Data de Publicação: 22 de agosto de 2007
Esta edição dá continuidade à proposta do Projeto do Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante/2007, o de fazer o registro das artes plásticas maranhenses.
Contempla-se, neste número, portanto, uma das maiores expressões da arte pictórica maranhense e brasileira contemporânea, o pintor Jesus Santos.
Ressalte-se que este artista apresenta um estilo bastante peculiar e que o distingue no panorama da arte que se produz, atualmente, no Brasil.
Jesus Santos opta pelo realismo fantástico, uma linha de criação estética que tem muito a ver com a literatura.
Parece-nos que um dos primeiros escritores a traçar as linhas desse estilo em palavras foi Luciano de Samósatra com a obra Diálogo dos Mortos. Viria, em segundo lugar, Rabelais, que praticou com colorido vibrante a carnavalização em Gargantua e Pantagruel.
Esse estilo teve maior expressividade com as obras literárias de Gabriel García Márquez que, a partir dos anos 1950, levou o realismo fantástico às máximas conseqüências.
É preciso ressaltar que, no Brasil, já Machado de Assis tinha nas veias esse toque da leitura por trás das aparências, quando, por exemplo, cria a personagem Capitu, mulher aparentemente bem-comportada dentro dos padrões convencionais, mas que, na intimidade, revela-se no olhar oblíquo e dissimulado de Meduza.
Jesus Santos retrata as pessoas não como aparentam ser, mas como realmente são, ou conforme o inconsciente coletivo intui que sejam. A partir desse dado infere-se que o denominador comum em seus quadros seja o grotesco como pretexto, para que possa demonstrar com tintas fortes o que se esconde por trás das máscaras ou nos bastidores da vida.
Também o jogo, a brincadeira, a bricolagem, a gozação, a sátira não são, senão, pretextos para que ele possa dar leveza à tragédia e à comédia humana.
Por que falar de holocausto, apocalipse, se a vida já é tão amarga? Homens como Rabelais e Machado de Assis pintaram com palavras um mundo em que a feiúra e a gulodice têm vez, opondo-se à hipocrisia, ao preconceito e à discriminação como tão bem se manifestam Gabriel García Márquez e Jesus Santos.
Para traçar o perfil de Jesus Santos, nesta edição, são apresentados textos de três maranhenses que procuram estabelecer, dentro das limitações de espaço, a biografia e a opinião crítica do artista plástico.
Os textos giram em torno da obra O Universo fantástico de Jesus Santos, da autoria de Enoc Sacramento. Esse primeiro tomo faz parte do projeto de uma trilogia, que se desdobrará nas obras Risco da Vida e Obras Públicas. Assim, Manoel Santos Neto assina o texto Artista maranhense expõe suas obras em circuito internacional; Antonio Aílton, Jesus Santos: este mundo mágico e seus patéticos simulacros e Aquino, Jesus Santos: um artista do cromatismo vibrante.
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