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Edição 156

O Fio-da-Meada & o labirinto

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Data de Publicação: 11 de julho de 2007
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(ou A língua/agem velada ou cifrada do amor)

Comentário sobre Palavra de Amador

Ao ler este poema, esteja atento para o sentido figurado. Seja um decifrador de alegorias. Aqui, as palavras não podem ser tomadas ao pé-da-letra, sob pena de passar batido sobre os labirintos do texto. Há sempre um significado especial na linguagem literária. E toda imagética pródiga exige abundância de metáforas, paradoxos, aliterações, sinestesias. Assim, desde o título, percebe-se o uso do sentido por contigüidade e similaridade: amador, principiante; ou amador, aquele ama, entende e conhece a arte de amar.

Sublinhemos palavras e expressões que estão em sentido metafórico: isso fere tua lira, toco na ferida; toco, ferida; destravo as trancas proibidas; atrever, boca sem saída; onde vão dar, dentro de um fogo, que é dos mortais dentro desse fogo, que arde em paz; risco no teu olhar; mira louca: arriscar beijo que vicia; tiro à queima-roupa; adentrar na chama que não míngua; inflama o que falou, dobra a língua pra não queimar no amor.

São palavras, expressões e frases em que devemos captar o sentido figurado ou especial. Nada aqui está em sentido comum. Por exemplo, risco não significa traço, mas perigo, por causa do desvelamento da imagem e da intenção do olhar.

Fere a tua lira é uma alusão não ao ato de ferir, no sentido de dedilhar o instrumento de cordas, mas ao desejo que o amador tem de saber sobre a aprovação da pessoa amada, quando foi tocada na ferida, que é a lira.

Bem tecido, sem dúvida, este poema sobre o ato de fazer amor, dentro de uma concepção existencialista do carpe dien, quando é permitido a exaustão de todos os sentidos, porque no amor, Amor Natural, como diria Carlos Drummond de Andrade, tudo é permitido.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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