Data de Publicação: 7 de novembro de 2006
A poeta também participou de vários grupos literários importantes, entre eles o Grupo Curare ( grupo de poetas que em meados da década de 90 se reunia para discutir e promover a Literatura Brasileira em São Luís ). Atualmente, faz parte da Poiesis – Associação de Escritores. A Poiesis é uma iniciativa de um grupo de poetas e escritores contemporâneos de criar uma pessoa jurídica para que possam negociar com mais força perante a iniciativa pública e privada quanto, também, receber recursos significativos para desenvolver projetos literários de grande porte. Sabe-se que a formação de grupos culturais ou literários é uma prática comum aqui no Maranhão. E mais recentemente, além da formação desses grupos, tem havido uma proliferação de Academias de Letras pelo Estado. Mas nem todos esses grupos se oficializam como pessoa jurídica, porque há uma enorme burocracia a ser enfrentada, problemas e gastos financeiros que aparecem o tempo todo. A Poiesis nasce com esse diferencial. É preciso aprender com outras classes artísticas e lutar com as mesmas armas que eles lutam: participar da cidadania cultural e fazer suas reivindicações como entidade jurídica, salienta, Rosemary.
A Poiesis nasceu, na verdade, do Projeto Em Companhia da Poesia, que entre 2005 e 2006 reuniu diversos jovens poetas – entre eles Antonio Aílton, Bioque Mesito, Geane Fiddan, Rosemary Rêgo, César Borralho, Hagamenon de Jesus, Natinho Costa, Couto Corrêa Filho e Paulo Melo Souza – com músicos instrumentais, tais como a pianista Ana Neusa, o percussionista Madson, o violonista Daniel Bertholdo e o gaitista Danyllo Araújo, promovendo recitais com uma proposta diferenciada, no Auditório da Escola de Música e no Teatro João do Vale. Os recitais são executados pelos próprios poetas, unindo música erudita com poesia, tentando primar sobretudo pela qualidade e pelo refinamento dos trabalhos a serem apresentados ao grande público. A partir de agora, que o primeiro passo já foi dado, e a entidade já foi registrada de fato e de direito, vai-se partir para o segundo passo, que é a promoção de um evento em que, depois de se ter convidado vários poetas, escritores, intelectuais e fomentadores literários, possa-se apresentar e abrir as portas da entidade para todos os que desejarem dela participar – desde que, evidentemente, estejam envolvidos com o engajamento literário e aceitem sua proposta estatutária, salienta, novamente, a poeta.
Outro aspecto notório, na poesia de Rosemary Rêgo, é a presença da metalinguagem. Para a poeta a metalinguagem é importante quando o poeta está iniciando na vida das letras, porém com o tempo o olhar deve ser mais crítico e a poesia deve ter como produto um mix de coisas ( imagens, crítica social, artes visuais, filosofia e etc). A metalinguagem de Rosemary é bem feita, não chega a ser apenas a palavra pela palavra, ela é mais que isso, é uma observação bem feita do lirismo poético. O poema, abaixo, reflete muito bem esta característica peculiar da autora:
Poema
A voz do poema o grito do poema a mão do poema o sangue do poema o poema co-existe nos beirais nas calçadas na plangente melodia dos sapos em noites de inverno entre os ratos que percorrem a praça à meia-noite em cada esgoto nasce uma rosa o poema!
o poema e a sua palidez o poema e a sua simetria o poema atrás do poema nasce uma flor!
A poesia de Rosemary Rêgo é autêntica, bela e de metaforização bem trabalhada. O minimalismo aporta em seus poemas. Em seus textos encontramos também aspectos sociais, pois o artista não pode fugir de suas atribuições políticas. Pelo nosso Estado muitos poetas fogem desse compromisso e acham que escrever seus poemas já é tudo. Um poeta tem que fazer parte e denunciar as mazelas por que passam nossa cena pública, senão estará se alienando. Rosemary Rêgo, graças a Deus, é uma referência e luta pela liberdade de expressão da nossa gente. Rosemary está feliz, com o sorriso estampado na face, porque sempre lutou, assim como nós, pelo Declínio do Império Sarneísta no Maranhão.
Pai, mãe, Adeílton e demais (e)leitores da candidata derrotada, o Maranhão mudou de mãos, não sofre mais os desmandos da família ordinária. Uma nova ordem, pautada no respeito e na democracia, se instala a partir de agora. O tempo mudou - a Ilha e o Estado rebeldes explodem de contentamento. “Deixem o Dr. Jackson trabalhar!”. O tempo não depende das asas de uma borboleta.
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