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Edição 162

Editorial

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Data de Publicação: 3 de outubro de 2007
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Amar as coisas e a gente de um Estado é reconhecer e valorizar, na prática, as coisas e a gente que constituem as comunidades de uma região. E esse amor perde o caráter de discurso demagógico, quando se revela através do difícil exercício do resgate e da divulgação daquela parte de criação e invenção artística, que se perderia na voragem do tempo, como se perdeu o registro da memória dos grandes músicos do Baixada e do Litoral maranhense.

Lendo os textos e contemplando o registro da ilustração iconográfica da obra Embarcações do Maranhão, de Luiz Phelipe Andrès, a primeira impressão que nos ocorre é a de que poesia não se faz somente com palavras. Então percebemos que os artesãos da construção naval são verdadeiros poetas.

Já dissemos certa vez que poesia se faz principalmente com notas musicais ou com pinceladas e, principalmente com o olhar e as outras expressões corporais.

As obras dos artesãos navais do Maranhão são verdadeiras esculturas em madeira. E, se em parte, essa arte teve a sua produção reduzida, há estaleiros em Cururupu, por exemplo, em que os artesãos mantêm vivo o exercício de uma criatividade de carpintaria tão esmerada, que se faz até para exportação.

Sim, as embarcações do Maranhão são um conjunto de poemas, através dos quais os artesãos da arte da construção naval, em madeira, deixam gravadas, num conjunto de tábuas de árvores, transformado em esculturas, a memória de uma estética, em muitos momentos impecáveis.

Esse registro é o reconto da história de séculos de um aprendizado que passou oralmente de pai para filho, no ensinamento e na prática.

Não fora a iniciativa pioneira de Luiz Phelipe Andrès a memória fantástica e prodigiosa de tantos artesãos anônimos e obscuros passaria como mero assunto de ficção. Sim, uma arte tão rica de beleza passaria ao olvido, como outras manifestações do engenho e arte do povo maranhense, tão pródigo em criatividade, infelizmente reduzir-se-ia ao papel de lenda como as da Serpente e do Touro.

À beleza e à leveza das curvas dos cascos das embarcações se somam o colorido da pintura da parte que fica fora d’água, como o convés, o tombadilho, as amuradas, as escotilhas e o colorido alegórico das velas e estais.

Caracteristicamente com as marcas arquetípicas do Maranhão, cerca de dezoito tipos diferentes de embarcações foram investigadas e catalogadas por Luiz Phelipe Andrès e documentadas na obra Embarcações do Maranhão. O registro fotográfico é de Albani Ramos.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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