais, selecionados pelo professor e escritor Ricardo Leão, percebe-se que eles, como escritores engajados em um grupamento, como o grupo Carranca, têm em comum uma leitura bastante peculiar de poemas que representaram/representam as melhores conquistas das vanguardas que gravitaram/gravitam no Brasil e, também, no Exterior, da segunda metade do século XIX aos textos contemporâneos. Cada um, é claro, seguindo sua própria rota em busca de autenticidade.
Poetas como Mauro Ciro Falcão, Josoaldo Lima Rego, Hagamenon de Jesus, Eduardo Júlio, Geraldo Iensen, Nilson Campos, Nilsen Costa, Jorgeana Braga, César William, Ricardo Leão, Dylson Júnior, Couto Corrêa Filho têm marcas peculiaríssimas que os distinguem como portadores de linguagens poéticas que dialogam, às vezes, com a poética que se entende como aquela que inequivocamente representa as marcas do texto de vanguarda da segunda metade do século XX e início do Terceiro Milênio.
Em confluência com poetas inovadores, rebeldes ou malditos, essa geração de poetas maranhenses deve ser levada em conta por público e crítica, tomando-se por base o caminho que cada um percorre, a partir de um denominador comum de leituras.
Composta na maioria por poetas ainda inéditos, lendo-os pode-se de já visualizar a seriedade da proposta de cada um, com suas peculiaridades, inovações, acenando para o agora e para o futuro com projetos poéticos que devem ser pinçados pelo que apresentam de autenticidade. Naturalmente boa parte desses poetas causa estranhamento porque seus textos têm um tom de obra literária que busca ser desenraizada e desfamiliarizada. Confira-se, na prática, nesta edição, nas páginas 2 e 3, parte da Antologia organizada pelo poeta Ricardo Leão.
Tem a assinatura do jornalista e escritor Manoel Santos Neto o texto da página 4, um ensaio sobre a vida e a obra do poeta e romancista maranhense J. Ewerton, um dos escritores que também se inclui entre os da literatura brasileira contemporânea, com um currículo de premiações que faz jus ao corpus de sua obra em prosa.
A proposta de J. Ewerton tem a ver com a linguagem mais conseqüente da novelística brasileira, levando-se em conta Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca.
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