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Edição 174

Editorial

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Data de Publicação: 9 de abril de 2008
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Acredita-se que, para se fazer uma crítica desa paixonada sobre as traduções de Odorico Mendes, é imprescindível que, pelo menos, se faça uma leitura lingüística, de preferência filológica, para se chegar às escalas fonéticas das transcriações que o escritor maranhense empreendeu de maneira exemplar.

A riqueza da engenharia aliterativa por si só seria assunto de estudo para uma tese de mestrado ou doutorado. Sem falar na prodigalidade de outra fonte estética que envolve principalmente a metalinguagem, no tocante à criação de palavras ou neologismos – palavras compósitas, port-manteau: polilingüismos e polissemias, sem falar nas escalas fonéticas de suas transcriações.

Na realidade, nem os poetas contemporâneos de Odorico Mendes tiveram o privilégio de aproveitarem das aulas do mestre de alegorias, onomatopéias, cavalgamentos e, sobretudo, aliterações. Nesse campo da estilística, havia uma verdadeira pobreza imagética na Literatura Brasileira.

Infelizmente, fica-se por aqui, esperando que nas Universidades, mormente nas faculdades de Letras, se amplie o leque apenas entreaberto por este Suplemento.

Odorico Mendes, preservando a circularidade dos poemas que traduziu, pontuou uma criação irretorquível, dialogando com o passado, o presente e o futuro.

Assim ele aponta e arremete para várias vertentes da modernidade, com um olhar pós-moderno que poucos puderam perceber, exceções para Sousândrade, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, dentre poucos.

Esta edição se acresce com a colaboração da professora e escritora Dinacy Correa, cujo trabalho memorialístico sobre os artistas maranhenses anônimos apresenta um prisma pioneiro e desbravador. No atual texto, ela desvenda a vida e a obra do escritor arariense Augusto César dos Reis Rayol, um maranhense erudito contemporâneo dos escritores do Grupo Maranhense, em que se incluíram Gonçalves Dias, João Lisboa, Odorico Mendes e Henriques Leal.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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