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Editorial
Cabo Verde: Correspondência poética da África

Edição 20

Cabo Verde: Correspondência poética da África

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Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
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Perfil histórico de Cabo Verde

O Arquipéla-go de Cabo Verde era desabitado, porém, com a expansão mercantil de Portugal, ao longo do século XV, transforma-se em entreposto de escravos capturados no continente africano, transformando-se num corredor por onde passaram e onde estiveram ingleses, franceses, alemães, espanhóis e italianos.

Segundo Benjamin Abdala Júnior e Maria Aparecida Paschoalin, na História Social da Literatura Portuguesa, Editora Ática, São Paulo, 1985, pp. 185 a 187, A penetração Portuguesa não teve maiores dificuldades até meados do século XVII.Nesta época, a rainha Zinga, de Angola, aliou-se aos holandeses contra os portugueses. Estes, entretanto, venceram os angolanos com auxílio de colonos brasileiros.

A partir desse momento, Portugal viu-se obrigado a efetivar cada vez mais um domínio militar nas colônias africanas.

Em meados do século XIX, o trabalho escravo mostrou-se improdutivo diante do desenvolvimento capitalista: proíbe-se, então, o sistema escravocrata.

As grandes potências européias mais desenvolvidas dentro do capitalismo substituíam a política colonialista pela imperialista: ela era mais econômica e criava uma ilusão de autonomia que evitava despesas administrativas e reduzia as militares. Portugal, entretanto, não renovou, pois possuía uma estrutura sócio-econômica atrasada e dependente dos países europeus mais adiantados, em especial da Inglaterra.

Não interessava às grandes potências a continuação do império colonial português. Pretendiam explorá-lo diretamente sem intermediários. Portugal dominava na época, de forma efetiva, apenas as faixas litorâneas de seus territórios no continente africano.

Foi um período de grandes transformações e da criação de uma embrionária consciência nacional, o que não interessava aos colonialistas. Como conseqüência, a metrópole vai desenvolver, a partir dessa época, uma política para desagregar qualquer grupo que pudesse vir a contestar o estatuto colonial desses países e continuou a mantê-los no mais completo obscurantismo. No início do século XX, já se registrava uma decadência quase total dessa burguesia crioula e das atividades econômicas e culturais, com ela identificadas.
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