Data de Publicação: 25 de julho de 2006
Vovó tinha cada idéia!
Queria que eu fosse alguém,
na vida que é platéia
e louva muito mais os que têm.
Vovó cresceu minha infância
em seu brilho de todo o dia.
Ser rico de luz, sua ânsia,
com ouro de tolo, nâo via.
Estou sujando a capela,
São Pedro é a bola da vez;
eu fiz escola por ela
e lia o jornal p’ra nós três.
E disso eu fazia praça,
satirizando o enredo:
só eu que achava graça,
botando culpa em São Pedro.
Estou sujando a capela,
São Pedro não estudava;
a zeladora era ela,
a mim e ao santo cuidava.
Cara de santo eu fazia,
mas Vovó conhecia cara
de tambor que amanhecia,
santo de casa e arara:
- Nem mas, nem meio mas,
santo não tem dor de dente!
Naquilo que eu era capaz,
faltava ao santo ser gente.
Passa o tempo, marco passo,
com a fronte erguida, porém,
pois não corrompo o compasso
da reta que a linha tem.
Na lida, publico agora
que deixam a justiça ao léu!
E Vovó me crê nesta hora
e bota ordem no céu.
Tem espaço para arrumar
no azul-celeste ermida,
porque tem São Pedro lá,
e aqui, minha luta renhida,
ralha ali, com São Pedro,
e com o santo, cá:
- Que santos putos da vida!
Chegou sem pedir licença
da Irene do Bandeira,
nem tratou “Sua Incelença”,
meu branco nem abriu porteira.
Era só p’ra varrer os céus
e para cuidá-lo tão cedo:
ela, na Madre de Deus,
já era assim com São Pedro.
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