Data de Publicação: 5 de janeiro de 2006
Por: Vicente F. Júnior.
Dando continuidade à jornada do Guesa Errante pelos países africanos de Língua Portuguesa, mais uma vez o foco de nossa atenção se detém em Angola, país da costa ocidental da África, que foi uma colônia portuguesa até 1975. No que diz respeito à sétima arte, Angola não difere muito dos outros países que temos visitado, ou seja, apresenta uma cinematografia acentuadamente documental. Mas, fala-se num renascimento do cinema angolano. É o que podemos perceber com o êxito do filme O Herói (Angola, França, Portugal – 2004), do cineasta angolano Zezé Gamboa, no Festival de Sundance – um dos mais relevantes festivais de cinema independentes do mundo – vencedor do prêmio de melhor filme dramático estrangeiro na edição deste ano. O Herói também foi exibido durante a edição deste ano no Festival de Cinema de Londres, o que certamente facilitará a receptividade do filme angolano em outros festivais de cinema mundo afora.
O filme conta a história de Vitório, um soldado de 35 anos que perdeu uma perna em decorrência da explosão de uma mina. O foco da narrativa é o seu retorno a Luanda, após vinte anos de combate. O personagem Vitório é interpretado pelo ator senegalês Oumar Makena Diop. Em O Herói, podemos conferir também a atuação de duas atrizes brasileiras: Maria Ceiça e Neuza Borges, que fazem parte da trama secundária do filme, onde também se discute a corrupção política, o papel social da mulher e as diferenças de classes.
É importante destacar que Zezé Gamboa demorou doze anos para realizar O Herói, tendo ficado em cartaz apenas durante duas semanas. Agora, depois de premiado no Festival de Sundance, o filme volta a ser exibido nas telas.
Essa premiação só vem confirmar o tal ressurgimento do cinema angolano, visto que, ano passado, o filme Cidade Vazia, da cineasta Maria João Ganga, foi premiado em festivais de diversos países, dentre os quais podemos destacar o Festival de Cinema Africano em Milão, onde conquistou o 3º prêmio do festival e também o prêmio especial Cidade de Milão para o longa metragem mais votado do público.
Além desses, Cidade Vazia recebeu um prêmio atribuído por um júri de jovens no Festival Internacional de Filmes de Mulheres em Créteil (França) e outro prêmio especial do Júri no Festival de Paris. Em Angola, a cineasta recebeu o prêmio Cultura e Artes na secção Cinema e Audiovisuais. Foi exibido no Brasil ano passado, durante a 28ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Cidade Vazia
Um grupo de crianças refugiadas de guerra, acompanhadas por uma freira, segue num vôo rumo a Luanda, capital de Angola. Quando chegam ao aeroporto, N’dala, um menino de 12 anos, consegue fugir do grupo e parte para descobrir a cidade. Enquanto a freira empreende uma investigação na tentativa de encontrá-lo, acompanhamos N’dala em sua jornada pelas ruas movimentadas da capital. É lá que ele conhece o velho pescador Antônio, que o ajuda e com quem faz amizade. Também cruza com pessoas mal-intencionadas que tentam prejudicá-lo. O grande sonho do menino é voltar para a aldeia de onde teve de fugir e na qual seus pais foram mortos. O enredo proporciona um mergulho na conturbada situação política de Angola e nos efeitos da guerra para seus habitantes.
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