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Edição 175

Antologia da jovem poesia e literatura maranhenses

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Data de Publicação: 23 de abril de 2008
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? DYL PIRES

PLANGER

na cor acesa
do inexpressivo

concebo um coração

de curvas

póstumas

saciando o despedaçado sentido

entranhado

entre dois

corpos

um impulso secreto

no cego pulsar

busca na face noviça

o ancoradouro das máscaras dos séculos

línguas de fogo crepitando
na boca
íntima

do mistério se penetram

algemadas no próprio espanto

na cor acesa

do inexpressivo

os olhos

são um belo par de murmúrios

revelando
o avesso fundo da criatura

a carne prenhe de uma sina obscura

(Círculo das Pálpebras, Edições FUNC, 1999)

DA VELHICE

A breve infância sempre foi

Um inaugural coice de espanto e prazer

Agora retorna como o cavalo manco da eternidade

(O Perdedor de Tempo, inédito, 2007)

DO DESASSOSSEGO

Há dias em que o desassossego

É um enigma insuspeito

Sorrateiramente esticando-se

Na agoniada noite da carne

(O Perdedor de Tempo, inédito, 2007)

? ROSEMARY RÊGO

PEDRAS


A dor que me lambe os ossos

Já não é mais como a agonia dos loucos,

Já não é mais como a solidão das pedras.

A dor que me lambe os ossos

Agora é como a geografia dos corpos

Que se enroscam e se encaixam na célebre

Canção dos dias.

A dor que me lambe os ossos é como o suor

do espírito, como a carne que surge do amanhecer

A dor que me lambe os ossos é como o gozo

atormentado de ser poeta

A dor que me lambe os ossos agora é feita: sss de pedra e cal

(Coletânea Poética dos Festivais Maranhenses de Poesia Falada, DAC, 2000)

POEMA PARA SÃO LUÍS

A cidade repousa os braços do final da tarde

o alarido crepuscular encandesce segredos

de mirantes e casarios.

(A moinha existência está na cidade)

O mar mesmo que absorto eterniza meus dias

nas pálpebras da cidade.

Os ossos flamejam na eternidade das ladeiras,

despertam na noite a vaga lembrança da cidade que

vivera sob a égide das putas.

A cidade ainda que nova, é velha ante o sorriso

do tempo.

O ócio da cidade esconde-se por entre casarões

e ruínas.

Ergue-se em mim a cidade

e desvirgina-se no tempo a cidade.

(Coletânea Poética dos Festivais Maranhenses de Poesia Falada, DAC, 2000)

ESPERA

A sala em penumbra não cabe dentro da alma

o papel exposto sobre a pequena mesa de cedro

espera o poema que não deseja sair precocemente.

A máquina absorta no canto do quarto há muito

não abre os dentes há tempo a poesia não chega.

A máquina no canto do quarto é tácita,

é como se estivesse velando um cadáver de noventa anos.

(O ergástulo gozo da palavra, Edição do autor, 2004)

? ANTONIO AÍLTON

TELÚRICO


eu quero o anjo
não o anjo-rinoceronte

nem o anjo das coisas

eu quero a anja

eu quero o anjo
não o anjo psicodélico

que repousa

no lado escuro da lua,

o anjo lilás no sobejo do defunto...

eu quero o anjo tão delicado quanto possa
agarrá-lo

eu quero o anjo recolhido dos crisântemos

durante o sono do céu:

nada me toca mais que a ternura do orvalho

nas asas do anjo

eu quero o anjo

não o anjo-qualquer, seduzido ao
descuido,

nem o Anjo Branco – Deus o tenha! Quero

A ANJA

(que voe nas profundezas do inferno da minha boca)

eu quero o

Anjo-anja

que pulsa

na eternidade volátil
- a mulher

(As habitações do Minotauro, Edições FUNC, 2000)

DELIRIUM TREMENS

horrível tendência para o sono

nada é quieto ao sono de quem vive

o mar eternamente varrendo o sono

está sempre suspeitando o próprio verde

longo caminho que me leva à tempestade

um destino se imagina dono de meus pés

não tenho força alguma dentro de minha alma

(mar de estranho verde que teima em derramar)

luvas lavradas em impuras lavras

pesam demais no horizonte do vento

é noite de tempestade e eu a obedeço

tão elementar quanto a agulha

na ferida

- do cego

nada poderá deter meu envelhecimento

ninguém suspeitará de minha voluntariedade

aproveitarei este momento

em que tudo cai de uma ponte

para dormir nas folhas verdes do meu poema

(As habitações do Minotauro, Edições FUNC, 2000)

? BIOQUE MESITO

A PENÚLTIMA CASA


1.eu não lerei o último

poema meu

talvez seja anacrônico

ou até mesmo contrabandista

2.terá por certo a perfeita alusão

de mim

sem me desvendar

3.cicatrizes no peito

olhos bem espantados

2,20 m de curiosidade

4.suave como borboletas

no cio

metade eterno por todo tempo

metade orgasmo por insatisfeito

(A inconstante órbita dos extremos, Editora Cone Sul, 2001)

ANTOLÓGICO

não naufrago

em poemas sadios

minhas mãos

mulheres são

suadas pelo ferro

do silêcio

(A inconstante órbita dos extremos, Editora Cone Sul, 2001)
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