Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
Só se pode sentir o pulsar do coração de um povo depois de intensa dor. E, neste sen-tido, a morte pode ser vista como renascimento. Assim, Cabo Verde caminhou pela senda do sofrimento por séculos, anônimo e obscuro Arquipélago desabitado, té que colonizadores levaram para lá escravos e degredados, seus primeiros habitantes e, daí, tudo começou entre ilhas, homens, mulheres e crianças, como ilhas, vidas escravas de entrepostos do trânsito e do tráfego universal marítimo, nódoa eterna, da qual se livraram santos e poetas.
Degredados africanos, respirando o ar puro do mar, oxigênio, algemados na desolassidão e na silencidão oceânica de ilhas, arquipélagos e Antilhas, silabando a língua mater africana mesclada com outras, vômito de outras pátrias,escravas da latina, na latrina das línguas românicas. Mas a dor trouxe vários outros sentimentos em jogo, a nostalgia, o saudosismo, a melancolia, e isto tem algo muito profundo a ver com o Brasil e, assim, esta pátria caboverdiana reedita em si a verídica História do Brasil, que não está nos livros editada até hoje, fatal paródia, transitando e traduzindo-se ao Mundo na poesia mais belamente escrita e publicada, transformando feridas em flores, estas que recebemos sobre o Atlântico, onde se encontram o povo caboverdiano e o brasileiro, estendidas as mãos, entrelaçados os dedos, cruzados os sentimentos e cimentados os corações, beijando-se na mesma e única dor da vontade e necessidade de confraternização universal.
Vou-me embora pra Cabo Verde,
aqui eu não sou feliz,
melhor tentar outro Arquipélago,
outra ilha, outro país,
ir embora, cair fora,
mandando fora o país dos políticos
e voltar para casa,
o único país, Pasárgada.
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