Luis Augusto Cassas: uma leitura alquímica da infância do FILHO em São Luís

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Aos 50 anos de idade, o poeta Luis Augusto Cassas, autor de 12 títulos de livros de poesia, após inventariar longamente a alma humana no percurso da maturidade, resolve revisitar rosebad, em nome dos pais das crianças abandonadas de São Luís, através dos textos do seu mais recente livro Em Nome do Filho.

Na obra em questão, o poeta dá curso ao trabalho, que já vem desenvolvendo há anos, registrado em vários outros livros seus editados, como no caso específico de O Retorno da Aura. Alquimicamente, conecta-se com os conhecimentos de sabedorias milenares, relê e reinterpreta esses saberes esotéricos, ocultistas ou cabalísticos, bíblicos, apocalípticos ou metafísicos, à luz de uma nova ótica, quando transforma o discurso poético num veículo de tornar acessível às massas o legado filo sófico-hermético-religioso, geralmente privilégio de uma minoria de ditos doutores dos conhecimentos sobre a vida, a morte e a transcendência. Assim, sem vulgarizar, ele torna propício a decifração de mistérios tidos, geralmente, na conta de privilégio, antes exclusivo de magos, bruxos, padres, filósofos, pastores e iniciados, ao alcance global.

Os poemas de Em Nome do Filho têm esse viés essencialmente paródico, que, no campo da criação literária, corresponde ao ato de recriar, característica fundadora da pós-modernidade. Por exemplo, o poema Cantos da pedra da memória relê, relendo São Luís, o Pai-Nosso e Manuel Bequimão com sua célebre frase, exclamada na hora da morte, Pelo povo do Maranhão morro contente!; Oráculo contra a infância desamparada relê o látego de Cristo, do Ai de ti, Cafarnaum! e As Sete Pragas do Egito; Ave Matéria reinterpreta os episódios de Cristo e Maria Madalena; Cristo, e Pedro a negá-LO; e Cristo a escolhê-lo para edificar a igreja cristã ou do cristianismo; As Bem-Aventuranças da Pedra relê O Sermão da Montanha. Sem dúvida, uma repescagem das Escrituras, particularmente do Novo Testamento, através do qual o poeta tem um olhar rigoroso e acusador em relação àqueles que, em São Luís, fingem ignorar a realidade das crianças abandonadas e marginalizadas nas ruas, becos e praças. Esse olhar do poeta lembra Cristo diante dos vendilhões do templo sagrado, transformado em mercado.

Esse aspecto paradoxal e aparentemente contraditório da obra literária de Cassas que, inquestionavelmente, envolve talento, leitura e estudo, deve-se deixar para o juízo do tempo e da crítica, que são imparciais e, por isso, farão juz a ele e aos demais de hoje e de ontem.

Luis Augusto Casas, é certo, tem um projeto poético diferente da maioria dos poetas maranhenses, mas muito bem definido. Os textos e as obras de criação de todos os artistas têm uma essência incorruptível e incontroversível para o legado dos séculos, não cabendo a ninguém titular-se de senhor da última palavra sobre o valor, frescor e vigor desta ou daquela obra de arte, sob pena de correr o risco de também equivocar-se sobre a perenidade ou não do produto da criação literária.

Desde o título, a nova obra de Cassas arremete ao que veio, pois a palavra Filho representa metonimicamente o nome do próprio filho de Deus Pai, Jesus Cristo.

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