Data de Publicação: 20 de janeiro de 2006
Inaugura-se com esta edição uma série de textos definidores, mas não definitivos, sobre o atual panorama da Literatura Maranhense no contexto da Brasileira e da Universal. Dar-se-á ênfase aos poemas, dado que os maranhenses estão mais vocacionados, por tradição, antes para os versos que para a prosa, antes à poesia em versos, que à poesia em prosa. Mas tudo ao final vai dar no poema quer em versos quer em prosa. E, como prioridade, a busca da poesia do 3º Milênio.
Busca-se a pulsação de uma poética transgressora, marginal, experimental, cujas conseqüências sejam imprevisíveis e ilimitadas.
Sim, o que se pretende é instaurar um diálogo com as várias vertentes dos textos considerados malditos, que são uma conseqüência dos textos das Carmina Burana (Canções ou Poesias dos Monges Goliardos Vagantes) escritas no século XIII, na Alemanha, pelos primeiros poetas pés-na-estrada de que se tem conhecimento na história das Letras e da Coena Cypriani (A Ceia ou Janta de Ciprião), obra medieval satírica, irônica, paródica.
Tal inventário passará pelos grupos e movimentos literários: Hora de Guarnicê, Párias, Poeme-se, Carranca, Festival de Poesia Falada, Fanzine Gripe e outros similares, bem como pelas publicações mais recentes de poetas novos, para que se possa conhecer a poesia que vai às ruas e dialoga com as massas. Não há como omitir-se diante dessas poéticas estranhas, desfamiliarizadas e desenraizadas.
O escritor Manuel dos Santos Neto amplia, nesta edição, a leitura que vem desenvolvendo sobre o Universo Poético de São Luís, com referências preliminares àqueles que, do ponto de vista moderno contribuíram para dar melhor visibilidade poética da Ilha de São Luís. Ele aponta, oportunamente, como exemplo a leitura que Walter Benjamim faz da cidade de Paris, através da obra As Flores do Mal, de Baudelaire, utilizando como pretexto a atividade do flaneur. Com base nesse paradigma, ele começa a rastrear a história de São Luís, através de uma leitura alegórica das ruas, escadarias, becos, ruelas, praças, avenidas, sobradões e monumentos que compõem o patrimônio arquitetônico de São Luís.
Na página de Cinema, Daniel Marcolino faz uma crítica sobre o filme Cazuza. É mais um desabafo de quem conhece a arte cinematográfica e lamenta que uma história tão expressiva para a música brasileira, como a do Barão Vermelho, tenha-se fragmentado ao ponto de desencantá-lo.
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