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Edição 107

ANTÓNIO LOBO ANTUNES: Uma biografia radical sobre a Guerra de Libertação Nacional de Angola

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Data de Publicação: 5 de janeiro de 2006
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Dois livros deste instigante, intrigante, e porque não dizer polêmico novelista português, António Lobo Antunes, Os Cus dos Judas e Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, constituem uma espécie de depoimento autêntico, cujo grau de verossimilhança nos coloca trágica e visceralmente, através do discurso romanesco, no aceso da guerra angolana que, durante as décadas de 60 e 70, desestruturou todas as raízes da identidade do povo daquela Ilha.

Lendo-se Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, percebe-se que, durante duas décadas António Lobo Antunes foi testemunha ocular de uma quase inacreditável via crucis, um massacre que só encontra contrapartida um pouco mais tarde em Timor Leste.

Autor de quase duas dezenas de títulos que têm-se tornado best-sellers internacionalmente, em particular Os Cus dos Judas e Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, António Lobo Antunes é, hoje, no cenário internacional, um nome que serve de referência para a literatura portuguesa contemporânea, tão importante como José Saramago. Inclusive já concorreu ao Prêmio Nobel de Literatura, o que, de algum modo, confirma o peso que é conferido aos seus romances no Exterior, unanimidade que vem sendo conquistada, graças a uma obra que se impõe pelo caráter revolucionário, capaz de demolir toda uma tradição acadêmica.

Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, em termos de invenção ou criação literária, é uma espécie de último degrau a que um escritor, que opta pela prática experimental, consegue chegar. Podemos arriscar qualificá-lo como um escritor que se propõe ir além das conquistas experimentais até então cristalizadas por Rabelais, Sterne, Lewis Carroll, Édouard Dujardin, James Joyce e Cortázar.

António Lobo Antunes empreende uma luta titânica contra o Minotauro no labirinto do texto. De posse do fio de Ariadne, na busca da saída, ele trava uma batalha decisiva. Para encontrar a saída, Antunes usa de vários pretextos, entre eles fratura, mutilação, adulteração e bifurcação do fio da meada, para convencer o Minotauro de que está perdido, deixando no ar a idéia de que o fio se partiu em inúmeros pedaços. Mas apenas quebra o fio e se esconde, sempre numa pequena volta. E, quando o Minotauro, que já conhece o caminho de cor e salteado e, com certeza, já está cansado de trilhá-lo, e guardá-lo indefinidamente, resolve deixar que o protagonista, no caso o próprio texto, desconstrua a meada, após efetuar remendos que possibilitem a arte dos desvios. Então, percebe-se que ele aceita deliberadamente a própria morte. Essa alegoria implica em compreender-se que a morte do Minotauro representa a vida do texto pós-moderno.

A narrativa de Boa Tarde às Coisas Aqui Embaixo é propositalmente descosturada, pois conscientemente armada como O Jogo da Amarelinha, de Cortázar. Só que em Cortázar há a fusão de vários romances ou histórias numa mesma narrativa descontínua, mas que se interpenetram de maneira programada e matematicamente progressiva como um tratado virtuosístico.

Em Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, a descontinuidade é cinematograficamente flagrante, pois ocorre intermitentemente. Nele, todos os textos apresentam cortes instantâneos no nexo das frases ou como um deslance, um contramolde, provocados no momento da frase enunciada e simultaneamnete quebrada, fraturada. Percebe-se que, com isso, o escritor pretende representar com frases rupturadas, aparentemente desconexas, a situação caótica das próprias existências dos angolanos que, nas décadas de 60 e 70, durante a Guerra, como que se diluíam ou eram perdidas de vista. Assim, o traçado estético do discurso romanesco de Antunes soa como algo vertiginoso, mas que escoa, estaca repentinamente, como se todas as frases fossem amputadas; como, de uma maneira ou de outra, acontece com as vidas das pessoas durante e após o término das guerras, pessoas que, sobreviventes do holocausto da guerra, estão mortas na alma, perdidas de suas próprias identidades.

Conforme o próprio comentarista da contracapa da obra em questão se expressa “consagrado como um dos mais importantes romancistas portugueses, indicado ao Nobel de Literatura, António Lobo Antunes volta à temática essencial de sua obra em Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo. Neste livro, o autor traça um retrato contemporâneo de Angola, país onde viveu durante a guerra de libertação nacional nos anos 60 e 70.

Homens que somem sem deixar vestígios são os protagonistas deste romance. Assim acontece com o primeiro agente português que viaja à antiga colônia, com uma missão arriscada. Ele não volta, sendo substituído por outro, e depois outro, como na arena os touros vão sendo mortos um a um.

Grande vencedor do XIV Prêmio Internacional União Latina de Literatura, Lobo Antunes exerce com maestria a arte de encantar o leitor, através de uma narrativa subversiva e radicalmente original.”

Como o próprio escritor revela na abertura desta instigante obra literária “romance em três livros com prólogo & epílogo”, António Lobo Antunes, para contar a saga da guerra angolana, que usa como pretexto, ainda que doloroso, para exercitar e esgotar todo seu potencial de conhecimentos sobre criação literária no campo específico da arte romanesca, consegue se superar em tudo quanto antes escreveu e sempre com admirável talento.

António Lobo Antunes é o típico escritor para quem a divisão das composições literárias em gêneros é algo obsoleto e anacrônico, pois ele consegue fundir no mesmo romance todos os gêneros como o fez James Joyce, indo mais além, diluindo os gêneros de tal modo, que em seu texto tudo é apenas pura poesia. Para ele, repetir-se na obra seguinte é sempre um trabalho de preguiçoso.

Obra eminentemente metalingüística, já que o protagonista da história é a própria narrativa, sendo tudo o mais pretexto para que ela se engendre a si mesma. Daí por que ela questiona as próprias construções de textos anteriores discutindo, adulterando e mutilando as técnicas do fluxo da memória e do monólogo interior, no sentido positivo de acrescentar-lhes novos arranjos ou uma gama de possibilidades de fazer com que os textos se desengendrem para um plano de desfechos completamente imprevisíveis.

Aqui a desconstrução do discurso narrativo recria novidades no campo dos flashbacks que passam a ser contínua, ininterrupta e consecutivamente instantâneos.

Os cortes de períodos e frases acontecem em cadeia através de mutações e mutilações de enunciados, cujas seqüências, momentaneamente, ou para sempre, somem, como somem ou desaparecem as pessoas durante as guerras. Assim, famílias inteiras de frases ficam truncadas ou desaparecem, ou se perdem uma das outras, pedaços de sentenças e enunciados se distanciam ou acabam incompletos, exterminados, massacrados, desfamiliarizados como as pessoas durante e após as guerras. Caberá ao leitor, como aos sobreviventes, procurarem nos destroços da linguagem as partes que faltaram ou restaram. Constatamos assim que António Lobo Antunes está envolvido com duas guerras: uma, a de Angola, e a outra, a de uma escrita completamente radical. O ponto crucial é deflagrado contra a ordem preestabelecida das famílias de palavras que corresponde ao massacre ou mutilação das famílias de pessoas. Já não se trata de um recurso meramente paradoxal ou ambíguo, mas do texto mutilado como a retratar a própria mutilação da existência dos seres humanos naquilo que eles têm de mais precioso, que a vida biológica, a identidade. A verossimilhança é tão impressionante que a supra- realidade do texto parece superar a própria realidade da guerra. Assim, o texto transita entre o real geográfico, topográfico, biográfico, beligerante, genocida e o surrealismo da construção do texto cuja tessitura, embora pareça absurda, reflete a própria realidade. Nesse estágio, o escritor atinge a plenitude da arte de escrever, que acontece quando a supra- realidade supera em verossimilhança as atrocidades e massacres da guerra, quando percebe-se o quanto o ser humano, voltando à barbárie, vive mais para a crueldade, o sadismo e o masoquismo, esse estágio radical de aniquilamento do ser humano, reduzido a fera.

Depoimentos de António Lobo Antunes

1
Sobre a loucura

O que é escrever? No fundo é estruturar o delírio, e tem graça porque quando se trata o delírio o que aparece sempre é uma depressão subjacente.”
Um amigo meu, o Daniel Sampaio, talvez o melhor psiquiatra português, costuma dizer que só os psicóticos são criadores. Você fala com um neurótico e são tipos que não são nada, que são chatos, repetitivos. Os psicóticos são espantosos, dizem frases espantosas, estou-me a lembrar de uma que era “Aquele homem tem uma voz de sabonete embrulhado em papel furtacores”. Isto é uma frase do caracas.
(in Expresso, 7 de Novembro de 1992)

(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado.
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano I, nº 23, Janeiro de 1982)

No fundo o que é enlouquecer? É sair de uma determinada norma, não é? É preciso muita coragem para se ser realmente louco.
(in O Jornal, 30 de Outubro de 1992)

No fundo o que é um maluco? É qualquer coisa de diferente, um marginal, uma pessoa que não produz imediatamente. Há muitas formas de a sociedade lidar com estes marginais. Ou é engoli-los, transformá-los em artistas, em profetas, em arautos de uma nova civilização, ou então vomitá-los em hospitais psiquiátricos.
(in Público, 18 de Outubro de 1992)

2
Sobre estilo próprio

Escrever dá-lhe trabalho?
Dá um trabalho do caracas! Despentear a prosa, de maneira a que aquilo seja feito como uma diarreia.
(sequela)
Escreve como?
Rodeado de rituais. Sou um bocado como os campeões chineses de ping-pong, treino não sei quantas horas por dia.
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano III, n 72, Novembro de 1983)

(...) há nos meus livros um fascínio muito grande pelas casas das porteiras, pelos naperons, pelos bibelots em cima da televisão, pelo horror ao vácuo que leva aquelas pessoas todas as superficies planas.(...) Já o Thomas Mann dizia qualquer coisa do tipo de “o que faz de mim um artista é o amor pelo banal.”
(...) procura desesperada e impaciente de uma maneira pessoal de dizer as coisas, porque para escrever livros é preciso negar todos os outros escritores, evitar o “está-me a soar a”, ou, o que é ainda mais grave, o “isto está-me a soar a mim próprio”, que é quando a gente se começa a repetir. Como dizia há tempos o Antonio Tabucchi(...), “com a idade há dois perigos para quem escreve, que são a hipertrofia do eu e a hipertrofia da próstata, e a hipertrofia do eu é muito mais mortal.
(in Visão, 26 de Setembro de 1996)

Não consigo conceber uma história onde as personagens não tenham carne. E se eu partir de uma carne já real para mim, torna-se muito mais fácil.
(in Expresso, 7 de Novembro de 1992

Nos meus livros falta, talvez, uma dimensão - que eu tenho - de prazer, de alegria, de gostar de viver, de estar com os amigos. Isso não aparece, dá-me idéia, nos meus livros, ou se aparece é sob uma forma de sarcasmo, de ironia. Embora digam isso, não me sinto agressivo, sinto-me miúdo, em certas coisas, sinto-me pequeno, pequenino, gostando de chatear os adultos, mas tenho funcionado sempre assim, sempre em temas tão afectivos!
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano I, nº 3, Janeiro de 1982)

Quando escrevo, penso apenas em exorcizar certas emoções, descrevê-las, vivê-las. O leitor é um acto secundário, penso nele nos últimos acabamentos do livro, quando sinto que isto ou aquilo não está inteligível.
(in O Jornal, 30 de Outubro de 1992)

A gente põe as tripas cá para fora, senão, de outra maneira, não cola. A gente está sempre a abrir as tripas. Se não se sente isso, falhei um livro, o que é uma coisa apavorante, porque uma pessoa investe tanto numa história...
A gente está sempre a escamotear as coisas, mas escreve-se para se ser lido, se não não se escrevia. Todos os escritores se preocupam, mais ou menos secretamente, com as vendas: gosta-se de se ser conhecido, reconhecido. A gente esconde muita coisa para pentear a imagem, mas o público não é parvo, sabe perfeitamente que os escritores são todos narcisistas: o grande sonho de todos, eu incluído - e não só dos escritores mas de toda a gente - era sermos amados por toda a gente.
(...) tenho medo de, alguma vez, não conseguir escrever.
(in Diário de Notícias)

JL - (...) Consideras-te, mesmo, um grande escritor?
ALA - Considero-me, pelo menos, um escritor que trabalha muito. O homem é o meu objectivo primeiro.
JL – A tua experiência como psiquiatra serviu-te para o teu trabalho de escritor?
ALA - Não. Não serviu para nada. Serviu para conhecer os psiquiatras e para ter medo deles. Uns caça- níqueis do caracas...
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano V, nº 176, Novembro de 1985)

3
Lobo Antunes por ele mesmo

ALA - Agressivo? Acho que sou extraordinariamente terno.
JL - Você tem fama de inteligente...
ALA - Sou estúpido como um pneu, sou um débil mental esperto. Isso de eu ter fama disto e daquilo são tudo fantasias. As pessoas só me conhecem de ver o meu nome nas livrarias e mais nada.
JL - Em Portugal você parece, às vezes, funcionar como um estrangeiro face a determinadas coisas de portuguesas?
ALA - Há algumas coisas que me divertem, mas acho isto uma chumbada. Não me sinto um estrangeiro, sinto-me um marciano. (...) Lembro-me de um avô que era centauro, metade avô, metade aparelho para ouvir. Quando ele morreu pensei que fosse enterrado num cemitério de automóveis! Era um tipo giro. Uma vez trocou um carro por um casal de perus. Era uma família gira.
JL - Já não é?
ALA - As pessoas têm a mania de morrer. Quanto à irreverência, acho que fui bem comportado durante tempo demais; o liceu, o internato, a guerra.
JL - Qual é para si a coisa mais importante?
ALA - Estar vivo!
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano III, nº 72, Novembro de 1983)

OJ - É sempre fiel a si próprio?
ALA - Sim, os livros que eu escrevo estão cheios de contradições que respondem às minhas contradições e às contradições que existem em todos nós, às forças contrárias que constantemente nos empurram em pólos opostos...
Eu penso que aquilo que faz com que nós continuemos vivos e capazes de criar é isso mesmo, uma inquietação constante. Sem ela não pode haver criação, quem não põe sempre, tudo em causa, arrisca-se a ter uma vida interior de três assoalhadas, num bairro económico (...)
(in O Jornal, 30 de Outubro de 1992)

4
Sobre literatura e literatos

JL – O que é para si um livro mau?
ALA - Pergunta encavacante! Bom, penso que é quando a pessoa esconde a incapacidade de fazer uma história atrás de elucubrações filosofantes. Se um escritor não agarra o leitor pelas tripas logo nas primeiras páginas, está feito ao bife. Céline é um desses, agarra-nos logo.
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano III, nº 72, Novembro de 1983)

V - Fale sobre escritores e críticos
ALA - Faz-me imensa confusão a polémica crítica versus escritores. O problema é muito simples: a maior parte dos escritores não sabe escrever e a maioria dos críticos não sabe ler. E também há muita ignorância e má-fé de parte a parte. A sensação que tenho é que ando há que tempos a ensinar os maus críticos a ler e não há meio de aprenderem. (...) faz-se mais recensões de livros do que verdadeiras tentativas de os entender (...)
V – Em sua opinião, por que nunca foi atribuído um Nobel à literatura de língua portuguesa?
ALA - Porque não o merecemos. O único escritor de língua portuguesa deste século a quem eu o daria era ao brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Há que ter a noção do nosso tamanho. Se não temos grandes políticos, grandes futebolistas, grandes pintores, grandes compositores, então por que é que havíamos de ter grandes escritores? Dizem que os temos... É possível, não sei quanto é que medem.
(in Visão, 26 de Setembro de 1996)

E – Qual é a função do crítico?
ALA - Numa coisa estou de acordo com o Borges, a função do crítico não é dizer “isto é bestial”, mas ajudar a pessoa a ler a porcaria do livro.
E - Acha que os padrões literários são baixos em Portugal?
ALA - Acho que sim. Já viu a quantidade de grandes escritores que há cá? Somos todos bestiais.
(in Expresso, 7 de Novembro de 1992)

No fundo, um escritor é um bocado um ladrão, um gatuno de sentimentos, de emoçoes, de rostos, de citações. Um livro é sempre feito de pequenos roubos com a vantagem de não sermos condenados
(in O Jornal, 30 de Outubro de 1992)

Eu penso que em literatura não há palavrões
(in Jornal de Letras, Artes e Ideias, 5 de Abril de 1998)

Custa-me conceber um poeta que nunca tenha feito amor. E às vezes quando leio certos prosadores portugueses, não têm esperma nenhum lá dentro, são tudo coisas que se passam dentro da cabeça. Pensam muito. E a literatura faz-se com palavra)
(in Público, 18 de Outubro de 1992)

(...) o que me interessa são pessoas que tenham uma espessura de vida. Interessa-me pouco o romance filosofante, esses livros imóveis onde as personagens são todas cérebro e não têm vida, nem sangue, nem esperma (...)
(in Diário de Notícia, 27 de Abril de 1994)

Tenho a sensação de que o público não tem a noção de que um livro nos custa os olhos da cara. Apanham a obra feita e não têm a noção do trabalho que aquilo levou. Passam por cima de uma frase, de um parágrafo que nos levou dias a apurar, e não dão por isso. Isto é quase um ofício de trevas.
(in Jornal de Letras, Artes e Ideais, ano V, nº 176, Novembro de 1985)

(...) muitas vezes, põem-se meninos e meninas de vinte anos a escrever críticas. E há outros que também escrevem romances. É muito raro aparecerem bons romances antes dos trinta anos, muito raro. Um tipo só se pode fazer uma coisa de jeito depois de ter passado pelas coisas. Se não viveu, os livros até podem estar “tecnologicamente” correctos, mas não há ali mais nada. A experiência de vida cada vez mais me parece fundamental(...)
(http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/lobo_antunes/ala81.html)
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