Anuário #01 - São Luís, 2003
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A Camareira do Titanic
A Deusa dos Pés Descalços
A Embaixatriz Cultural de Cabo Verde: Do Regional para o Universal
Editorial
Cabo Verde: Correspondência poética da África

Edição 20

Editorial

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Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
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As ilhas e arquipélagos sempre inspiraram grandes obras poéticas do canto univer-sal. A ilha de Ítaca, na Grécia, é o berço do insuperável romance-poema épico Odisséia, de Homero; a ilha de Irlanda é a pátria do monumental romance arquetípico Ulisses, de James Joyce; a ilha de St. Lucia, no arquipélago das Pequenas Antilhas, no mar do Caribe, inspirou o poema-romance Omeros, de Derek Walcott, que lhe valeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1992; a ilha de São Luís tem inspirado consecutivamente poetas, cuja linguagem de alta voltagem transita por territórios sem fronteiras da criação literária, entre eles, Ferreira Gullar, com Poema Sujo; José Chagas, com Os Canhões do Silêncio, Os Telhados, Maré Memória; Bandeira Tribuzi, com significativa parte de sua obra, particularmente Memorial do Longo Tempo e Nauro Machado, com Lamparina da Aurora, sendo que o tema São Luís é recorrente e perpassa pelas suas obras completas. Mais recentemente Luís Augusto Cassas integra-se a essa epifania com Ópera Barroca.

Esta edição do Guesa Errante é especificamente sobre um dos países de raiz românica ou neolatina, Cabo Verde que, apesar de não se significar em Português, fala, se escreve e se inscreve no Dialeto Caboverdiano que é um sincretismo resultante do trânsito marítimo dos invasores, entre eles portugueses, franceses. Esse fusionismo dialetal incorpora ao português, morfologia, ortografia, fonética e semântica de origem africana, italiana, espanhola, francesa, romena, dentre outras.

O Arquipélago de Cabo Verde tem uma literatura bastante expressiva, tanto do ponto de vista do cancioneiro popular e do folclore, que está registrado no Dialeto Caboverdiano, quanto da literatura em língua de cultura, que se significa em Língua Portuguesa.

Cesaria Evora, embaixatriz cultural de Cabo Verde, de fato, mostra, através das canções que interpreta, todo esse potencial telúrico e, à medida que se universaliza, torna também universal a cultura e a música de seu povo, dando-lhe uma dimensão que não tem fronteiras. O poeta, jornalista e compositor Cesar Teixeira a celebra na página n 2, destacando-lhe o merecido título ou apelido carinhoso de “Billie Hollynight” ou o mais popular Cize.Vale dizer que

Cesar Teixeira foi merecidamente contemplado com prêmio conferido pela Fundação de Cultura do Maranhão pela matéria Zé Igarapé – O Gigante do Bumba-Boi da Madre Deus, publicada no Guesa.

Entre os poetas mais expressivos de Cabo Verde, destacam-se, dentre outros, Aguinaldo Fonseca, Arnaldo França, Yolanda Morazzo, João Rodrigues, Oswaldo Osório, Mário Fonseca, Vera Duarte, José Vicente Lopes, José Luiz Hopffer Almada, Valdemar Valentino Velhinho, Euricles Rodrigues e Mário Lúcio.

Em virtude de inexistência de uma consistente matéria cinematográfica sobre Cabo Verde, desta área de domínio de conhecimento, o Guesa tratará, na próxima edição, sobre o assunto. Frederico Machado, na página 4, apresenta excelente matéria sobre a controvertida obra do cineasta catalão Bigas Luna.

O grupo que integra a equipe Guesa Errante, composto por Alberico Carneiro, Marcelo Araújo, Cesar Teixeira, Frederico Machado, Teixeira Araújo,Vanessa Serra e Wilson Caju homenageia, com esta edição,a coordenadora deste suplemento, Josilda Bogéa Anchieta, não só porque muda de idade neste 13 de julho, mas principalmente como reconhecimento pelo seu trabalho beneditino, anônimo, ao exercitar seu olho clínico na seleção e copidescagem de textos das edições Guesa, em que aplica os conhecimentos adquiridos no Colégio Santa Tereza e na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Maranhão, UFMA,sendo marcante seu desempenho tanto no cuidado quanto à revisão e copidescagem, quanto na seleção de textos literários, cujas sugestões têm a marca de refinada intuição e conhecimento.
Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante
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