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Edição 141

Editorial

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Data de Publicação: 19 de setembro de 2006
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Por que Celso Borges de novo? Vá às livrarias e confira as publicações e os selos das editoras. Pasmem, Na prateleira de livros de poetas à venda, os mesmos de há 40 anos atrás. Pior, A maioria dos livros se constitui de escritores dos séculos XVIII e XIX. O mais triste, Com raras exceções, geralmente permanecem na lista dos mais editados, indicados para leitura e vendidos os piores títulos.

Dos poetas de circulação nacional, publicados no século XX, só um pouco mais de meia dúzia estão nas livrarias. Alguns são excelentes poetas, só que não foram os únicos de valor das últimas décadas. Muito pelo contrário, além do português Fernando Pessoa e dos brasileiros Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Neto, Oswald de Andrade e Vinícius de Moraes, há, no entanto, vários outros nomes de peso. Infelizmente, os que comparecem em todos os livros didáticos do ensino fundamental ao superior, são os mesmos. Nas antologias, idem.

É como se não houvessem existido poetas de expressão como o maranhense Ferreira Gullar e os piauienses Mário Faustino e Torquato Neto e outros grandes poetas como Gerardo Mello Mourão, Nauro Machado, Bandeira Tribuzi e José Chagas. Os autores de livros didáticos ainda não tomaram conhecimento de poetas tão significativos para que se possa construir a verdadeira história e a memória da poesia brasileira das últimas 6 décadas.

Como é que o povo brasileiro pode ter memória se editores, instituições culturais e os poderes públicos são os primeiros a se desinteressarem por essa memória?

É mais fácil encontrar-se, em quase todos os livros didáticos, poetas - compositores musicais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque de Holanda e propaganda de Coca-Cola, que a contextualização dos melhores poetas brasileiros dos últimos 50, 60 anos. Não que se tenha alguma coisa contra os três últimos poetas citados. Muito pelo contrário, leva-se em consideração o fato de eles serem lembrados menos pelo valor literário que têm e mais pelo golpe de marketing, porque rendem Ibope, ou seja, são nomes que vendem. Por isso é que o livro Música de Celso Borges é pertinente, como denúncia e Manifesto.

Sob o título O Sonho de Menino Entre os Azulejos da Praia Grande (II), o poeta Bioque Mesito amplia o estudo sobre a vida e a obra do artista plástico Airton Marinho, maranhense que vem aprofundando sua técnica na área da xilogravura, saindo da perspectiva geométrica plana para uma perspectiva curvilínea.

Vicente F. Júnior em Os Três Enteros de Melquíades Estrada (Ou uma Epopéia partindo de Antígona, passando por Juan Rulfo e Sol da Novela América), página 4, discute os aspectos originais de um filme que se destaca pela quebra das fronteiras entre realidade e fantasia.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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