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Edição 170

João Mohana: entre o escritor & o sacerdote

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Data de Publicação: 13 de fevereiro de 2008
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O Mistério da Palavra

A entrevista, a seguir, compõe-se de perguntas e respostas selecionadas por Arlete Nogueira da Cruz Machado, das inúmeras concedidas por João Mohana a jornalistas de diversos Estados brasileiros, em vários instantes de sua peregrinação. Nela, o autor de Plenitude Humana fala de seus livros, de suas preferências, de política, de sua fé em Deus e nos homens, podendo dar-nos a idéia da coerência em que se manteve para exercer o ministério da palavra escrita e falada, opção que fez um dia, em nome de Deus e em função dos homens, e que transformou em finalidade de sua vida.

JORNAL DO DIA
(Porto Alegre, 25/10/55)

JD - Que atividades deixou no Maranhão para vir ser padre no Rio Grande do Sul?

JM – Atividades médicas: era pediatra do Departamento Estadual da Criança, educador sanitário da Campanha Nacional de Educação Rural junto à Missão Intermunicipal Rural Arquidiocesana e exercia a clínica particular em São Luís. Atividades artísticas: escrevia meus livros. Atividades apostólicas: todo o trabalho de militante da Ação Católica.

JD - Como presidente arquidiocesano da Ação Católica do Maranhão, como deixou o movimento leigo por lá?

JM - Multiplicando raízes e produzindo frutos. Dom Delgado, Arcebispo do Maranhão, foi quem meteu a broca e começou a quebrar as resistências do laicato. Isso se deu com a reestruturação da A.C. por ele decretada em começo de 1953. Daí em diante, os leigos pegamos a pua (conhecem aqui a expressão?) e travou-se consciente e organizadamente o bom combate. Acenderam-se duzentos fósforos na cidade e a escuridão virou penumbra. O Maranhão está hoje em plena madrugada espiritual. Quando Deus permitir e entender que nossa vigília merece o sol, mandará nosso dia apostólico.

Nossa vigília lá é intensa de atividade, sempre agarrados atentamente ao báculo do Bispo. Assim é que, com a aprovação e bênção dele, os Setores realizaram um inquérito global em torno de todas as necessidades humanas dos diversos meios - não só das necessidades religiosas - para podermos diagnosticar os problemas de base e lançar um planejamento que não cortasse o maranhense em pedaços ou só no pedaço religioso. Tem sido um trabalho realista e belo, atendendo aos chamados desejos fundamentais do homem. Daí surgiram os nossos movimentos religiosos, teatrais, cinematográficos, musicais, esportivos, educacionais, econômicos, recreativos etc. Articulamo-nos com as várias entidades locais e dessa honesta simbiose saem surpresas que fazem bem a todos na comunidade, cristãos e não cristãos. Por exemplo, lembro-me que está programado para maio próximo um Seminário de Arte realizado pela Ação Católica, com a Sociedade de Cultura Artística do Maranhão, no nosso Retiro Pirapora. Pascoal Carlos Magno, que conheceu Pirapora no mês passado, poderia dizer o que é o Movimento de Teatro Moderno da Ação Católica no Maranhão. Lideramos o amadorismo teatral. Como apostolado essencialmente religioso quero referir-me somente à grande campanha de recitação da missa dominical. Cada domingo, em todas as paróquias, os fiéis recitam, animados pelos militantes da A.C., uma missa. O resultado desse trabalho é que desapareceu a multidão ociosa e anedoteira de rapazes que assitiam à missa na porta da Igreja. Mas, basta. Foi demais até. Poderia parecer que vim ao Sul fazer propaganda do Norte.

JD - Acha que deu um grande passo ao se decidir pelo sacerdócio?

JM - Grande, em que sentido? Subjetivamente não nutro ilusões. Encaro minha vocação como encarei o lançamento de um livro, por exemplo. Não acho que um bom gesto possa ser o centro do sistema solar. Bom, só Deus e os gestos de Deus. Toda bondade sai dele e continua a depender dele, mesmo quando não nos transformamos em seu receptáculo. Não fui eu que o escolhi (se fosse, poderia sentir a vaidade de um palpite iluminado), foi Ele que me tirou da prateleira (foi quem me pôs lá também) e disse: vou encher de graças este vidro humano. Os outros ficaram na prateleira iguais a mim (o que não me envaidece) ou melhores do que eu (o que me humilha). Quantos não fariam melhor gestão com os dons que recebi para administrar. Só há motivo para vergonha quando se compara o que se recebeu com o que se produz. É uma lástima. Fico aterrado por dentro, a desfeito de sorrir por fora, quando algumas pessoas (embora bem intencionadas) acham meu gesto um fenômeno que exige um auditório disposto. Não sabem o que se passa depois do sétimo véu, lá onde minha alma está de olhos baixos.

O escritor João Mohana em noite de autógrafos

DIÁRIO DA MANHÃ
(São Luís, 01/09/63, entrevista concedida ao jornalista, professor e escritor Sebastião Jorge)

SJ - Como analisa o paralelo existente entre ser médico e ser sacerdote?

JM - Costumam dizer que ser médico e padre é ser duas vezes sacerdote. Não penso assim. Porque não considero a medicina um sacerdócio. É uma profissão sublime. Nada mais que isso. Sacerdócio só há um. Esse que se interpõe entre os homens e Deus, entre Deus e os homens. Mas não há dúvida de que a cultura e práticas médicas, no coração de um padre, são um incomensurável equipamento para a bondade gratuita.

SJ - Como julgaria uma pessoa?

JM - Não julgo ninguém, nem mesmo no confessionário, onde perdôo porque a própria pessoa é quem se confessa culpada. Contudo, sempre que preciso de critérios objetivos para agir, procuro olhar primeiro a bondade que existe até mesmo nos frutos podres.

SJ - Quais as qualidades que julga fundamentais num escritor?

JM - Talento, clareza, audácia, disciplina, honestidade.

SJ - Que planos tem para o futuro?

JM - Dedicar-me inteiramente ao ministério da palavra escrita e falada.

JORNAL DO MARANHÃO
(São Luís, 12/04/70, entrevista concedida à escritora Arlete Nogueira da Cruz)

ANC - Acha que a Igreja está ligada a uma estrutura capitalista ou é livre para apoiar qualquer movimento de libertação?

JM - No passado, a Igreja aparecia como um bloco monolítico. Era correto olhá-la como um instrumento do capitalismo. Hoje o que existe na Igreja é um pluralismo tão variado, que não podemos rotulá-la com manchete única. Depois, o conceito de Igreja regional tem se paralelizado ao de Igreja universal. A Igreja chilena, por exemplo, não tem a mesma fisionomia concreta da Igreja alemã. A holandesa é diferente da canadense. Todas são Igreja universal e regional. Uma coisa é inegável. Não há voz mais ousada hoje, mais perseverante e mais amiga da humanidade, do que a voz da igreja. Tudo está em encontrarmos as pistas eficazes e corretas de passarmos da voz à ação.

ANC - Como se sente depois da eleição para a Academia Maranhense de Letras?

JM - Você não ignora que hoje a Academia se reimpôs à opinião dos maranhenses. Há dinamismo, intercâmbio entre os acadêmicos, produtividade, estímulo aos valores intelectuais da comunidade. Antigamente, tinha-se a impressão de que ao entrar para a Academia deveríamos, de tempo em tempo, sacudir do espírito o mofo intelectual. Hoje não é mais um museu. É uma trincheira da cultura. Candidatei-me agora porque pude fazer isto com sinceridade. E confesso que senti honra e alegria quando os acadêmicos vieram à minha residência comunicar-me que eu era agora um deles.

ANC - O que acha da atual geração de intelectuais maranhenses?

JM - Primeiro, é preciso reconhecer que somos uma geração em arquipélago. Isto é, vivemos isolados como pessoas. É como intelectuais que nos isolamos. Somos como as árvores de Casona, que viveram e morreram de pé. Majestosamente de pé e fantasticamente isoladas. Não temos vida de geração nem damos testemunho de geração. Uma geração se encontra para estudar, se reúne para debater, se aglutina para verificar, se coordena para promover, se defronta para discordar, se une para contestar, se corporifica para enriquecer. Não existe isso que você chama de geração. Existem fulano, sicrano, beltrano, que escrevem isolados, que publicam isolados, que peregrinam isolados. A geração não passará porque não existe. Ficarão, sim, alguns nomes, que permanecerão isolados depois da morte, como estão isolados antes dela.

ANC - E qual a terapêutica para este seu diagnóstico?

JM - Precisaríamos promover encontros, dias de estudo (coisa que não custa dinheiro), mesmo que não fosse para debater, mas ao menos para conhecermos a estrutura ideológica uns dos outros, para tomarmos pé dos outros, para tomarmos pé dos problemas que nos inquietam, dos anseios que nos empolgam. Daí talvez surgisse um planejamento cultural fecundo para cada um de nós como indivíduos e para todos como grupo, como geração. Apareceríamos com outra imagem aos olhos do Maranhão e aos nossos próprios olhos, já que estaríamos colocando fatos novos na paisagem cultural do Estado, fatos veementes, porque fatos grupais, não solitários. Então o arquipélago teria chance de se continentalizar. Faríamos então a experiência disso que você chamou de “a atual geração”.

ANC - Por que só escreveu dois romances, enveredando depois no ensaio?

JM - Vivemos num país carente de idéias e empanturrado de emoções. Deixei de vender emoções porque havia um precário mercado de idéias. Não foi, pois, visando lucro. É que sem idéias corretas um povo não pode ser feliz. Você sabe que não se deve fazer romance para veicular idéias corretas, pois os personagens nem sempre agem correto, nem sempre falam correto, não pensam sempre correto. Ora, abomino a inautenticidade. Inicialmente choquei um certo público, com meus romances, porque, não pus neles tipos certinhos. Então concluí que o ensaio era o veículo adequado para eu atirar todo o meu mundo no mundo. Assim deixei o romance. Mas não deixei minha preocupação de escrever bonito. Porque sou um artista e creio que o artista não deve desertar de dentro do pensador. Alguns críticos têm notado este fato: em meus ensaios há páginas literariamente tão válidas quanto em meus romances.

O POVO
(Fortaleza, 28/11/77)

OP - De que trata o seu novo livro?

JM - Como o título sugere, Plenitude Humana mostra pistas para homens e mulheres alcançarem aquilo que todo mundo almeja: realização pessoal. O livro, tenho certeza, abrirá janelas na vida de muita gente. Depois, como nele abordo assuntos candentes da vida moderna, fornecerá a adultos e jovens um arsenal de dados para o diálogo das gerações. Pais e filhos, estudantes e professores encontrarão nele abundante material indispensável à conversa, à troca de idéias atuais.

OP - Considera obras literárias todos os seus livros?

JM - Sim. Na medida em que me preocupo com a forma de cada um. Uma obra é literatura quando oferece o que constitui o mundo literário, que é o modo de dizer, a maneira de escrever, o estilo de comunicar, próprio do artista das letras. Ora, neste assunto precisamos superar um velho preconceito que rejeita considerar um livro sobre tema ético como obra literária, mesmo quando o tema é abordado com talento estilístico, realizado com autêntica preocupação de forma. O cinema, por exemplo, superou esse preconceito. Não vejo por que uma obra sobre política, escrita com valor literário, realizada de modo artístico, não possa ser literatura. Não existe aí um preconceito de quem institui tal convenção? Há páginas em meu livro Paz pela Oração que julgo tão literárias quanto as de meu romance Maria da Tempestade. Refiro-me a páginas, para ser discreto, não citando o livro inteiro. Por que, então, só considerar literatura a ficção? O ensaio de nível literário merece o mesmo enquadramento, testemunhe ele qualquer setor da vida; qualquer que seja a mensagem nele apresentada. Parece-me errado aceitar como incompatibilidade da literatura o que é alergia de literatos. Não vejo por que idéias em roupagem literária não possam gozar dos mesmos privilégios de estórias ou sentimentos em idêntica vestimenta. Não importa se são idéias cafonas, como não importa se são estórias repugnantes. O conteúdo aqui é secundário. Fundamental é a toalete. Na toalete é que reside o proprium da literatura.

OP - Não é incômodo ser um escritor perfeccionista?

JM - Demais. Que eu me lembre, durante esses 25 anos de atividade literária, fiz mais de uma centena de cartas a meus editores com o mero objetivo de cortar ou acrescentar vírgulas, substituir ou translocar sinônimos.

OP - Qual dos seus livros foi escrito em menos tempo?

JM - O Outro Caminho em vinte e sete dias estava pronto.

OP -A que deve esse recorde?

JM - Talvez ao desejo de aparecer. Foi o primeiro.

OP - Acha que valeu?

JM - Como não? Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras como o melhor romance publicado em 1952 no Brasil, traduzido no exterior, e até hoje continua reeditado. Também foi objeto de duas propostas de filmagem por mim recusadas.

CORREIO BRAZILIENSE
(Brasília, 12/12/79, entrevista concedida ao escritor Clóvis Sena)

CS - É verdade que seu pai foi um opositor ferrenho de sua vida literária?

JM - Não tanto assim. O que ele queria era ter um filho médico e achava que eu iria passar fome, escrevendo. Salvo raras exceções, naquele tempo era isso que acontecia. Mas eu tinha uma fogueira dentro de mim. Incinerava todos os argumentos de meu pai. Hoje, quando cheguei ao vigésimo livro, penso que corri o risco de não ter começado nem o primeiro.

CS - E como recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras por seu romance O Outro Caminho?

JM - Eu me entusiasmei com a notícia do prêmio. Com a significação literária e social dele. Escancarou a porteira para meu estradeiro disparar. Três meses depois eu lançava meu best-seller Sofrer e Amar, hoje na décima quarta edição, e no mesmo ano saía Maria da Tempestade, já na sétima edição.

CS - Essa produção acelerada não prejudicou a qualidade das obras?

JM -As reedições sucessivas dizem que não. Sou perfeccionista. Poucos sabem que rasguei meus dois primeiros livros, por perfeccionismo. Aos 23 anos, rasgar livros supõe bastante cerebralidade, muita objetividade crítica. E nunca me arrependi. Se não tivesse feito isso, talvez O Outro Caminho não explodisse.

CS - Quantas vezes e por que recusou propostas para filmagem de seus romances?

JM -Três para O Outro Caminho e duas para Maria da Tempestade. Recusei porque não vi nenhum romance brasileiro lucrar em ser filmado. Os meus não iriam ser exceção. Agora, de uma coisa tenho vontade. Que alguém pense em realizar um documentário sobre a preservação que fiz do patrimônio musical do Maranhão, com partituras desde o século dezoito. Com esta descoberta posso comprovar que o Maranhão foi a “Atenas Brasileira” não apenas na literatura, mas também na música. Já comuniquei a tese e o fato em livro, mas um documentário cinematográfico viria despertar orquestras, corais, cantores e instrumentistas para gravações. Há coisas lindas, tanto em matéria de música erudita quanto popular, criadas por uma legião de quase duzentos compositores ainda sem o público reconhecimento que merecem. Se esse tesouro tivesse sido descoberto na Alemanha, já estava em discos, encantando o mundo.

CS - Quais têm sido suas maiores alegrias como escritor?

JM - Primeiro, é ver meus livros sucessivamente reeditados. Em 1980 A Vida Sexual dos Solteiros e Casados alcançará a vigésima edição. Para quem escreve, nada mais gratificante, pois o problema não é escrever, é escrever e ser lido. Há mais de um quarto de século que curto esse privilégio. É grande a alegria saber que o que estou escrevendo agora não vai ficar na prateleira, mas vai ser levado para casa, onde milhares vão beber e comer. Aliás, no momento em que meus editores me disserem que deixei de vender, não gastarei uma hora pensando. Jogo o lápis no cesto e parto para outro trabalho, modesto mesmo, onde eu sentir que Deus me quer.

CS - A que atribui seu êxito literário?

JM - A várias causas. Claro que sou consciente de minhas limitações. Mas sua pergunta está relacionada com minhas possibilidades. Nasci para fazer isso. Seria falso se quisesse destilar charme a esta altura dos meus vinte livros, tão lidos por tantos. Mas só o talento literário não me conduziria até aqui. Sou apologista das núpcias do talento com a autodisciplina. Desse enlace é que surgem o artista e sua obra. Muitos escritores, muitos pintores morreram antes da aurora, por falta de autodisciplina, embora tivessem talento de sobra. E minha convicção que um escritor se faz com 40% de talento e 60% de autodisciplina.

CS - O senhor é sobretudo um mensageiro e, ainda, que o seja da palavra divina, essa mensagem não compromete a literatura em sua obra?

JM - Aqui está um tabu que precisa ser dinamitado. Qualquer tema se presta a ser vestido com boa toalete literária. O cinema, por exemplo, já superou esse preconceito. Há documentários religiosos, políticos, científicos que são verdadeiras obras-primas. Entre nós, mesmo Jean Manzon fez incontestáveis obras de arte, como cinema, sem usar romance ou conto de ficção. São verdadeiros ensaios cinematográficos. Por que o escritor só pode ser autêntico literato se cria romance, conto, teatro, poesia? É convenção, e convenção infundada, preconceituosa. Literariamente falando, considero certas páginas de meus ensaios Plenitude Humana, Paz pela Oração e O Encontro mais belas do que algumas de Maria da Tempestade. Veja As Fronteiras da Técnica, de Gustavo Corção. Como forma literária, deixa no chinelo muito romance-literatura. Por que negar, então, o status de literatura e alta literatura? Só porque são recusáveis certos posicionamentos ideológicos do autor? Ou por que a aborgadem é confessional? E existe ficção inteiramente neutra? Isto é não distinguir os níveis, os planos, as ordens, como diria Tomás de Aquino. É preconceito, tabu, frágil convenção, até uma boa dose de medo.

CS - Na sua opinião, o clero devia meter-se na política?

JM - Depende do que se entende por este verbo meter-se. A opção política é uma decorrência da fé evangélica para todo cristão, padre ou leigo. Apenas a condição pastoral contra-indica o ingresso do padre num partido. Para o pastor não partir a comunidade, em vez de unir. O que não ocorre com os leigos, gerados e crescidos num pluripartidarismo eclesial para assuntos pluralizáveis. Alias, o pluralismo vocacional é uma das riquezas da igreja. O monolitismo pastoral não é psicologicamente defensável. Uns possuem dons e outros não têm. No meu caso, por exemplo, procuro atuar numa área fundamental, nem sempre tão servida de operários competentes: a família e o universo conjugal. Nesse sentido, considero-me tão engajado quanto Pablo Neruda, sem que com isso concordasse em trocar meu livro Prepare seus filhos para o futuro por toda obra poética dele.
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