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Edição 136

E LA NAVE VÀ

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Data de Publicação: 13 de julho de 2006
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Por: Antonio Ailton*

Vamos pensar assim: a casa do ser é o trânsito. Quanto à linguagem, a ela concerne toda e qualquer manifestação do que transita.

Trânsito: navegações, processos, deslocamentos. Estar indo, ocultamento estar chegando, re-velação. Trânsito: não-lugar? Busca? Abandono? Em nível profundo, pode-se dizer que o “trânsito” instaura a condição essencial do ser humano, do universo e da própria vida: a dinâmica. Apenas nas carteiras de identidade e na burocracia social ou lingüística continuamos os mesmos. Aliás, em relação ao ser humano, não desconhecemos as noções de transitividade e transitoriedade, que o transformam naquele que, ao mesmo tempo em que estabelece relações dialéticas e dialógicas, está sempre com a passagem na mão como uma “possibilidade”, aquele que pode surpreender e até estranhar-se, dar respostas diferentes ao mesmo estímulo. Ele é o “inacabado”, o que não pode, definitivamente, se render. Fora do trânsito, só há a inércia, e ela é doentia.

Mas o trânsito não se manifesta apenas em termos de “lugares” ou de “não-lugar”. Semelhantemente à noção de erótico ou de Eros (extrapolando os conceitos simples de paixão ardente, sensualidade, amor lúbrico, etc), o trânsito institui também e necessariamente um “aqui”, onde me encontro, intermediário entre momentos, espaços, elementos, corpos, entes, linguagens, atitudes. Um “aqui” que se manifesta como uma presença, uma complexidade efetiva e cotidiana. Tais são algumas das considerações que nos permitem um passeio na abertura da poética de Geane Lima Fiddan.

É preciso saber conviver com o trânsito, aprender a viver “aqui”. Há sempre o risco de querermos viver para trás ou para diante de nós mesmos, hiper-valorizando o passado ou o futuro. Quem não sabe conviver com esse trânsito, como ser presente, consciente da realidade que o rodeia, nele estabelecida – bem como da condição fatal de que “não permanecerá” indefinidamente como consciência de si –, corre o risco de entrar em crise, em pane: fuga, cegueira, frustração, comiseração, autopiedade. Que o digam os românticos exacerbados, os nostálgicos contaminados pelo mito da Idade de Ouro, ou, de outro lado, os utópicos que vivem da acumulação de futuro e que por isso esbarram no engodo ou na acusação de ingenuidade, restando-lhes como recurso o tédio, a ansiedade, o infarto, o suicídio, e só muito dificilmente a realização ou o prêmio. Entretanto é óbvio que, artisticamente, literariamente, nenhum mal-estar ou suicídio deixa de ser produtivo: aí estão, ao dispor, a melancolia e a revolta, a fantasia ou (para os racionalistas) o desconcerto do mundo. O problema é saber se é interessante ou não, hoje, que o sujeito ainda tenha que pagar terríveis preços.

Comecemos, em Geane, pela linguagem. Seu trânsito, aqui é, em primeiro lugar, diatópico, abrangendo espaços diferentes. Em segundo, diastrático, porque esse deslocamento é também social. As marcas lingüísticas do rural e do urbano são claras em sua poesia, e, por sua vez, arrastam consigo a história de alguém que pôs os pés na estrada (quem sabe em busca do tosão de ouro), que mudou de situação e de condição. São postos no palco, em diálogo com uma linguagem “de prestígio” na qual a poeta agora já circula, termos daquele falar típico do morador do campo, interiorano, desprestigiado, “desqualificado” para um discurso tão “chique” quanto o da poesia que nos é familiar.

Vale lembrar: urbana, demasiado urbana tem sido a poesia. É compreensível. Conforme a concebemos hoje, ela está intrinsecamente relacionada à escritura, cujo acesso a cidade provê muito mais que o campo. Mas é preciso lembrar que não se anula ou deprecia uma fala sem rebaixar o sujeito que a produz. O Poeta, homem capaz de aproveitar, recuperar, exaltar, transformar, inventar, engravidar, inverter e subverter (qualquer) linguagem, não pode igualar-se ao político nem aos ignorantes idiotas (que certamente não é o marginalizado homem do campo, o índio ou quem quer que seja, mas aquele que só enxerga o próprio umbigo. E não estou pretendendo aqui ser conveniente ou “politicamente correto”, coisa que odeio). Não é de admirar que estejamos vivendo, e muitas vezes fazendo, a enorme, a grandiosa literatura do mesmo. Há um ethos, um imaginário que pode ser pensado poeticamente sem que se caia na pasteurização das telenovelas ou no passadismo. É possível re-ver veredas e descaminhos telúricos sem que com isso se esteja requerendo carimbo de “regionalista” ou abrindo concessões. Mas é claro que cada um tem seu discurso, sua opção. Apenas lembramos possibilidades.

De qualquer modo, a circulação apresentada na e pela língua, em Geane, não se resolve apenas em termos de rural e de urbano. Esse rural é trazido para conviver num mundo maior, ele “chamado” para o global, para o Império. Só para registrar algumas andanças em forma de títulos de poemas nos quais vez por outra, estranhamente, tropeçamos com moitas de carrapicho e assa-peixe: The heart fire, Viçando nos Andes, Descolando um viking, Delta das Américas, Ao percorrer o exterior: Amsterdã Solta em Lindernes, Brennmanet Noruega, Ares de Peregrina and others. A poeta Geane é uma turista, uma arrivista ou uma pária?

Pária, dificilmente. A verdade é que, hoje, quem quer ficar “à parte”? Quem assumiria o pária, a não ser como jogo, como representação ou simulacro, como diz Bourdieu, como as “trangressões sem perigo” próprias de inúmeros artistas de nosso tempo, enfim, como um papel (rôle) que alguém resolva desempenhar, posar de? O “sistema” é terrível, o “sistema” nos quer... ele... é uma sedução. O pária, “aquele que não podia contar com proteção”, “o que não fazia parte”, no dizer de Zygmunt Bauman, excluído de todas as castas, o maldito, o execrável, teve de aliar-se. Apreendeu a se virar e tornou-se pragmático. Na verdade, mais que isso, o pária (o artista “maldito”, que é de quem estamos falando) é a figura modernista que mais cedo foi absorvido pelo mercado, e tornou-se daí por diante, outra coisa. Definitivamente, sem qualquer demérito, mesmo como texto Geane está integrada (atenção: “integrada”, não conformada).

O arrivista é o “nômade”, o que está sempre chegando, que precisa ser aceito, e o é, mas com desconfiança. Ele partiu em busca de uma identidade e tenta, por muitos meios, apagar pegadas, soprar vestígios, esquecer quem foi. Não é, tampouco, o caso da poeta. Não é seu propósito apagar qualquer marca do passado ou correr em busca de uma identidade, mesmo da identidade de poeta, de ser algo que ainda não é. Nada é mais forte em seus textos, mais marcante, que sua identidade de pessoa e de poeta, na segurança de sua dicção, em suas intervenções e interpretações, na singularidade enérgica de sua voz.

E quanto a seu ar de turista? Num poema seu, uma resposta: “antes de partir/ abrindo um sorriso/ no extremo norte/ caminho/ sequiosa de impulsos significativos[...]/ no seio das partículas de ferro/ muitos bailarinos se tornaram estátuas/ quebre os icebergs/ é tão fácil ser um náutico/ e tão difícil/ quando mesmo as pontes/ não entendem/ os passageiros0”(Para os oxídantes). Embora à primeira vista isso se pareça com o trânsito do turista, ultrapassa-se essa metáfora quando se tenta estabelecer relações significativas, reações “oxidantes” com aqueles que também estão no mesmo barco, que afinal não são tão fixos quanto pensam. E que talvez até pareçam fixados, ou nem tenham consciência de sua verdadeira condição, mas estão realmente sob ou sobre a ponte (Ó leitor, meu irmão, meu igual!). O turista recusa-se a estabelecer relações desse tipo, oxidar-se. Suas relações são superficiais, ele quer divertir-se, ele quer a novidade, o exótico; gastar, fruir, usufruir e ir embora rapidamente para novas aventuras... Nesta poesia, o afastamento se dá por uma outra razão: “de_longe, é mais fácil ver o próximo”. Em termos brechtianos, isso se chama “deslocamento”, mas apenas para que surja um novo foco, o “estranhamento”. A intenção do afastamento aqui é conduzir à inversão de termos, é fugir do ofuscamento e da visão pontual, da imersão que também leva à cegueira. A intenção é obter uma visão panorâmica da situação e do ser, visão universal, tomar mais consciência de si mesmo, das possibilidades do jogo vital, de entender melhor sua realidade a partir de outras e se perceber tão mais próximo quanto mais semelhante.

As marcas lingüísticas nessa poesia revelam, portanto, não como as de um pária, de um turista ou de um arrivista, mas como as de alguém que está muito mais próximo da nossa realidade social: o migrante, no máximo o auto-exilado aquele que se recusa a permanecer num lugar onde não lhe são oferecidas condições dignas de vida, lugar de excluídos e esquecidos pelo poder público: toma coragem, sai, arrisca-se a se dar bem ou a se dar mal. Alguém que dificilmente volta, que adota uma nova pátria e constrói um novo lar. Eis por que este se parece tanto com aqueles outros de que vínhamos falando: é a partir dessa condição de migrante ou auto-exilado que a vida se encarrega de prover novos papéis.

É natural, nesse contexto, que o murmúrio do autor, sua história pessoal, ascenda e apareça, normalmente, em sua linguagem, em forma de nostalgia: a infância, o passado, o “pé de laranja-lima”. Herança romântica, sempre. O grande mérito de Geane está em não sentirmos isso, o presente lingüisticamente mal-resolvido. Antes, espaço e tempo estão unidos, constituídos no lugar em que ela habita: o “aqui”, o “agora”. Não é uma “saudade” de um passado maravilhoso e irremediavelmente perdido o que está nos seus registros bucólicos, interioranos. Eles estão nesta poesia antes como recursos lingüísticos que dialogam e interagem no presente com a mesma força que quaisquer outros, como metáforas, redenções subjetivas, descobertas, nominalizações, penetração neste século XXI. E mais: como algo que lhe é próprio, nomeações da realidade, sem falseamentos ou exotismos. Eles têm, aí, a validade do hoje, não do passado. Se os tratamos como “do passado, fazemo-lo em relação ao repertório trazido da história da autora, à carga biográfica que sentimos no livro, não em relação à sublimação que fazem. A linguagem funda-se, assim, no poema, como o espaço de alguém que não tem vergonha de ser quem é, que valoriza aquilo que os enrustidos da “alta cultura” desprezam. Não estamos, aqui, longe daquele trabalho e daquele esforço de Mário de Andrade, no início do século XX, pela valorização da cultura popular. Vamos ao lugar-comum da questão: a poeta, voluntária e conscientemente, não renegou suas escamas de buriti.

É necessário admitir, entretanto, que em certos momentos é inevitável que o nostálgico, que tão bem conhecemos, apareça. Isso também é natural, é humano, é memória – pessoal e poética. Da mesma forma, o lugar de quem sofre, percebe, referencia, julga ou profere, quase sempre conserva resquícios de um bicho matreiro, que faz lembrar vagamente aquela deslocada Macabéia clariceana: “descobri tiriricas em pessoas/ nas metrópoles”.

Por outro lado, não é sacrilégio reconhecer nessa poesia um esforço para apresentar este “aqui” factual, e portar-se nele, a partir do sentido heideggeriano de presença (Ereignis), que compreende o ser como “evento” (Dasein, ser-aí).

Não é sacrilégio, primeiro porque quem conhece a autora sabe de sua paixão por Heidegger; segundo porque isso fica claro quando ela, em sua poesia, convoca outro elemento do trânsito espaço-temporal: o futuro. Não se fala de Heidegger em duas linhas, mas nossas noções nos informam que não há nada mais caro para o filósofo quanto o viver tendo como única determinação clara e certa da existência a morte. É a partir dela, de sua evidência, que a vida configura-se como antecipação, decisão, angústia, disponibilidade, projeto. A consciência do Dasein parte disso: o presente é o ter-sido, mas também o por-vir, e o ser será sempre o “ser-para-a-morte”... Há um poema que sintetiza essa informação heideggeriana em Geane:

De fato, Heidegger nos é dado nesse discurso poético a começar pelo título, despedaçado, desvelando seus sentidos imanentes, possibilidades de leitura do que já foi e do que apenas sugere, provocações ofertadas pelo ter-sido da palavra; como por-vir ou como vir à presença, fenômeno: assombrado, à sombra do passado e/ou do futuro, o que sobrou, sombra assombrada do ser. Em outras palavras, ela é ofertada como passagem, circulação de sentidos, isto é, como trânsito, nos termos do que já vínhamos falando. No poema, o ser nos é apresentado como uma conjunção de tempo que importa na retenção do passo dado – ou da ausência alastrada – e na presença do futuro em forma de in-finitude, de consciência, possibilidade antecipadora, angústia ou colapso. O ser é ser-para-o-fim, revelado na consciência, o que abre a possibilidade de ser “mais” sem que no entanto seja efetivamente dada a experiência efetiva da morte: o desvelamento é ambíguo, é dês-velamento, e nisso o futuro se ampara para nos seduzir, para permitir nosso encontro com o amanhã. O ser-para-o-fim é uma decisão pela qual o ser-evento assume a totalidade e o desconhecido.

Outros poemas, por sinal dos mais belos do livro, se não foram intencionalmente construídos sobre uma base heideggeriana, assim se deixam ser lidos. É o caso da “janela dos tempos encobertos” em O mais novo dos titãs, onde a autora se alia a Zeus contra Chronos, não teme “a mão da velhice”, mas está, contudo, trilhando conscientemente “no ambidestrismo da experiência”; e ainda de Parada última, Paradoxo, A mulher de Ló batendo pernas no comércio, entre outros, e, sem sombra de dúvida, Embromado sexatil:

Esse poema tocante, rico em significados, dedicado aos Lençóis Maranhenses e a seus pesca-dores, além do desmembramento de palavras para evidenciar a ausênciapresença de seu ser (lança dores, transforma dores, ar rebento), do mesmo modo que A sombra do lança-nos naquela hermenêutica de Heidegger em que são postos em jogo de espelhamento elementos essenciais do ser e da verdade que se complementam na linguagem da obra de arte: o céu, as coisas, os mortais e os divinos – os quais en-temdemos aqui da seguinte forma:

1 – O homem, mortais. Os pescadores, ou antes, os lança dores desferem sua própria dor em forma de arpão e de morte para os peixes. É interessante notar que na sombra do lança dor estão também, in absentia, o transforma-dor, o aniquila-dor e o liberta-dor (isto é, o que ao mesmo tempo que liberta dor para si mesmo, entre outras conseqüências também libera um outro ser de a continuar sentindo). É interessante notar que, para o pescador, sua rede e seu arpão aparecem naturalmente apenas como instrumentos de trabalho, apetrechos de sobrevivência. Decorre daí o risco da alienação e a exposição aos “carcarás” que, argutos e famintos, os rodeiam.

2 – Coisas. As coisas fazem parte da terra, da physis, sobre a qual se ergue o mundo. São instrumentos, mas também são tecidos que revelam e que interligam o divino, o homem e o elementar, e somente assim demarcam sua própria instância, “aparecem” como coisas, como instrumentos. Rede (agora não a rede onde o homem se entrega ao sono) e arpão conduzem o movimento e a interferência do homem na natureza, ação que também remete a uma maculação, estupro – em outros casos, diríamos, “poluição” – mas também à sede e à fome que unem esse mesmo homem ao corpo e ao sagrado da natureza. Nesse instante, os instrumentos brilham como coisas. Também conduzem, para o homem, os peixes e a água, visto de outro modo, eles conduzem o suprimento do sagrado à necessidade humana. A referência ao cântaro, por outro lado, invoca a presença nupcial do divino por ser o elemento que remete ao culto, à libação. No caso, a metáfora, “cântaro dos entroncamentos” traz à presença a oferta do homem, a oferta dos deuses e o gemido de ambos (de dor ou de prazer?), onde estão todos os movimentos, talvez o “mundo”.

3 – Céu. O céu é o passado do mar, e o seu futuro. Lembremos Gonçalves Dias: Os olhos mostram a alma/ que as ondas postas em calma/ também refletem os céus. O céu é o Outro do mar, em cuja água nadam os seres divinos, alados, mágicos, corados, transparentes; obscuros, gigantescos. Alguns autores diriam que céu e mar fazem o jogo dos “simulacros”. O céu se encontra com a terra e com o mar nos Lençóis Maranhenses. Os pescadores, sua família e seu cão estão imersos em algo que oscila e se transmuda todo o tempo em cristalino, verde, azul, ouro, sangue e ocre. Mas o céu está aí no poema sobretudo em forma de vento, que fustiga a areia: sopro dos deuses que movimenta o espírito dos entes e recolhe seus gemidos.

4 – Os imortais. Os deuses manifestam-se aqui na arena do sagrado, que por sua vez é, acima de tudo, a natureza. Assim, a poeta promove o encontro dos homens com os deuses: se a “pureza” foi “ar rebentada”, os deuses se comunicam também pelo gemido universal, ao serem transpassados pela lança-arpão. Os deuses, coagidos por essa mão, força perfurante ou pedido, acabam por descerrar de seu ventre o peixe. A forma pacífica desse relacionamento é, como já se disse, o cântaro, que conduz o homem para o divino e chama os deuses à presença. No poema, contudo, o cântaro é uma metáfora controversa. Do que se trata? São “cântaros”. Um deles é a physis do homem que derrama (e transmite) seu sacrifício, sua dor e sua carência de embromado diante do universo, e que, nessa dor, já foi recebido por antecipação.

O movimento último, e o primeiro, da conjunção heideggeriana no poema já está na duna. A duna, sua grande porta de entrada é, nesse sentido, de uma riqueza extraordinária. Ela é o monumento do presente-ausente: guarda seu passado, estabelece um “aqui”, mas também um “aí”, e já-é-sonho, já não sendo, daqui há pouco. A duna é um “é-vento”. “Ar rebento”. Nela está a continuidade, diríamos, a eternidade. Os deuses, portanto: as divindades repousam em seu bloco etéreo. E, ainda, a união entre o caos, a terra e o céu, o homem que a habita em forma de olho e reconhecimento; o mar, de onde nasce, e o deserto, onde o mar já morreu. A duna é o trânsito primordial, Abertura que engendra o sagrado.

[...]

A SOMBRA DO

quando o passado não se alastra
nada existe
[...]
quando se volta ao passo dado
é possível saber o que será o hoje amanhã
futuro do presente é o infinito
espera-se que um novo paradigma aconteça
muitas águas só acontecem
mediante a chuva de colapso
só o desconhecido saberá o que será o ser
amanhã

*Antonio Alton é professor, escritor, poeta, e ensaísta
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
Email: info@guesaerrante.com.br