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Edição 147

Editorial

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Data de Publicação: 13 de dezembro de 2006
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Com o advento da bossa-nova e o aparecimento de nomes como Vinicius de Moraes, Tom Jobim e depois Torquato Neto no cenário musical brasileiro, se tornou inquestionável a presença definitiva da poesia na maioria das letras que se compuseram a partir dos anos de 1950.

Constata-se que, a partir daí, há um interesse deliberado dos compositores em questão, em apostar numa maior qualidade poética possível para os poemas-letras. Mas, para tanto, foi preciso que um poeta de peso de um Vinicius de Moraes rompesse com a tradição acadêmica e com o Itamarati, optanto por fundar uma concepção nova de arte, segundo a qual não haveria mais distâncias entre o popular e o literário, estando o poético presente, indistintamente, nas canções populares, à revelia da opinião da chamada “alta sociedade.”

O assunto veio à baila em virtude da necessidade de reavivar a memória de uma juventude que parece cada vez mais diluída pela “música” e “letra” de péssima qualidade que se destacam como jabá da mídia dos meios de comunicação de massa, como se a MPB, de repente, se transformasse no caos de descartáveis, enlatados e pastelões, desaguando numa mediocridade ilimitada. Este assunto está em questão na página 3.

Nesta edição, também, Manoel Santos Neto dá início a uma série de estudos sobre a vida e a obra de João Lisboa, no limiar dos 200 anos da Imprensa Brasileira.

Vale lembrar que as concepções de João Lisboa sobre a política e os políticos brasileiros, bem como as do Padre Antônio Vieira, são atualíssimas (Página 2).

Volver é o mais recente filme de Pedro Almodóvar que, segundo a análise de Vicente F. Júnior, constitui uma reviravolta na carreira do brilhante e polêmico monstro sagrado da moderníssima cinematografia do mundo contemporâneo (Página 4).
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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