Data de Publicação: 15 de novembro de 2006
É óbvio que a grande responsabilidade do escritor maranhense, na atualidade, é a Poesia. Então é preciso ter cuidado ao chegar ao solo profano daquela que é regida pelo amor. Ninguém, ao chegar às margens do rio da sedução, do simulacro, da segunda intenção das notas musicais, das palavras, poderá ignorar que passaram pela seara Pixinguinha e Noel Rosa, Ary Barroso e Catulo. E, assim, se poderá perceber que é fácil juntar notas musicais ou palavras, mas cada vez mais difícil fazer Poesia.
Esta edição do Guesa Errante é uma homenagem ao Festival Maranhense de Poesia da UFMA, em sua 20a edição e uma oportunidade para parabenizar o organizador de uma das poucas atividades literárias que têm dado certo no Estado do Maranhão.
O Festival Maranhense de Poesia da UFMA é responsável pela descoberta de vários talentos poéticos maranhenses, que dão suporte à última safra e geração da moderna e contemporânea poética maranhense. Entre eles, destacam-se os poetas Antonio Aílton, que recentemente arrebatou o primeiro lugar do Concurso Literário Cidade de Recife, PE, 2006, Fernando Abreu, Paulo Melo Souza, Roberto Kenard, Bioque Mesito, Ribamar Feitosa, Paulinho Dimaré, Rafael Oliveira, Rosemery Rego, Mauro Ciro, César Borralho, João Almiro Lopes Neto, Francisco Tribuzi, Geane Fiddan, Lúcia Santos, Ronnald Kelps, Dyl Pires, Cibele Bittencourt, César William, Junerlei Moraes, Josoaldo Rego e Maria Aparecida Marconcine.
Sob o título A efervescente poesia na Cidade de Sousândrade, o escritor, ensaísta e poeta Bioque Mesito traça o perfil do que tem sido o Festival Maranhense de Poesia da UFMA desde a sua criação aos dias atuais, no contexto da Literatura Maranhense, comentando o último resultado, cuja entrega dos prêmios deu-se no Teatro Artur Azevedo, no dia 1o. de novembro de 2006.
Sob o signo de A segunda intenção da palavra dá-se curso aos capítulos sobre Poesia da MPB(III) para estabelecer-se que, de um modo geral, as letras de músicas quase não continham poesia na primeira metade do século XX, embora constituíssem poemas, o que é outra coisa. Por que? Porque, às vezes, foge à percepção do ouvinte o fato de que a poesia está é lá na melodia, no undo, e não na superfície. Mas esse equívoco ocorre pela contigüidade do motivo que deu origem à inspiração da música. E nesse particular, música e letra se interpenetram. Trata-se de perceber que, durante as três primeiras décadas da MPB, no século XX, os autores de composições musicais procuravam, através das letras, traduzir ou interpretar o que deu razão à música em questão.
Pense, por exemplo, na letra de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, sem a melodia. Claro que não dá poesia de jeito nenhum. Por que? A melodia é tão impressionante, que não dá para pôr mais alguma coisa. A composição já está plena. Se você põe mais alguma coisa para certas composições, dá em fiasco. É o mesmo que impor coral para a Nona Sinfonia, de Beethoven, por exemplo. Por isso é que Mozart insistia na opinião de que o importante é amúsica, daí a gozação que ele fez com Salieri e com os italianos que põem letra em tudo. Então, na ópera Dom Giovane ele fez com que uma solista cantasse como gralha. Isso não quer dizer que não encontremos versos de letras como aqueles que Ary Barroso escolheu para Na baixa do sapateiro.
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