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Edição 118

Editorial

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Data de Publicação: 20 de janeiro de 2006
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Sob a forma de introdução à Poesia Maranhense Contemporânea, as edições 116 e 118 do Guesa fecham um pequeno estudo de abertura à análise que será feita, a partir do próximo número, sobre os poetas maranhenses que, atualmente, optaram pelo desvio da poesia convencional para a poesia experimental ou marginal.

O assunto, ressalte-se, já foi tratado anteriormente em algumas edições, sem um objetivo específico como o de agora. Conferir os Anuários I e II.

Se na edição anterior a escolha recaiu sobre os poetas goliardos ou monges vagantes da Alemanha, de onde surgiu como conseqüência toda a poética marginal de Jack Kerouac e Allan Gisberg, etc. e, anteriormente, falamos dos poetas transracionais russos, a presente edição escolhe E.E. Cummings, como poeta paradigma, porque é único e insuperável na poesia experimental ou marginal produzida no século XX.

A poética de Cummings tem ponto de contato com o haicai japonês, com a poesia ideogramática chinesa de Li-Tai-Po e com os transracionais russos. Daqui, então, abre-se um leque para um estudo preliminar da Literatura Maranhense contemporânea.

O jornalista e escritor Manuel Santos Neto, com a sua feliz idéia de resgatar o universo poético das ruas e praças de São Luís, traz ao leitor maranhense as histórias de duas praças que são importantíssimas para que se possa conhecer a História do Maranhão, a partir de sua tradição secular dos logradouros públicos, que traduzem o mapeamento dos bastidores da vida do povo maranhense.

A praça João Lisboa tem o poder transformador espontâneo representado pelo Senadinho da Praça, que reúne ao longo de décadas pessoas da terceira idade que expressam, como formadores de opinião, as mais diversificadas concepções sobre o dia-a-dia da cidade. Desse ponto de vista, eles são autênticos continuadores da maior expressão do jornalismo literário e cultural do Maranhão, João Francisco Lisboa, homem de personalidade inabalável que, até a morte, lutou, através do Timon Maranhense, pelo exercício de uma política ideológica constitucional compatível com o ideário dos povos civilizados, onde a corrupção seria abolida do processo eleitoral.

A praça Deodoro é, tradicionalmente, uma representação do estatuto democrático popular, pois é lá que acontecem há décadas os comícios que consagram o exercício das lutas de classes, sendo palco de greves e manifestações diversas.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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