Anuário #01 - São Luís, 2003
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Manuel Rui Alves
Cochat Osório
Angola: dos porões dos navios negreiros a uma literatura de resistência e transcendência (II)

Edição 42

Manuel Rui Alves

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Data de Publicação: 2 de dezembro de 2005
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Manuel Rui Alves Monteiro nasceu no Huambo, Angola, em 1941, tendo vivido durante anos em Coimbra, onde se licenciou em Direito. Em Portugal, foi advogado e membro da direção da revista Vértice, da qual foi colaborador. Regressou a Angola em 1974, onde ocupou diversos cargos políticos, tendo sido Ministro da Informação do Governo de Transição. Foi também professor universitário e Reitor da Universidade de Huambo e, posteriormente, funcionário superior da Diamang, exercendo novamente atividades jurídicas. É um dos principais ficcionistas Angolanos.

Obra poética:

Poesia sem Notícias, 1967, Porto, e. a.; A Onda, 1973, Coimbra, Ed. Centelha; 11 Poemas em Novembro (Ano Um), 1976, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 11 Poemas em Novembro (Ano Dois), 1977, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 11 Poemas em Novembro (Ano Três), 1978, Luanda, União dos Escritores Angolanos; Agricultura, 1978, Luanda, Ed. Conselho Nacional de Cultura / Instituto Angolano do Livro; 11 Poemas em Novembro (Ano Quatro), 1979, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 11 Poemas em Novembro (Ano Cinco), 1980, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 11 Poemas em Novembro (Ano Seis), 1981, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 11 Poemas em Novembro (Ano Sete), 1984, Luanda, União dos Escritores Angolanos; Cinco Vezes Onze Poemas em Novembro (Reúne os 5 primeiros livros da série 11 Poemas em Novembro), 1985, Lisboa, Edições 70; 11 Poemas em Novembro (Ano Oito), 1988, Luanda, União dos Escritores Angolanos; Assalto, Lisboa, Plátano Editora.

Mar novo
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2
Mas é novo este azul tela rasgada
é novo o nosso olhar.
É nova esta forma gestual de espuma
feita sabor de amor de guerra e de vitória
em nossas bocas férteis em nossas pálpebras
de antigo medo clandestino
soletrando a lágrima
quando era o nosso mar recordação também
escravizada:
caminho secular de ir e não vir.
...................................................................................
5
E é bom verificar as mãos. Principalmente
as nossas mãos umedecidas pelo mar.
As mãos que tocam as coisas
As mãos que fazem as coisas
As mãos. As mãos terminal de carga
e de descarga do nosso pensamento
As mãos mergulhadas sob a água.
na (re)descoberta tímida das essências
no pulsar submarino de uma nova esperança.
6
Tudo é fugaz
entre o desenho do teu pé na areia
e a onda que desfaz
a marca

Entre a guerra e a paz
retorno fisicamente o poema a onda
constante meditação primeira.

Nós e as coisas.

Nada permanece que não seja
para a necessária mudança.
Que o diga o mar.

(Cinco vezes onze - poemas em novembro)
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