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Edição 142

O corte ou eliminando literalmente a concorrência

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Data de Publicação: 5 de outubro de 2006
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Por: Vicente F. Júnior

O cineasta Konstantinos Costa-Gavras possui uma filmografia marcada por filmes políticos como, por exemplo, ‘Z’ (1968), ‘Estado de Sítio’ (1973), ‘Missing’ (1982) e o mais recente ‘Amém’ (2002) que trata da questão do envolvimento da igreja católica com o nazismo. Essa tendência, talvez, se deva à origem grega de Costa-Gavras, como representante desse povo, que fundou as bases do pensamento ocidental e que acreditava ser o homem um animal político, como pregava o filósofo Aristóteles. Digo isso, porque O corte é antes de qualquer coisa, um filme político, mesmo que disfarçado de comédia de humor negro meio sem graça, mas onde podemos perceber a crítica a essa dura realidade mundial que é o desemprego, com a excelente atuação do ator Jose Garcia no papel de Bruno Davert, um executivo bem sucedido da indústria do papel, que perde o emprego, após 12 anos de serviços prestados, devido a um programa de redução de custos, o filme representa um marco na carreira de Costa Gravas. Desempregado, há dois anos, Davert tenta de maneira determinada, ou melhor, obsessiva, conseguir seu emprego de volta, eliminando literalmente seus concorrentes, rompendo assim, com a moral estabelecida.


O filme consegue transmitir o desespero de uma pessoa ao se encontrar privada de oferecer à sua família o sustento, bem como a perda da dignidade e a vergonha diante de tal situação viabilizada pelo regime capitalista, que proporciona a coisificação do homem, de forma que este pode ser levianamente substituído ou descartado quando melhor convier ao empregador. Os impactos do corte, também podem ser percebidos na família de Davert que, enquanto planeja assassinatos em série aos possíveis concorrentes, esquece de prestar a devida assistência à esposa, que por sua vez, força-o a freqüentar sessões de terapia de casal, em busca de superação para o sentimento de culpa por não poder oferecer um padrão de vida melhor aos seus, a vergonha que acaba por excluí-lo do convívio com sua própria família.

Exceto pelo fundo político, O Corte é um pouco previsível e enfadonho, ao contrário do livro homônimo de autoria do americano Donald E. Westlake, do qual foi adaptado. Trata-se de uma leitura instigante, e de um suspense mais acentuado, que consegue prender mais o leitor à narrativa. Outro mérito de Costa-Gavras é transpor a ação do livro que se desenrola nos Estados Unidos, para a realidade européia, mais especificamente francesa, pois o diretor, apesar de ter nascido na Grécia, é radicado na França.

Existem também outros dois filmes, por coincidência, também franceses, que têm como tema o desemprego e seu impacto psicológico que podem levar o homem a situações-limite de (des) razão. São eles A Agenda, (2001), do diretor Laurent Cantet e O Adversário, (2002), da diretora Nicole Garcia, com Daniel Auteuil como protagonista e baseado em fatos reais. Esses dois filmes são bem melhores do que O Corte. Contudo, este tem seu mérito como foi dito acima, e deve ser visto mesmo não se tratando de nenhuma obra-prima da sétima arte.

Título Original: Le Couperet

Gênero: Drama
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento (França / Bélgica / Espanha): 2005
Estúdio: Studio Canal / Canal+ / Eurimages / Wallimage / Les Films du Fleuve / RTBF / K.G. Productions / France 2 Cinéma / SCOPE Invest / Wanda Visión S.A.
Distribuição: Mars Distribution / Pandora Filmes
Direção: Costa-Gavras
Roteiro: Costa-Gavras e Jean-Claude Grumberg, baseado em livro de Donald E. Westlake
Produção: Michèle Ray-Gavras
Música: Armand Amar
Fotografia: Patrick Blossier
Desenho de Produção: Laurent Deroo
Figurino: Laurence Maréchal
Edição: Yannick Kergoat
Efeitos Especiais: L’Etude et la Supervision des Trucages

Elenco:

José Garcia (Bruno Davert)
Karin Viard (Marlène Davert)
Geordy Monfils (Maxime Davert)
Christa Theret (Betty Davert)
Ulrich Tukur (Gerard Hutchinson)
Olivier Gourmet (Raymond Mâchefer)
Yvon Back (Etienne Barnet)
Thierry Hancisse (Inspetor Kesler)
Olga Grumberg (Iris Thompson)
Dieudonné Kabongo (Quinlan Longus)
Serge Larivière (Inspetor de polícia)
John Landis
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
Email: info@guesaerrante.com.br