Kiki Lima, Um Artista Multiplicado pela Raiz

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Dono de uma fluidez cromá-tica rara, o artista plástico caboverdiano Kiki Lima alcançou merecido sucesso com exposições realizadas em vários países, mostrando, através de suas telas, as tradições de seu povo, em cenas cotidianas de trabalho e festa, tudo com grande acento nostálgico.

Além de pintor, escultor e designer, Kiki Lima é também compositor e intérprete. Talvez por isso a sua obra, expressionista e de grande luminosidade, pareça reproduzir o alegre e ao mesmo tempo morno sentimento musical do Arquipélago de Cabo Verde.

Artista plural, nascido na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, em abril de 1953, Kiki Lima destacou-se no mundo das artes plásticas, sobretudo como pintor, mas é também reconhecido como poeta, compositor e intérprete da música tradicional caboverdiana, com dois discos editados.

Foi para Lisboa, em 1983, estudar Direito, porém, dois anos depois, dedica-se exclusivamente ao curso de Design de Comunicação da Escola Superior de Belas Artes, licenciando-se em 1990.

Nesse período, consegue apurar a sua arte pictórica, resgatando em sua temática as raízes culturais do Arquipélago de Cabo Verde. São vendedoras de peixe, cenas de bailes populares, boêmios em mesas de bar, etc.

Uma arte luminosa – Kiki Lima iniciou-se nas artes plásticas desde 1974, centralizando suas atividades em torno da pintura e escultura. Logo a qualidade do seu trabalho o tornou conhecido em quase todo o mundo.

Realizou dezenas de exposições individuais e participou de mais de cem coletivas em Cabo Verde, Brasil, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Luxemburgo, Macau, Portugal e Suíça.

A textura expressionista de Kiki, os contornos ágeis e as cores fauves são ingredientes que transmitem uma luminosidade comum a toda sua obra de exuberante lirismo ilhéu.

Ele é também um requisitado escultor, sendo um dos seus trabalhos mais conhecidos o busto em bronze do poeta caboverdiano Januário Leite, instalado numa escola da Ilha de Santo Antão.

Projetou a Moeda Comemorativa do XX Aniversário da Independência de Cabo Verde (1975-1995) para o Banco de Cabo Verde, além do painel do frontispício do Pavilhão de Cabo Verde na EXPO’98.

Crítica favorável – Segundo Reinaldo Barros, licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a pintura de Kiki Lima “cativa-nos pela cumplicidade afetiva que estabelece, num diálogo imediato de que só o caráter universalizante de toda a verdadeira arte, na sua mais elevada acepção, torna possível”.

Kiki Lima, que continua morando em Portugal, tem sido bem acolhido pela crítica não só como artista, mas também como organizador e incentivador das artes em Cabo Verde.

Recebeu o Prêmio Prestígio Ai-Ué 92 e 1ª Classe Medalha Vulcão em Cabo Verde, como reconhecimento pela sua relevante contribuição para o enriquecimento do patrimônio artístico nacional.

Em 1994, foi Comissário para a Mostra da Arte Caboverdiana (artes plásticas, artesanato, fotografia, literatura e música) no Congresso dos Quadros Caboverdianos da Diáspora – Culturgest, Lisboa.

Também está presente em coleções particulares e públicas, entre outras, Portugal Telecom, Bayer, Assembléia Nacional de Cabo Verde, Palácio do Governo de Cabo Verde, e vários Ministérios e Câmaras, em Cabo Verde e Portugal.

Pincéis musicais – A fluidez da pintura de Kiki Lima talvez respire a musicalidade que ele apreendeu nas ilhas de Cabo Verde.

Compositor e intérprete, com dois discos gravados em Portugal (“Tchuva” e “Midj ma Tambor”) é pesquisador, tendo realizado palestras sobre a música caboverdiana em estabelecimentos de ensino portugueses, como a Universidade Aberta, além de escolas secundárias e preparatórias.

Suas telas estão impregnadas de uma atmosfera festiva, mas ao mesmo tempo nostálgica, como as cantigas caboverdianas, as mornas.

O poeta e crítico de arte Eduardo Nascimento, diretor da Galeria Municipal Artur Bual (Lisboa) também identifica em sua obra essa que parece ser “a imagem nostálgica que Kiki Lima executa num trato de pincel de grande maré cheia”.