Data de Publicação: 18 de outubro de 2006
Música e Literatura! Qual a relação que as envolve no contexto da cultura brasileira? Quando essa cumplicidade, que vem desde Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e Sílvio Caldas, se tornou, definitivamente, uma unanimidade de público e crítica? Ou ainda não há essa unanimidade? São perguntas que esta e outras edições Guesa Errante procurarão responder. Não se tem aqui o propósito de fazer um estudo sobre a Música Popular Brasileira, senão estabelecer os momentos em que ela e a poesia brasileira fizeram um dueto tão expressivo, que repercutiu no cenário nacional, projetando-se para o Exterior.
Quer-se estabelecer em que extensão a decisão e atitudes transgressoras de poetas como Vinícius de Moraes e Torquato Neto se impactaram com o pensamento acadêmico das instituições culturais. Como a crítica oficial reage a esse casamento? Como a crítica literária se posicionou, já que a atitude ousada de Vinícius de Moraes abriu portas e precedentes para o reconhecimento do valor de textos de compositores do passado, bem como ensejou o estímulo a poetas como Chico Buarque de Holanda e Caetano Veloso, sem esquecer Tom Jobim, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e os que vieram depois, Wally Salomão, Djavan, Zeca Baleiro e Jorge Vercilo?
Afinal, as letras de certas músicas são ou não são poemas de valor literário? São ou não são poesia? Eis a questão. Conferir página 3.
Sob o título As insinuantes curvas de Romana Maria, o texto do poeta Bioque Mesito flui como retrato de uma artista que se projetou no cenário das artes plásticas maranhenses, com esculturas, cujas formas captam a alma feminina. O poeta nos mostra a carreira ascendente de uma artista cuja estréia deu-se na década de 1990, com exposição na Biblioteca Pública Benedito Leite, tendo conquistado em 1994, o primeiro lugar, no Prêmio Antonio Almeida, com a obra Almas Gêmeas, Concurso Cidade de São Luís. Vale a pena lê-la pelas lentes de Bioque Mesito e conferir “sinuosidade e freio, um laço que nos une e simplifica-nos. Sobre suas curvas o materialismo da gênese humana”, página 2.
Vicente F. Júnior faz uma leitura do cinema experimental ou avant-gard. São quatro volumes de uma coleção de filmes de vanguarda do mundo inteiro, retratando um dos períodos mais férteis da história da Sétima Arte.
É sobre esses filmes que o inquieto e curioso cinéfilo se debruçará nas próximas edições, para nos falar de artistas emergentes que, entre 1921 e 1931, experimentaram uma linguagem cinematográfica que abriu portas para o roteiro com imagens cujo nexo está perdido nos lances do surrealismo, abrindo as portas para uma percepção sem fronteiras no campo das imagens.
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