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Edição 158

Sempre será tempo de morangos silvestres

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Data de Publicação: 9 de agosto de 2007
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Vicente F. Júnior

A sétima arte perdeu na semana passada dois dos mais importantes diretores da história do cinema. Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, mestres que deixaram uma obra consistente e acima de tudo filosófica, marcada por filmes belos e densos, e trespassada por temas como a morte, o vazio existencial, a repressão sexual e as intrincadas relações familiares. Indispensáveis na lista de qualquer cinéfilo, os filmes desses dois gênios de talento e sensibilidade ímpares que levaram às telas, com maestria esses dramas universais que, em nossos dias, são tratados por uns poucos que não venderam sua alma ao diabo, ou seja, para Hollywood!

É indiscutível a importância de um filme como ‘O Sétimo Selo’ de Bergman para a história do cinema, onde um cavaleiro medieval, que se depara com a morte, que de pronto quer levá-lo consigo, lhe diz que não a teme, contudo pede uma chance, não por medo da morte em si, mas sim, por medo de morrer, sem ter vivido ainda nada de significativo, de não ter vivido todas as suas possibilidades... É quando a morte o desafia para uma partida de xadrez. Se ele a vencer, terá a sua segunda chance. Mas a morte é traiçoeira e descobre a tática usada pelo cavalheiro e, assim, a morte é um blefe, um truque da vida. O pano de fundo desse filme é uma Europa aterrorizada pelo medo e pela peste negra.

Bergman teve uma infância difícil, pois seu pai era um pastor luterano e lhe proporcionou uma educação severa; eram constantes as humilhações e as agressões. Desde muito pequeno, Bergman se refugiava nas artes e gostava de brincar de teatro de marionetes, o que certamente lhe influenciou, pois Bergman também muito se dedicou ao teatro. E sempre freqüentava as salas de cinema, onde teve contato com os clássicos suecos, como por exemplo, com os filmes de Sjöström, que atua em ‘Morangos Silvestres’ um filme sobre a solidão da velhice, que acaba por criar mecanismos de defesa, e para o que o único bálsamo são as memórias do passado. ‘Gritos e Sussurros’ também é um belíssimo filme, denso, e flerta com o surrealismo. O filme narra o drama de três irmãs, e uma delas agoniza, assistida por uma ama. Na relação, podem-se ver os frágeis laços que as unem.

‘Sonata de Outono’ é um dos meus preferidos, um acerto de contas entre mãe e filha, que decididamente influenciou Pedro Almodóvar em ‘De Salto Alto’. Uma menina solitária, cuja mãe, uma renomada pianista se dedica quase que exclusivamente à carreira, deixando sua filha sempre em segundo plano. Muitos anos depois, já casada, e com uma vida estabilizada, a filha recebe uma carta de sua mãe, anunciando a visita. O que era para ser uma descontraída visita, se transforma num contundente acerto de contas.

‘Monika e o Desejo’ também merece destaque. É um filme sobre uma mulher deslumbrada diante do mundo, vivendo aventuras ao lado de seu namorado, conduzida apenas por seus instintos, sem qualquer senso de responsabilidade, mostra o quão cruel pode ser uma mulher, quando marcada pela insatisfação com a vida cotidiana.

Esses são apenas alguns filmes que me marcaram, contudo a obra de Bergman é vasta, vastíssima e vale a pena ser vista e revista. Vários títulos estão disponíveis no mercado nacional, a maioria deles pela ‘Versátil’ e também pela ‘Continental’, distribuidora que muito tem se destacado pelo resgate da obra desses grandes cineastas europeus. Na próxima edição do ‘Guesa’ traremos mais detalhadamente a obra do Cineasta italiano Michelangelo Antonioni.

Prêmios

- Recebeu 3 indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Diretor, por “Gritos e Sussurros” (1972), “Face a Face” (1976) e “Fanny e Alexander” (1982).

- Recebeu 5 indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Original, por “Morangos Silvestres” (1957), “Através de um Espelho” (1961), “Gritos e Sussurros” (1972), “Sonata de Outono” (1978) e “Fanny e Alexander” (1982).

- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Filme, por “Gritos e Sussurros” (1972).

- Ganhou, em 1971, o Prêmio Irving G. Thalberg, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

- Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Diretor, por “Fanny e Alexander” (1982).

- Recebeu 3 indicações ao Cesar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por “A Flauta Mágica” (1974), “Sonata de Outono” (1978) e “Fanny e Alexander” (1982). Venceu em 1982.

- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme, por “O Rosto” (1958).

- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por “Fanny e Alexander” (1982).

- Ganhou o Prêmio do Júri, no Festival de Cannes, por “O Sétimo Selo” (1957).

- Ganhou o prêmio de Melhor Diretor, no Festival de Cannes, por “No Limiar da Vida” (1957).

- Ganhou o Prêmio Especial de Melhor Humor Poético, no Festival de Cannes, por “Sorrisos de uma Noite de Amor” (1955).

- Ganhou uma Menção Especial, no Festival de Cannes, por “A Fonte da Donzela” (1959).

- Ganhou, em 1997, a Palma das Palmas, concedida pelos organizadores do Festival de Cannes.

- Ganhou, em 1998, o Prêmio Ecumênico do Júri, concedido pelo Festival de Cannes em homenagem à sua carreira no cinema.

- Ganhou 2 vezes o Leão de Ouro, no Festival de Veneza, por “Música na Noite” (1948) e “O Rosto” (1958).

- Ganhou o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Veneza, por “O Rosto” (1958).

- Ganhou o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Veneza, por “Fanny e Alexander” (1982).

- Ganhou, em 1971, um Leão de Ouro em homenagem à sua carreira no cinema.

- Ganhou o Urso de Ouro, no Festival de Berlim, por “Morangos Silvestres” (1957).

- Ganhou o Prêmio OCIC, no Festival de Berlim, por “Através de um Espelho” (1961).

- Ganhou 4 vezes o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu, por “Sorrisos de uma Noite de Amor” (1955), “Morangos Silvestres” (1957), “Gritos e Sussurros” (1972) e “Sonata de Outono” (1978).

Curiosidades

- Seus filmes favoritos são "Utvandrarna" (1971), "A Doce Vida" (1960) e "As Férias do Sr. Hulot" (1953).

FILMOGRAFIA

2003 - Saraband (Saraband) (TV)

2000 - Bildmakarna (TV)

1997 - Larmar och gör sig till (TV)

1995 - Sista skriket (TV)

1993 - Backanterna (TV)

1992 - Markisinnan de Sade (TV)

1986 - Document: Fanny and Alexander

1984 - Depois do ensaio (Efter repetitionen)

1983 - Karins ansikte

1982 - Fanny e Alexandre (Fanny och Alexander)

1980 - Da vida das marionetes (Aus dem leben der marionetten)

1979 - Farödokument 1979

1978 - Sonata de outono (Höstsonaten)

1977 - O ovo da serpente (Das schlangenei)

1976 - Face a face (Ansikte mot ansikte)

1974 - A flauta mágica (Trollflöjten)

1973 - Cenas de um casamento (Scener ur ett äktenskap) (TV)

1972 - Gritos e sussurros (Viskningar och rop)

1971 - A hora do amor (Beroringen)

1969 - Farödokument

1969 - O rito (Ritten)

1969 - A paixão de Ana (En passion)

1968 - Vergonha (Skammen)

1968 - A hora do lobo (Vargtimmen)

1967 - Stimulantia

1966 - Quando duas mulheres pecam (Persona)

1964 - Para não falar de todas essas mulheres (For att inte tala om alla dessa kvinnor)

1963 - O silêncio (Tystnaden)

1962 - Luz de inverno (Nattvardsgästerna)

1961 - Através de um espelho (Sason I em spegel)

1960 - O olho do diabo (Djavulens oga)

1959 - A fonte da donzela (Jungfrukällan)

1958 - O rosto (Ansiktet)

1957 - No limiar da vida (Nära livet)

1957 - Morangos silvestres (Smultronstallet)

1956 - O sétimo selo (Det sjunde inseglet)

1955 - Sorrisos de uma noite de amor (Sommarnattens leende)

1955 - Sonhos de mulheres (Kvinnodröm)

1954 - Uma lição de amor (En lektion I kärlek)

1953 - Noites de circo (Gycklarnas afton)

1952 - Mônica e o desejo (Sommaren med Monika)

1952 - Quando as mulheres esperam (Kvinnors väntan)

1951 - Juventude, divino tesouro (Sommarlek)

1950 - Isto não aconteceria aqui (Sant händer inte här)

1949 - Rumo à Alemanha (Till glädje)

1949 - Sede de paixões (Torst)

1949 - Prisão (Fängelse)

1948 - Porto (Hamnstad)

1948 - Música na noite (Musik I moker)

1947 - Um barco para a Índia (Skepp till India land)

1946 - Chove em nosso amor (Det regnar pa var kärlek)

1945 - Crise (Kris)
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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