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Edição 161

TAMANCÃO SE LANÇA AO MAR

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Data de Publicação: 19 de setembro de 2007
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Manoel Santos Neto

Experiência pioneira começa a resgatar a arte popular da construção naval no Maranhão

Navegadores antigos costumavam proferir uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”, que se tornou célebre na poesia de uma das obras mais consagradas de Fernando Pessoa. A aventura de desbravar o mar, que se tornou um grande legado dos colonizadores portugueses, inspirou uma arte popular maranhense – a da construção naval – que parecia condenada à extinção. Entretanto, graças a um projeto pioneiro, o Maranhão, em pleno século XXI, começa a valorizar o trabalho de resgate das técnicas tradicionais de construção artesanal de embarcações.

Fotos:GILSON TEIXEIRA
Vista do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) Estaleiro-Escola, no Sítio Tamancão às margens do rio Bacanga

Essa experiência está sendo realizada no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) Estaleiro-Escola, construído no antigo Sítio Tamancão, às margens do Rio Bacanga. O prédio, edificado no século XVIII, amargou um longo período de ruína e abandono, mas foi totalmente restaurado e adaptado para o funcionamento do Estaleiro-Escola, agora reconhecido como um dos projetos mais importantes na área da ciência e tecnologia.

O maior incentivador do projeto é o engenheiro civil Luiz Phelipe Andrès, que não consegue esconder de ninguém o seu entusiasmo em ver se concretizar o resgate das técnicas de produção de embarcações tipicamente maranhenses, através da carpintaria naval tradicional.

Luiz Phelipe observa que, com a inauguração do Estaleiro-Escola, no dia 15 de dezembro de 2006, o Maranhão, que havia sido o primeiro estado brasileiro a realizar uma pesquisa de inventário das técnicas tradicionais populares de construção naval artesanal, a partir dessa data passou a possuir o primeiro centro de capacitação na construção de embarcações tradicionais do Brasil.

Luiz Phelipe ressalta que o CVT do Maranhão nasceu com a missão de aproveitar todo o conhecimento existente dos mestres carpinteiros que estão na ativa hoje no estado. Através deles, o projeto pretende difundir esta arte para as novas gerações que, cada vez mais, procura outros caminhos de sobrevivência por causa das más condições encontradas atualmente para o desenvolvimento desse tipo de atividade no Maranhão. Hoje, a produção existente acontece em estaleiros artesanais que não dão condições de trabalho adequadas a esses profissionais. Faltam segurança e instalações adequadas para a atividade.

Acervo – Além da promoção de cursos para a produção naval, o CVT Estaleiro-Escola também se incorporou ao roteiro turístico de São Luís. Por meio de um cuidadoso trabalho feito durante a restauração do prédio histórico, foram descobertas as engrenagens de um antigo moinho de beneficiamento de arroz, que funcionava no local, através de uma tecnologia bastante moderna já para a sua época.

Com estes pontos preservados na estrutura atual do prédio, o visitante que chega ao Estaleiro pode ver uma das grandes rodas do moinho que funcionava através do movimento das marés. Além disso, o turista pode-se familiarizar com a história da construção naval artesanal no estado e saber detalhes sobre cada tipo de embarcação genuinamente maranhense, através de grandes painéis localizados por toda a área de visitação.

O projeto CVT Estaleiro-Escola é dono hoje de um importante conjunto de ferramentas utilizadas durante séculos na carpintaria naval do estado. Muitas delas produzidas pelos próprios artesãos. As peças por si contam com detalhes o desenvolvimento e o envolvimento do povo com a produção de barcos em todas as regiões do Maranhão. O acervo existente foi adquirido através de doações dos próprios profissionais ou por meio de seus familiares. Todo esse material foi totalmente preparado para fazer parte das exposições no Museu de Arte Naval Maranhense, que funciona em um dos pisos do prédio do Sítio Tamancão.

Alunos do Estaleiro-Escola no auditório do CVT durante aula

Alunos da nova turma do Estaleiro-Escola

Integrando alunos, professores e a comunidade onde o CVT Estaleiro-Escola está incluída, a Universidade Virtual do Maranhão (Univima) prepara-se para promover o primeiro Curso Técnico de Nível Médio em Construção de Embarcações Artesanais no Maranhão.

Serão ministradas disciplinas como ecologia, materiais e geografia, entre outras específicas da área de construção. O curso terá como objetivo a formação de um profissional para exercer a prática da construção de embarcações tradicionais maranhenses. Com este conhecimento, o técnico será capaz de dominar todas as etapas, desde a construção até a manutenção, utilizando conceitos modernos de materiais e segurança.

Além da integração da comunidade ao projeto de capacitação, o Estaleiro, em conexão direta com a Univima, contará também com um Pólo de Educação a Distância. Com esta tecnologia implantada, a comunidade do Anjo da Guarda e bairros vizinhos receberá, também, todo o leque de projetos desenvolvidos pela Universidade Virtual em seus outros pólos. Projetos como o Cinema Popular, Vestibular da Cidadania, entre outros, poderão ser oferecidos para os moradores da região.

A mesa de aula sobre meio ambiente, de 14/09/07, composta por: professor Dario Manoel, pro-reitor de pesquisa e extensão da Univima; Maria de Fátima Teófilo Durans, superintendente de ensino superior e educação profissional da Univima; professor Othon Bastos, reitor da Univima; Phelipe Andrès, diretor do Centro Vocacional Tecnológico/Estaleiro-Escola e Dalva Aparecida Oliveira do Vale, diretora da rádio Univima/WEB
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
Email: info@guesaerrante.com.br