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Edição 116

CAZUZA: O TEMPO NÃO PÁRA

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Data de Publicação: 20 de janeiro de 2006
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Por: Daniel Marcolino

Criticar a produção do cinema brasileiro é sempre uma tarefa que nos põe numa encruzilhada angustiante, situação constrangedora como ferirmos com palavras duras alguém já doente ou muito tímido e que só depois percebemos sua inocência. Pois é, a crítica brasileira costuma ser pouco conivente com os ‘nossos’ filmes, uma espécie de exigência, às vezes, sádica, uma vez que...uma vez nada. Não quero falar sobre isso, quedar-me na exata medida da virtude grega. Minha vontade é de fazer o mesmo, lascar o pau nessa porra de filme besta, feito pela mãe da puta que o pariu. Mas, antes disso, ficamos contentes de termos nas salas de cinema do país, inclusive no interior de tal vítreo país, mesmo que seja em salas-extensão de lojas e restaurantes feitos para a boa e inócua gente que passeia em shoppings, mesmo em remotas cidades como esta, esses cinemas de cidades perfeitas (shoppings). Mas, não só ali, nas locadoras das cidades de todo o país também esses filmes brasileiros, esses filmes alienigenamente brasileiros. Isso é muito bom para visualizarmos nosso rosto de brasileiro na ‘instância artística’ de mote universal, saindo da esfera folclórica de espetáculo espontâneo como planta, mato, quero dizer. O filme não mente com seu título neon, o filme é sobre o cazuza mesmo. Frejat? Quem é esse cara de nome estranho? Ah, um invejoso e inseguro, e frustrado componente da banda. Talvez seja até evangélico, se bobear. Se ele sabe cantar, acho que não. E o guitarrista, o Bell? Uma criança assustada. Tinha algum outro componente? Deixa ver...Acho que não...A banda era feita de ausências e uma presença: CAZUZA. A direção é de quem mesmo? Da mãe do cazuza, não, acho que não! Talvez seja de alguém que precisa respeitar mais um fatum, e esse é o seguinte: Aquilo que o Zeca (Emílio de Melo) falou no filme, aliás, a melhor coisa do filme, boa mesmo o Emílio de Melo, ele diz que há uma equipe boa fazendo o Barão Vermelho acontecer, que o grupo não é só o CAZUZA. Frejat, por exemplo, lembra? É ele quem assina todas as músicas do grupo (Querem mais? Tem um vozerão que embala bem os blues do time: ‘Eu ontem fui dormir todo encolhido...’), junto com o “cazuza” “cazuza” “cazuza” “cazuza” “cazuza”. Querem mais neon, out-door? CAZUZA!!!!! E as músicas selecionadas para o filme? Puta que pariu! Praticamente só aquelas que chamam de hits, que todos conhecem por tocarem até em rodas quadradas de pagode. Será que há populismo aí? De qualquer forma, havendo intencionalidade ou não, lasca tudo, a memória, a coisa do alternativo, do que a banda representa para o rock brasileiro e tudo, tudo o mais.

Queria ainda falar de alguns planos do filme, de uma câmera na mão, na praia, uma câmera louca, desvairadamente amadora (se aquilo lá foi idéia de Walter Carvalho, duvido) quando Cazuza recebe a notícia de que está com AIDS. Quem está com AIDS é esse filme maternalmente estúpido que só passa porque afinal de contas somos brasileiros e gostamos do Barão...

Poderia hablar sobre muchas cosas más, pero...estou cansado e acho que já basta! Bem, viva o cinema brasileiro...seja lá o que significa isso!!!
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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