Data de Publicação: 3 de janeiro de 2006
O Natal é uma das poucas festividades difundidas no mundo todo. Comemora-se o nascimento do menino Jesus até em países onde a religião cristã não é predominante. Celebrada de diversas maneiras, a festa segue as tradições de cada lugar, cultuando lendas originárias de seus povos e misturando personagens fantásticos. A ceia, os enfeites das árvores, a figura que entrega os presentes e até o dia exato da comemoração variam em cada região do Planeta. Em comum, fica o espírito natalino, que transcende às tradições culturais e faz com que famílias e amigos se reúnam em clima de confraternização.
Muito mais do que uma festa, que alguns passaram a identificar, por uma ótica desvirtuada, com o consumismo dos nossos tempos, o Natal é uma data dedicada ao desarmamento dos espíritos e à fraternidade universal. É também uma chance de apostar no otimismo e na esperança, contrariando os que acham que o mundo não tem mais jeito. É preciso acreditar que a realidade, por mais sombria que seja, pode de todo modo ser transformada.
Afinal de contas, acima de todas as crenças passageiras, permanece viva a história do pobre carpinteiro que, há mais de dois mil anos, saiu de Nazaré no rumo de Belém, com a jovem mulher grávida sobre um burrico, para protagonizar uma história exemplar. Foi uma história das mais singelas. No entanto, transformou o mundo.
A epifania do nascimento de Cristo – que não é só uma louvação a Deus, mas também ao valor da vida humana – é uma lembrança especialmente oportuna no momento em que aumenta a consciência para a necessidade do combate à fome, à corrupção, às desigualdades sociais e à violência. Em todos os tempos, a paz é um tema que sempre está ligado à festa do Natal. Desde o ano de 2001, quando foi declarada a guerra ao terrorismo suicida, “uma guerra diferente das outras”, o tema da paz está sendo associado mais do que de costume à festa do nascimento de Jesus. Atualmente, com a insegurança que o terrorismo disseminou na Terra, há quase uma obsessão em se falar da paz, um bem que todo mundo deseja.
Sem dúvida, o nascimento de Jesus, que a festa de Natal se propõe a comemorar, é considerado pelos textos bíblicos como portador da paz. Os anjos proclamam “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Jesus é chamado “o Príncipe da Paz”. Shalom, termo hebraico para designar a paz, tornara-se a saudação que as pessoas se desejavam umas às outras.
Em várias passagens de sua vida, o próprio Jesus se refere à paz como ligada à sua missão. Como bom judeu, ao enviar os seus discípulos para uma missão, recomendou-lhes dizer primeiro, em qualquer casa em que entrassem: “Paz a esta casa!”
Despedindo-se dos apóstolos na última ceia, insistiu: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. E, quando já ressuscitado, foi-lhes ao encontro, saudou-os: “A paz esteja convosco”.
As profecias messiânicas associam freqüentemente a paz à justiça. As duas se abraçarão nos tempos messiânicos. “A paz é fruto da justiça”, uma de suas características.
O Natal é antes de tudo a festa do amor, sem o qual a própria justiça estaria sempre ameaçada pelo egoísmo de homens e mulheres. O individualismo e o egoísmo é que dão origem à discriminação, opressão, exploração, exclusão, causas de tanta insatisfação e violência, levando à revolta desesperada do terrorismo e à repressão vingativa dos privilegiados.
Quando cresceu, Jesus declarou, enfaticamente, no seu sermão mais conhecido, o Sermão da Montanha: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; desse modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes?... E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os pagãos a mesma cousa? Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.”
Poemas de NatalSão os poetas que nos ensinam que sempre é bom relembrar o que foi importante na infância. A primeira bicicleta, o primeiro dia na escola, o primeiro grande herói, bom, generoso e inatingível: Papai Noel.
Quem, um dia, não ficou fascinado com as proezas do velhinho de roupas vermelhas e longas barbas brancas que, nas noites de Natal, distribuía presentes?
Até para os que já passaram para o rol dos adultos, a lembrança romântica dos tempos em que escreviam cartinhas carinhosas para o velhinho do Pólo Norte permanece. Eram tempos distintos dos atuais, em que as crianças desconfiam daquilo que não podem constatar e têm um contato direto com a realidade e a constante exploração do potencial de venda do Papai Noel nas campanhas publicitárias de Natal. Nos pais, surge a dúvida: ainda se deve estimular nas crianças a fantasia de Papai Noel? Uma mistura bem dosada de fantasia e realidade parece ser a receita ideal sugerida por profissionais que estão em constante contato com o universo infantil.
As poesias e as primeiras cantigas de Natal que se conhecem foram compostas pelos evangelizadores no século V, com a finalidade de levar a Boa Nova aos aldeãos e camponeses que não sabiam ler. Suas letras falavam em linguagem popular sobre o mistério da encarnação e estavam inspiradas na liturgia do Natal. Chamavam-se “villanus” ao aldeão e com o tempo o nome mudou para “vilancicos” (do espanhol “villancicos”). Estas falam em um tom simples e engenhoso dos sentimentos da Virgem Maria e dos pastores ante o nascimento de Cristo. No século XIII, estendem-se por todo o mundo junto com os presépios de São Francisco de Assis.
Cantar cantigas de Natal é um modo de demonstrar alegria e gratidão a Jesus e escutá-las durante o Advento ajuda à preparação do coração para o acontecimento do Natal.
Em todo o canto do Planeta que se comemora o nascimento de Jesus Cristo há enfeites, presentes, ceias típicas, família reunida. É época de celebrar, cada um do seu jeito. E é isto que faz lembrar de alguns textos de reflexão sobre o espírito natalino, como O Peru de Natal, de Mário de Andrade; O que Fizeram do Natal, de Carlos Drummond de Andrade, e Poema de Natal, de Vinicius de Morais, cuja primeira estrofe é esta:
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
[...]A saga da estrela de BelémMontados em seus camelos, os três reis magos – Gaspar, Baltazar e Melquior – atravessam o deserto rumo à cidade de Belém, guiados por uma estrela brilhante que surge no horizonte leste, sempre adiante deles, até pairar sobre as colinas de Belém, anunciando o nascimento de Jesus Cristo. Essa é uma imagem conhecida, reproduzida em enfeites natalinos, cartões de Natal e até em selos postais.
Há séculos, os astrônomos especulam o que seria aquela estrela mágica. Alguns cientistas explicam que há três tipos de fenômenos astronômicos que poderiam ter sido associados pelos antigos com a vinda de um Messias. Assim, a estrela dos Magos poderia ser um grande cometa, cuja aparição era associada ao nascimento e morte dos reis; uma supernova, astro que explode aparecendo subitamente no céu, ou uma conjunção de planetas, fenômeno no qual dois ou mais planetas ficam alinhados, parecendo se sobrepor no céu.
No Natal de 1603, o astrônomo Johannes Kepler calculou as posições relativas dos vários planetas e descobriu que uma conjunção desse tipo, juntando no céu os planetas Marte, Júpiter e Saturno, ocorreu no ano 6 antes de Cristo. Isso coincide com a data de nascimento de Cristo, que não nasceu no dia 25 de dezembro e nem no ano zero como se imagina. Foi um erro cometido pelo monge romano Dionisius Exiguuos que levou os cristãos a iniciar seu calendário na verdade seis anos depois da verdadeira data do nascimento de Cristo. Na verdade, a Bíblia conta que os reis magos falaram com Herodes, o rei dos Judeus, a caminho de Belém. Herodes morreu no ano 4 antes de Cristo.
A hipótese da conjunção de planetas fascinou Kepler. A conjunção do ano 6 antes de Cristo ocorreu na constelação de Peixes, e o peixe mais tarde se tornou um dos símbolos do Cristianismo. Em Roma, na Grécia e na Pérsia, os planetas Júpiter e Saturno eram associados à realeza e, para os judeus, uma conjunção desses planetas em Peixes era sinal da chegada de um poderoso rei, motivo suficiente para levar os três reis magos em sua peregrinação a Belém e impressionar Herodes, a ponto de ele ordenar o massacre dos recém-nascidos, temendo futura concorrência. Além disso, em 6 antes de Cristo, houve três conjunções planetárias. A primeira no dia 29 de maio, segundo os cálculos de Kepler, levando os reis magos a se prepararem para a viagem. Na segunda conjunção, no dia 6 de outubro, eles partiram para Belém e lá chegaram em 4 de dezembro, quando ocorreu a terceira conjunção. Três reis magos e três planetas unidos no céu é algo bastante simbólico.
Mas a estrela dos Magos também pode ter sido um cometa. Cometas aparecem de repente e nada impede que um imenso cometa tenha brilhado no céu, em 6 anos antes de Cristo. Um cometa igual ao que apareceu em 1910 e que foi confundido com o Halley, que também aparecera naquele ano.
Ao se aproximar do Sol, o cometa do ano 6 teria aparecido como uma bola luminosa sobre o horizonte leste, um pouco antes do nascer do Sol. Sua imensa cauda estender-se-ia pelo céu como um rio de luz pálida a apontar o caminho de Belém. A hipótese do cometa é difícil de checar porque alguns cometas, ao contrário do Halley, surgem e desaparecem para nunca mais voltar. O Halley, que volta uma vez a cada 76 anos, passou pela Terra no ano 11 antes de Cristo, surgindo ao norte das estrelas Castor e Pólux, na constelação de Gêmeos, bem alto acima de Belém. Só que isso aconteceu cinco anos antes do nascimento de Cristo.
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