Anuário #02 - São Luís, 2004
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Os tortuosos caminhos do desejo
Cravo Bem Temperado
Crítico indignado
OSWALDINO MARQUES: A sabedoria que clama do exílio
Editorial

Edição 57

Crítico indignado

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Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
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Por: Sérgio de Sá *
(Da equipe do Correio)


“Não freqüento nada, não quero nada.” A algumas coisas tem horror: televisão, jornal e academias literárias, por exemplo. Deve abrir uma concessão hoje para comprar jornal porque é um homem organizado. Tem guardados com cuidado os 16 livros que publicou, as obras que ganhou autografadas por seus ilustres amigos, as fotos formais ao lado de Roman Jakobson, em Brasília e, obviamente, as reportagens que lhe foram dedicadas.

Rodeado de seis mil livros (raros alguns), discos (eruditos quase todos) e quadros (reproduções de Vermeer, Goya, Van Gogh; original de Rubem Valentim), Oswaldino Marques, que adora uma polêmica, bate pé firme por suas idéias e por seus ideais. Maranhense e marxista, acredita: “O materialismo dialético irá apontar uma possível solução para os problemas humanos mais urgentes.”

Ele reclama da memória, mas na verdade não poderia fazê-lo. Sabe precisamente onde estão os versos admiráveis dos poemas de Wordsworth, Donne, Shelley, Keats e Yeats, entre outros, todos traduzidos por ele para a Língua Portuguesa. São suas, aliás, as primeiras traduções de As Núpcias do Céu e do Inferno, de William Blake, e de Quatro Quartetos, de T.S.Eliot.

Não pertence a academia de tipo algum. Mostra uma lista de quem não poderia estar na Academia Brasileira de Letras, índice de que não dá tanta desimportância assim. Em Brasília, recusou convite para participar de confraria similar. “Não tem nenhuma pessoa que me imponha respeito intelectual!”, atira.

(...) recebeu prêmios (Fábio Prado, Carlos de Laet, Euclides da Cunha), deu palestras, aulas, criticou. Em Brasília, chegou em 1965, convidado por Cyro dos Anjos para “dirigir a cadeira” de Teoria da Literatura , na Universidade de Brasília (UnB).

Estava entre os 280 professores que pediram demissão da UnB na fase mais negra da ditadura. “Voltei, então, para o Ministério da Educação como figura altamente perigosa.”, conta. Oswaldino, em seguida, foi designado para trabalhar no Instituto Nacional do Livro (INL). “Conheci o único general inteligente e competente, Humberto Peregrino, Diretor do INL.”, garante. Depois de instalar a Bsiblioteca Demonstrativa, ele seguiu para Madison, Wisconsin, EUA, onde deu aulas durante 5 anos.

Foi reintegrado à UnB quando Cristovam Buarque era Reitor. Aos 75 anos, ou seja, em 1991, foi aposentado compulsoriamente. A melancolia surge na voz. Desaparece, contudo, quando fala do livro O Laboratório Poético de Cassiano Ricardo – referencial importante na trajetória analítica da Literatura Brasileira – e dos ensaios de crítica literária, publicados em 1989, pela Editora Perspectiva, sob o título Acoplagem no Espaço.

Seu caminho teórico começa no new criticism, corrente em evidência nos Estados Unidos e na Inglaterra nas décadas de 30 e 40, que privilegiava os elementos internos à obra, sua autonomia. Nada mais natural, a sua ligação precoce com a nova crítica. O contato de Oswaldino Marques com o mundo de língua inglesa percorreu toda a vida.(...)

(...) Homem apaixonado por música, que optou, dentre as muitas seduções da vida intelectual, pela literatura. (...)
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