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Edição 118

A Praça Deodoro abrigava as festas do antigo Carnaval de São Luís

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Data de Publicação: 20 de janeiro de 2006
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A Praça Deodoro – antigo Largo do Quartel – é um amplo quadrilátero situado entre as velhas Rua do Sol e da Paz, confrontando ao norte com a Praça do Panteon.

O nome da Praça é uma homenagem ao Proclamador da República e primeiro Presidente da República Provisória, o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892). No centro da Praça existe um busto em sua homenagem. Lá existiu o Quartel do 5º Batalhão de Infantaria, erigido em 1797, e que depois deu lugar ao imponente prédio da Biblioteca Pública do Estado.

Além de Largo do Quartel, a Praça Deodoro também teve o nome de Praça da Independência, de acordo com resolução da Câmara Municipal, em edital de 13 de agosto de 1868.

No centro da praça, a Companhia das Águas do Anil, autorizada a funcionar pela lei provincial nº 287, de 4 de dezembro de 1850, instalou um dos seus chafarizes.

No livro Breve História das Ruas de São Luís, Domingos Vieira Filho informa que, em tempos recuados, o Largo dos Quartéis, como o denominava o povo e consta da relação organizada por Antônio Rego em 1865, se constituía, nos três dias de carnaval, em ponto máximo de atração da cidade. “Por então, o carnaval de rua dominava soberano e dava gosto participar do movimentado corso e sair pelas ruas engrossando o bando de mascarados e entrudando os incautos.

Para o largo dos Quartéis convergiam, assim, todas as brincadeiras de caninha-verde e de fandango, os ursos, os estrepitosos baralhos, os fofões guisalhantes com suas carecas e narizes medonhos, tudo enfim se concentrava numa folia animada, a que vez por outra não faltavam entreveros com pauladas e correrias.

As famílias iam apreciar a passagem dos carros alegóricos pela Rua dos Remédios sentadas em cadeiras nas calçadas que molecotes levavam à cabeça, aos pinotes e guinchos. Sucediam-se batalhas de confetes e tiroteios de cabacinhas e limas de cheiro, de envolta com outros materiais menos odorantes. Havia barracas de sorte com a roleta e o jaburu e todo um arsenal de comedorias, com negras gordas anafadas em largas saias e casacões rendados, o clássico raminho de arruda no alto da cabeça, entre os dentes do rico atracador de tartaruga, para conjurar maus olhados, e ainda os tabuleiros abarrotados de guloseimas. Havia venda de garapa, de filhozes em caldas, de gengibirra, de rolete de cana, de derresol, de alfelôs macios e saborosos que se derretiam na boca. E o obrigatório, pelo menos naquele tempo de menino, o carrossel do Baltazar corcunda, encanto da meninada, acionado a braço de negro, girando sereno com seus cavalos de massa e suas carruagens duras”.

Com a minuciosa pesquisa que fez para compor, à sua maneira, um itinerário sentimental de São Luís, Domingos Vieira Filho relata que, no ano de 1906, houve uma novidade no antigo Largo do Quartel: um presépio campal artisticamente armado pelo comerciante Tomás Rosas, dono do “Café Chinês”. Foi um sucesso e o povo afluiu em massa para contemplar o suave mistério da natividade do Senhor.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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