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Edição 121

Editorial

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Data de Publicação: 3 de janeiro de 2006
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Um escritor, mesmo antes que sejam abertas as primeiras páginas dos livros que escreveu e publicou, cria na alma do leitor uma indefinida expectativa, mas também uma fruição antecipada, pelo que os títulos oferecem.

No caso específico do contista e novelista Luiz de Mello, essa viagem anterior ao livro se faz com o paradoxo do título de sua primeira obra contística Meridiano Oposto, de 1989, e àquela que dá título aos contos enigmáticos Os Segredos de Guímel, obra publicada em 1995.

Na realidade, ao final da leitura dos contos que compõem essas duas obras de realidades ficcionais, a sensação que permanece na alma dos leitores é aquela eterna indagação que nos atormenta dia e noite: somos de fato a realidade que nos supomos ser ou somos o que sonhamos veladamente ser?

Centrado numa linha ficcional experimental, marginal, Luiz de Mello traz ao cenário do conto brasileiro um componente diferenciado, quando instaura uma nova maneira de narrar, que tem por base o inusitado universo do realismo fantástico.

O surrealismo de Luiz de Mello beira a margem do inconsciente coletivo e da loucura e trafega pelo monólogo interior, onde as vias de acesso para comunicação entre os seres humanos estão interditadas por sinais de trânsito da linguagem que bloqueiam as saídas para as avenidas da hipocrisia.

Assinando o texto da página 2, desta edição, o jornalista e escritor Manuel dos Santos Neto fixa com todas as letras o perfil de um escritor tão belamente analisado, também, pelos escritores Arlete Nogueira da Cruz e Ubiratan Teixeira.

Ao trabalho de criação literária de Luiz de Mello acrescente-se a experiência do homem erudito e culto que ele tem demonstrado ser, através do pioneirismo e desbravamento que suas pesquisas revelam, como no caso específico da obra Cronologia das Artes Plásticas no Maranhão.

Na página de Cinema, Vicente Júnior retorna ao diretor de 9 Canções, Michael Winterbottom, para analisar a parte mais consistente do trabalho do autor de outro filme intitulado Neste Mundo, obra sem dúvida de maior expressividade e que deu ao seu autor inúmeros prêmios.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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