Data de Publicação: 29 de maio de 2007
Antônio Almeida, natural de Barra do Corda, notabilizou-se como um dos maiores artistas plásticos do MaranhãoNatural de Barra do Corda, onde nasceu no dia 27 de maio de 1922, Antônio Almeida viveu a infância e a juventude principalmente em sua terra natal, onde estudou até o 2º ano primário, fez suas primeiras leituras – de Castro Alves a Camões – e se impressionou vendo alguém pintar um retrato, ou diante das reproduções de obras de Cézanne, Van Gogh e Matisse.
Filho de lavradores – o cearense Raimundo Almeida e a piauiense Catarina Alves Almeida –, o grande artista plástico maranhense, com seus pais, trabalhou a terra e perambulou por vários lugares. Ele confessa que sempre gostou de pintar cenas comuns de homens do campo. “Fui criado na roça”, afirma ele, reconhecendo que sempre busca na figura campestre quer em meio a cenários ou isoladamente o seu tema predileto, que é o homem do campo, o trabalhador que, com suas mãos lentas, fecunda o ventre enxuto da terra, que devora ao sol o coração dos homens.
Em suas reminiscências, Almeida lembra que, em 1944, decidiu, por conta própria, vir para São Luís, parando em Pedreiras, onde conheceu o comerciante José Lago, tornou-se amigo dele, recebendo seu apoio e auxílio após ter-lhe feito o retrato. Ainda em Pedreiras, realizou num botequim sua primeira exposição com caricaturas dos fregueses. Continuou sua viagem, partindo em seguida para Coroatá e de lá “metido em terno de caroá, comprado de segunda mão, cheio de buracos”, pegou um trem e desembarcou em São Luís, indo hospedar-se numa “espelunca” cheia de pulgas e baratas”, na Rua do Ribeirão.
De acordo com o artista plástico Amâncio Aquino, que se tornou uma espécie de biógrafo do pintor, o principal significado da vinda de Almeida a São Luís “era basicamente a necessidade da própria independência, sua afirmação e desejo de encontrar verdades no meio intelectual, para que pudesse expressar os seus sentimentos, adequando-os à sua personalidade, consciente de seu trabalho, tamanho que era e ainda é sua paixão pela arte”.
Por esta época, conheceu os pintores Telésforo de Moraes Rego e Newton Pavão, que o acolheram e o incentivaram. Graças ao estímulo de Telésforo, participou de uma exposição coletiva realizada na antiga Faculdade de Direito, na esquina da Rua da Paz com a Rua 13 de Maio, com trabalhos que chamaram a atenção de muitos, inclusive do interventor federal no Estado, Paulo Ramos, que o convidou ao Palácio dos Leões, deu-lhe uma ajuda financeira e um emprego modesto no Estado (porteiro do recém-criado Departamento da Criança).
“Do amigo Telésforo, recebi estímulo e algumas bisnagas de tinta, com a recomendação e insistência de pintar o retrato do então interventor Paulo Ramos – o que fiz sobre uma tábua de caixote conseguida num armazém da Praia Grande. Nessa época, desenhei também a crayon os retratos de um cunhado do interventor e o de Manoel Sobrinho que foi quem me apresentou aos intelectuais desta cidade”.
Além de porteiro do Departamento da Criança, Almeida trabalhou na Colônia Nina Rodrigues, de onde foi transferido para a Secretaria de Saúde do Estado, e daí para a antiga Sudema, sendo depois lotado na Secretaria da Fazenda, de onde saiu aposentado.
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