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Edição 159

Jesus Santos: Um artista do cromatismo vibrante

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Data de Publicação: 22 de agosto de 2007
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Não é fácil escrever sobre um artista como Jesus Santos, digo isto porque um comentário crítico no verdadeiro sentido da palavra é sempre mais difícil que um elogio rasgado acerca da obra de um mestre consagrado.

Jesus Santos é um artista que circula com desenvoltura e talento comprovados entre os nomes mais expressivos das artes maranhenses.

Sua obra provém do cromatismo vibrante, com motivos do nosso cotidiano, no âmbito da qual nasce sua relação com sua cidade natal: São Luís do Maranhão com seus casarões em ruínas e o seu passado aparentemente morto.

Jesus Santos é um artista maduro, dotado de grande poder de formulação teórica, cuja capacidade de interferir na história da síntese, de forma lapidar, uma inflexão no equilíbrio de forças da vanguarda ludovicense.

Erasmo Dias, um dos baluartes da intelectualidade maranhense, não lhe poupou estímulos e elogios. Era com vibração, alegria e espontaneidade que dizia: “Esse menino-moço fabuloso não é originário da fábula, é originário da presença perfeita que dá sua afirmativa de talento, no Maranhão”.

Em 1979, Lúcia Lacerda escreveu sobre a obra do já consagrado artista plástico: “A obra de Jesus Santos também reitera a força do cromatismo vibrante, mas são motivos do cotidiano que compõem a sua expressividade fantástica. São Luís, com seus casarões em ruínas, é o exemplo típico de um passado aparentemente morto, porém, a meu ver, apenas calado; como se os fantasmas de um tempo remoto procurassem o momento de voltar à vida e completar algo que não fora terminado. A pintura de Jesus é densa, silenciosa, mas também um eco de alerta”.

Espero que a classe dos que fazem artes plásticas, no Maranhão, reflita sobre a criatividade desse artista, cuja carreira tem-se seguido coerente desde que expôs pela primeira vez, no Salão Nobre da Academia Maranhense de Letras, em 1967, expondo nos anos seguintes, nos poucos espaços existentes para as artes plásticas no Maranhão da época. A partir daí, o artista adquire qualidade e acumula experiência no domínio técnico do seu colorido vibrante, numa crescente evolução que ele consegue transmitir em suas telas, sem dúvida alguma louvável, e que confere nobreza a qualquer espaço onde sejam expostas.

Um trabalho de mestre que me obriga a ir, além das minhas elucubrações, para sedimentar a minha admiração por sua obra.

Um impressionante depoimento do genial escultor Maia Ramos ilumina, teatralmente, a obra deste artista maior: “Não sei, mas de qualquer forma é um artista, que ama o paradoxo e a irreverência. Não vale para ele o conceito de que todos os artistas têm uma mesma intenção. Ou seja, o desejo de agradecer. Nele, nem sempre a intenção é essa. Mas é, sem dúvida, a intenção de criar, sem a preocupação de que formas ou cores sejam, ou não, agradáveis.[...] Ele sabe, sem sombra de dúvida, que a arte não representa qualquer ligação com a beleza. Uma Afrodite grega ou um Apolo de Belvadre, perfeitamente proporcionados, nobres e serenos, constituem arte e são belos.[...] No entanto, um ídolo selvagem da Nova Guiné, ou da Costa do Marfim, em sua postura agressiva de guerreiro, sem as proporções clássicas, sem a serenidade e equilíbrio das esculturas gregas, é, no entanto, arte também e, por vezes, da maior valia.[...] Sente-se, olhando os trabalhos de Jesus Santos, o instinto intuitivo do artista. [...] A busca, sempre renovada, a caça à cor certa, da forma e expressão, são na obra de Jesus Santos uma constante e permanente ânsia, em busca da perfeição”.

A arte de Jesus Santos, além de ser envolvente e vibrante, é verdadeira e, em assim sendo, não cansa. É por isso que o nosso artista maior não se vê na obrigação de a cada obra, a cada exposição, mudar de rumo ao criar esteticamente um novo quadro. Quem assim procede faz da sua arte objeto de consumo, aperitivo do descartável.

Assim como Jesus Santos, são poucos os artistas que sabem que a arte é coisa do íntimo, do espírito, e não se esgota com data marcada.


ILUSTRAÇÕES DA PÁGINA 4: 10. Narcisa, p.76; 11. Roupas no Varal, p.88; 12. O Dono do Poder, p.84; 13. A Solidão segundo Dr. Pedro, p.71; 14. Cajus, p.68; 15. O Sedutor, p.77

(SACRAMENTO, Enock. O universo fantástico de Jesus Santos. São Paulo: Ed. do Autor, 2005)
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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