Síntese Biográfica

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Nauro Machado, que nasceu em São Luís, a 2 de agosto de 1935, é o nome literário de Nauro Diniz Machado. Filho de Torquato Rodrigues Machado (falecido) e de Maria de Lourdes Diniz Machado, tem dois irmãos: Mauro e Dauro. Casado com a escritora Arlete Nogueira da Cruz, tem um filho, Frederico da Cruz Machado.

Estudou no Colégio de São Luís os cursos primátio, ginasial e científico, tendo passagem de um semestre pelo Colégio Mallet Soares, no Rio de Janeiro. Trabalhou no Serviço de Assistência a Menores (SAM). Na Fundação do Serviço Especial de Saúde Pública (FSESP), entre 1962 e 1971, exerceu o cargo de escriturário, com a função de redator, copydesk de todas as correspondências da seção de pessoal. Ainda trabalhou na Secretaria de Agricultura do Maranhão, na EMATER, na SURCAP, no DETRAN, na Secretaria de Indústria e Comércio do Maranhão, instituição que o pôs à disposição do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado, SIOGE, órgão que foi extinto em 1995, por decreto governamental.

De 1980 aos dias atuais, trabalha na Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão, hoje Fundação Cultural do Maranhão, como Assessor Cultural.

Dono de uma cultura literária vastíssima, o poeta Nauro Machado é um desses raros autodidatas que têm como referência mais antiga, no século XIX, o carioca, romancista, contista e poeta, Machado de Assis, que também foi autodidata. Por essa comparação, poder-se-á concluir o nível de leitura de quem conhece profundamente as literaturas grega e latina, a francesa, a alemã, a inglesa, a italiana, a espanhola e a de escritores da América Latina, sem mencionar a cubana, a mexicana e, principalmente, as de Língua Portuguesa, em especial, a maranhense.

Vasto conhecimento de filosofia e arte em geral, em especial em literatura e cinema, o poeta domina a língua francesa desde a tenra idade. Escritor profissional, sem dúvida um clássico de Língua Portuguesa, no melhor e mais amplo sentido do particular para o universal, Nauro Machado vem, ao longo de 45 anos, construindo uma obra poética monumental no panorama da Literatura Brasileira e Portuguesa, representada já por trinta e quatro títulos.

O poeta é detentor de vários prêmios, destacando-se o de Poesia da Cidade de São Luís, várias vezes conquistado por ele; o da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1982; o da Academia Brasileira de Letras, em 1999, e o da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 2000.

Citado em enciclopédias e em dicionários nacionais e internacionais, tem alguns de seus poemas traduzidos para vários idiomas, em alemão, inglês, francês e catalão, conseqüentemente publicados em antologias e revistas internacionais. O poeta está incluído em inúmeras antologias do Maranhão e do Brasil. Recentemente inauguraram, no Projeto Reviver Praia Grande, em São Luís, a Praça Nauro Machado. Também inauguraram uma efígie, em homenagem ao poeta que, aos 68 anos de árdua existência, começa a se tornar popular, em São Luís. Inclusive, em 2002, sua vida e sua obra foram temas e samba-enredo da Escola de Samba Turma do Quinto, que ganhou o primeiro lugar, no Carnaval de São Luís do Maranhão.

Opiniões da crítica especializada sobre a obra naureana

Sonetos [que] nada têm que ver com os velhos sonetos de um tempo em que os poetas sacrificavam o corpo e a alma nas chamas de um holocausto chamado “chave de ouro”. […] Em nenhum momento o seu discurso poético faz concessões à retórica de amenidades. É uma tessitura de conflitos, uma construção verbal de rigoroso desenho estético. (Francisco Carvalho)

Um dos grandes poetas brasileiros de nosso tempo. (Adonias Filho)

E se analisarmos […] a sua marca pessoal – tanto no engenho como na arte – e a compararmos com as marcas dos monstros sagrados do lirismo nacional contemporâneo, chegaremos sem esforço à conclusão de que, no Brasil do século XX, raros são os poetas de tal força, originalidade e domínio artesanal. (Fernando Mendes Viana)

Não hesito em colocar Nauro Machado entre os grandes poetas do Brasil de hoje, independente de geração ou idade. (Antônio Olinto)

Poeta único na poesia brasileira […] Nauro conseguiu sintetizar numa linguagem tão rarefeita, quase irrespirável, entre o céu e o inferno, o caótico destino humano.
(Cláudio Murilo Leal)

Nauro caminha na contramão de um leitor acostumado com as veleidades do fácil.
(José Aparecido da Silva)

Alta e impressionante poesia.
(Carlos Drummond de Andrade)

Poucos poetas – talvez um Baudelaire, um Antero de Quental, um Augusto dos Anjos – têm, como esse solitário maranhense, enfrentado a tarefa árdua e encantatória de expressar, mas o fazendo sob o regime de uma consciência criadora face às possibilidades do verbo – verbo que é fala, pensamento, imagem e melodia – os ângulos escusos, os obscuros abismos, as cartilagens doloridas e inescrutáveis da estrutura humana.
(Hildeberto Barbosa Filho)

Apanha o homem na queda a estágios profundos de impotência e incerteza.
(Donald Schüller)

Uma carreira poética ímpar no contexto literário brasileiro de hoje.
(Alfredo Bosi)

Nauro Machado é único. Complementando Adonias Filho, eu diria: “um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos.”