Data de Publicação: 30 de novembro de 2005
É gratificante dialogar com escritores que tiveram o cuidado e a responsabilidade de ler e reler o legado de cultura literária e que, após chegarem a uma consciência lúcida sobre o que seja a verdadeira tradição, ordenaram esse conhecimento ou paideuma, para que a geração de sua época e as gerações futuras retomem, o mais rápido possível, o caminho dos melhores que os precederam.
No Maranhão, vale destacar Henriques Leal, Antônio Lôbo e Oswaldino Marques. E o assunto veio à baila por causa da morte recente do cidadão maranhense Oswaldino Ribeiro Marques, aos 86 anos, em 13 de maio deste ano.
A morte de um escritor excepcional sempre traz à tona o sentido contraditório, ambíguo e paradoxal da palavra imortalidade e dá a dimensão exata da expressão: vida após a morte, pois, se morre o cidadão, se amplia com essa morte a vida do escritor Oswaldino Marques. Essa vida se concretiza no encontro marcado do escritor com os leitores, para um diálogo, através do discurso poético nos textos que produziu.
Esta edição do Suplemento Cultural e Literário Guesa Errante é uma homenagem à memória de um escritor maranhense, cuja importância é tão eloqüente, que ultrapassa as fronteiras culturais do Brasil.
Poeta, dramaturgo, teórico, crítico, ensaísta, tradutor e professor, Oswaldino Marques é uma soma, para não dizer súmula ou enciclopédia, dos conhecimentos de cultura literária acumulados ao longo dos séculos, que passa a gerações que o sucedem, como síntese, através de suas obras completas.
Será preciso sempre a imposição do exílio para que se produza uma obra literária de fôlego? Pelo menos a maioria dos maranhenses, que produziu boa parte do melhor que temos, o fez ou fora do Maranhão ou fora do Brasil. Só a título de exemplo, citem-se os casos de Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Gomes de Sousa, Sousândrade, João Lisboa que, em proporções variáveis, de escritor para escritor, deixaram em suas produções a marca de uma literatura de exílio, no Exterior. Isto sem citar aquela relação quilométrica de quantos fixaram residência no Rio de Janeiro e lá produziram a Literatura Maranhense. Ferreira Gullar, por exemplo, escreveu seu melhor texto poético, o Poema Sujo, no exílio. E há aqueles que vivem no exílio, em São Luís, porque moram, mas não vivem aqui espiritualmente. Nem é preciso citar nomes. O pior é que alguns, apesar do exílio, precisaram morrer para serem reconhecidos, como é o caso de Oswaldino Marques.
A página de cinema, de responsabilidade do cineasta Frederico Machado, traz uma belíssima análise sobre a vida e a obra de um dos mais expressivos cineastas do século XX, Luís Buñuel, assinada por Vicente de Paula M.C.F. Júnior.
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